Todos nós, seres humanos, além de carregarmos
os pesos externos, tais como mochilas, sacolas, valises, trouxas e malas,
também carregamos pesos internos, na maioria das vezes, desnecessariamente.
Os pesos externos podem ser vistos e
avaliados pelas pessoas, mas os internos jamais, pois só sente o que sente quem
sente. Os outros podem até ter um recurso empático, mas não podem viver aquele
nível de experiência.
Diuturnamente, nos deparamos com pessoas
que até sorriem, mas a alma se encontra repleta de tristeza. Em outros
momentos, nos deparamos com pessoas que parecem estar “na dela”, mas anseiam
por uma voz externa que tente puxar algum nível de conversa.
Há uma postura assumida por algumas
pessoas em relação a outras alcunhada de empatia. Basicamente, empatia significa
a capacidade de se colocar no lugar do outro. Embora o significado pareça simpático,
é sabido que este significado é insuficiente, afinal de contas, pessoa alguma
consegue se colocar no lugar de outra.
Cada existência é única e irrepetível. O
corpo e a memória de cada qual se entrechoca com a cultura e as contradições da
história e da sociedade, deixando mais distante ainda a possibilidade de reconhecer
o outro em sua integridade.
Talvez, a possibilidade empática exista
por intermédio da poesia, essa linha vermelha que toca a profundidade de cada um
de nós de uma forma única. Empatia talvez seja isso: tocar o outro
imageticamente por intermédio da poesia, tentando sentir o que o outro se
sente. É como colocar uma lente especial e diferente na tentativa de se enxergar
o mundo pelos olhos do outro.
Há um poema de Jacob Levi Moreno que exemplifica
o que queremos dizer, que assim expressa:
Um encontro de dois: olhos nos olhos,
face a face,
E quando você estiver perto arrancarei
seus olhos
E os colocarei no lugar dos meus;
Arrancarei os meus olhos e os colocarei
no lugar dos seus;
Então verei você com os seus olhos
E você me verá com os meus olhos.
Então, até a coisa mais comum servirá ao
silêncio e
Nosso encontro permanecerá a meta sem
cadeias.
Um lugar indeterminado, em um tempo
indeterminado.
Uma palavra indeterminada para um homem
indeterminado.
Um poema não precisa de explicações. Ele,
por si só, dá conta de apresentar o que precisa ser apresentado e sentido por
quem quer que queira sentí-lo. De qualquer forma, pessoa alguma precisa ser gigante
para imaginar a empatia para e com o outro. Desde um simples: “Como vai você”?
até o acompanhamento em um leito de hospital, ou mesmo, no abraço silencioso
frente ao luto estabelecido pela perda significativa de uma pessoa querida.
Importa sempre afirmar que pequenas
atitudes em prol da outra pessoa fazem uma diferença enorme. No fundo do fundo,
pessoa alguma gosta de se sentir sozinha ou excluída.
Quando, de alguma maneira, nos lançamos
ao cuidado com o outro, tornamos a vida mais leve e fortalecemos o único amor
que sobrevive “apesar de”, a saber, a amizade. No fim da linha, os amigos do
momento se farão presentes, tornando melhores os dias chatos.
Com os olhos trocados, deixemos que as palavras
e atitudes deixem as suas marcas em meio aos movimentos poéticos, e que eles
sejam bons, janelas abertas para novas possibilidades relacionais.

Nenhum comentário:
Postar um comentário