quarta-feira, 8 de julho de 2026

O Paradoxo da Empatia

 


Todos nós, seres humanos, além de carregarmos os pesos externos, tais como mochilas, sacolas, valises, trouxas e malas, também carregamos pesos internos, na maioria das vezes, desnecessariamente.

Os pesos externos podem ser vistos e avaliados pelas pessoas, mas os internos jamais, pois só sente o que sente quem sente. Os outros podem até ter um recurso empático, mas não podem viver aquele nível de experiência.

Diuturnamente, nos deparamos com pessoas que até sorriem, mas a alma se encontra repleta de tristeza. Em outros momentos, nos deparamos com pessoas que parecem estar “na dela”, mas anseiam por uma voz externa que tente puxar algum nível de conversa.

Há uma postura assumida por algumas pessoas em relação a outras alcunhada de empatia. Basicamente, empatia significa a capacidade de se colocar no lugar do outro. Embora o significado pareça simpático, é sabido que este significado é insuficiente, afinal de contas, pessoa alguma consegue se colocar no lugar de outra.

Cada existência é única e irrepetível. O corpo e a memória de cada qual se entrechoca com a cultura e as contradições da história e da sociedade, deixando mais distante ainda a possibilidade de reconhecer o outro em sua integridade.

Talvez, a possibilidade empática exista por intermédio da poesia, essa linha vermelha que toca a profundidade de cada um de nós de uma forma única. Empatia talvez seja isso: tocar o outro imageticamente por intermédio da poesia, tentando sentir o que o outro se sente. É como colocar uma lente especial e diferente na tentativa de se enxergar o mundo pelos olhos do outro.

Há um poema de Jacob Levi Moreno que exemplifica o que queremos dizer, que assim expressa:

Um encontro de dois: olhos nos olhos, face a face,

E quando você estiver perto arrancarei seus olhos

E os colocarei no lugar dos meus;

Arrancarei os meus olhos e os colocarei no lugar dos seus;

Então verei você com os seus olhos

E você me verá com os meus olhos.

Então, até a coisa mais comum servirá ao silêncio e

Nosso encontro permanecerá a meta sem cadeias.

Um lugar indeterminado, em um tempo indeterminado.

Uma palavra indeterminada para um homem indeterminado.

 

Um poema não precisa de explicações. Ele, por si só, dá conta de apresentar o que precisa ser apresentado e sentido por quem quer que queira sentí-lo. De qualquer forma, pessoa alguma precisa ser gigante para imaginar a empatia para e com o outro. Desde um simples: “Como vai você”? até o acompanhamento em um leito de hospital, ou mesmo, no abraço silencioso frente ao luto estabelecido pela perda significativa de uma pessoa querida.

Importa sempre afirmar que pequenas atitudes em prol da outra pessoa fazem uma diferença enorme. No fundo do fundo, pessoa alguma gosta de se sentir sozinha ou excluída.

Quando, de alguma maneira, nos lançamos ao cuidado com o outro, tornamos a vida mais leve e fortalecemos o único amor que sobrevive “apesar de”, a saber, a amizade. No fim da linha, os amigos do momento se farão presentes, tornando melhores os dias chatos.

Com os olhos trocados, deixemos que as palavras e atitudes deixem as suas marcas em meio aos movimentos poéticos, e que eles sejam bons, janelas abertas para novas possibilidades relacionais.

 

 

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