segunda-feira, 1 de abril de 2013

Páscoa: A flor que se abriu em abril

Hoje, dia 01 de abril de 2013 é feriado na França. Curioso notar que num país onde a laicidade é declarada na sua Carta Magna, a própria nação guarde para depois do dia de celebração da Páscoa, um dia de descanso para as pessoas e família. Conversando com uma senhora, que também é cristã, descobri que a festividade da Páscoa tem uma sonorização familiar muito intensa. Em virtude disso, é muito mais privilegiado a celebração e o estar em família do que a alegria em torno do chocolate, que por sua vez, está plenamente presente na cultura cotidiana. Por exemplo, nos mercados e supermercados não existem aqueles corredores expondo ovos de chocolate com seus coloridos e diversidades. Ao contrário, o que se vê são chocolates nos setores corriqueiros, como de costume, e alguns ovinhos também. Na Europa, a Páscoa chega juntamente com a primavera que é ansiosamente esperada, tamanho o rigor do inverno. E é muito bonito ver as árvores irrompendo em flores neste período. Durante todos os meses de fevereiro e março, nós vemos as árvores e seus brotos. Em abril eles começam a se abrir demonstrando todo um colorido especial e significativo. De fato, a Páscoa celebra a flor que se abriu em abril! Para mim, de uma forma particular, essa Páscoa ganhou sentidos especiais. É que depois de algum tempo longe da minha família, estivemos juntos por quinze dias e vivenciamos coisas muito boas, além de andarmos exaustivamente por toda a Paris. Assim, a Páscoa, além de trazer à minha mente as memórias e esperanças dos atos amorosos de Cristo, a Flor-mor que se abriu em abril, foi também para mim a pequena flor que se abriu em abril, enchendo-me de novas possibilidades para suportar os tempos sombrios e estranhos e continuar focado em meus objetivos. Hoje, toda a França, ou pelo menos a maioria dela, descansa e aguarda a explosão da primavera, da “printemps”, para poder viver a vida sem os casacos e sem a friagem inerente aos países europeus. Que venha a esperança e que de alguma forma, o Cristo vivo renasça no coração de todos aqueles que tiveram suas experiências de fé desbotadas frente a tantas guerras e conflitos gerados no bojo mesmo de um cristianismo em suas contradições e da complexa mistura entre Igreja e Estado. Ainda bem que o evento Cristo é bem maior que as instituições frias e calculistas que atravessaram tempos e épocas, constituindo o que hoje concebemos história, e irrompe nas vidas tal como as flores depois do frio do inverno. Que as flores continuem a se abrir em abril.

Pedacinhos de Eternidade em nossa pequena existência

    Somos seres que colecionam memórias e, por esta razão, guardamos em caixas ou gavetas, ou em caixinhas nas gavetas, alguns objetos ou ...