sexta-feira, 7 de outubro de 2016

O TEMPO NO OLHO

Moisés Coppe
Meu olho que não vê, vê além do que precisa ser visto
Vê o tempo passando lentamente, junto às nuvens espraiadas no urano.
O azul até acalma os sentidos, mas o cinza insiste em machucar a alma.
Os cães famintos e raivosos não se prendem ao âmago do ser. Eles avançam.
Um misto de insanidade e agonia se instaura em meu semblante. Meu olho vai ser devorado.
Ouso caminhar contra a ferocidade dos insanos que querem possuir o que não tenho.
Minha respiração não é pausada, no meu peito pulsa a máquina de carne.
Sinto o fluido rubro percorrer o corpo. Os músculos retesados não cedem ao relaxamento.
Deito-me num leito de ansiedades e me debato como um louco que não quer ser contido.
Deflagro meus intentos mais íntimos e os vejo expostos diante de mim. Tenho medo. Pavor e assombro me lançam ao canto das paredes mofadas. Minhas narinas ficam sufocadas e o cheiro dos fungos me provoca o nojo.
Quero o sol e o seu calor. Quero o brilho intenso do fogo e o seu abraço aquecido nas noites desérticas. Meu ser em si quer trégua.
Levanto simbolicamente a bandeira branca num ato solitário, desejando cessar a batalha. Quero o mesmo intento do meu inimigo que não existe. Todavia, ele insiste em continuar.
Saio da trincheira com o peito aberto. Desnudo, insisto alcançar tudo o que quero, sem saber muito bem pelo que de fato lutar.
Se espero algo do futuro? Acho que o futuro vai ter que esperar o que dele posso esperar.
O tempo continua passando e eu o vejo, a cada momento mais perplexo.

Cheio do incerto em minhas incontidas sérias bobagens, me detenho à beira do rio, só pra ver as bolhas do fundo profundo e o fluxo que não há de cessar.

Amor que Insiste


Pedacinhos de Eternidade em nossa pequena existência

    Somos seres que colecionam memórias e, por esta razão, guardamos em caixas ou gavetas, ou em caixinhas nas gavetas, alguns objetos ou ...