terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Natal é...


Eu sou daqueles que pouco me encanto com a comemoração de Natal. Ora, comemorar significa festejar um acontecimento e para mim, o Natal como acontecimento é o que acontece no cotidiano...
Natal é acordar às 5h30 da manhã, tomar um café correndo pra pegar o metrô lotado em Santana – SP, com a finalidade de bater o cartão no horário previsto.
Natal é um grupo de crianças da periferia de Recife – PE, andando seis quilômetros para ir à escola e se encontrar com uma professora ainda jovem que acredita na utopia do processo educacional.
Natal é o reencontro com os colegas de trabalho – pedreiros, pintores, serventes e ajudantes, todos oriundos do Nordeste do país, cansados da rotina na cidade grande e das dificuldades financeiras originárias do baixo salário.
Natal é comer uma quentinha preparada por uma senhora idosa e trabalhadora que ainda labuta pra ajudar na criação dos netos na cantina ou cozinha da pequena Gráfica em Belo Horizonte – MG.
Natal é enfrentar o chefe chato da Multinacional em Minas Gerais que, disposto tão somente ao lucro, esgota toda a sua equipe com um cronograma de metas.
Natal é a mulher que vai dar a luz a uma criança em um Hospital da rede pública do Rio de Janeiro sem saber se sua criança nascerá bem.
Natal é comparado a centenas de milhares de doentes e acidentados longe das suas respectivas famílias em diversos hospitais e pronto-socorros espalhados pelo país.
Natal é o mendigo que dormiu toda a madrugada de chuva fina debaixo de uma marquise de uma grande loja localizada na Rua 25 de Março – SP e, que ao acordar, remexe o lixo em busca de algo pra comer.
Natal é o carro quebrado em dia de pico na Reta da Penha – Vitória – ES.
Natal é a briga de casal em Campo Grande – MS, por motivos fúteis e inimagináveis.
Natal é a “ceia” familiar realizada às 20h, cujo cardápio revela macarronada e frango assado em Pirapora – MG. Pagode no som e alegria espontânea.
Natal é a criança do Educandário Carlos Chagas – Juiz de Fora – MG, recebendo um brinquedo oriundo de uma pessoa que ela não conhece.
Natal é a velhinha no abrigo em Porto Alegre tomando a sua canja com saudades da filha que não dá noticias há anos.
Natal é a comunhão celebrada por uma família de belenenses no entorno de uma mesa de madeira tendo à disposição dos olhos uma singela vela e pedaço de pão festivo.
Natal é a jovem vendedora com pernas cansadas de tanto ficar em pé durante a jornada do comércio e mercado pesados.
Natal é a loja de X,99 lotada de gente comprando lembrancinhas para o amigo X, amigo oculto, amigo secreto ou amigo urso, que acontecerá na noite do dia 24 de dezembro.
Natal é o carro cheio de bagagens e cheio de gente. Ansiedade no ar, farofada e música sertaneja no ambiente.
Natal é aperto de mãos e beijos aliados a um desejo intenso de que dias melhores aconteçam.
Natal é uma singela celebração em memória do nascimento de Cristo numa capela qualquer em um vilarejo distante.

Natal é, enfim, o paradoxo de se perceber na simplicidade de um bebê a esperança de novos tempos.

Pedacinhos de Eternidade em nossa pequena existência

    Somos seres que colecionam memórias e, por esta razão, guardamos em caixas ou gavetas, ou em caixinhas nas gavetas, alguns objetos ou ...