O que é o amor? Me fizeram essa pergunta! E eu não tinha nenhuma resposta pronta. Ao contrário, fiquei confuso com a questão e me pus a refletir sobre o significado dessa expressão que abarca diversos sentimentos e reações físicas no corpo. Li e reli diversos poemas. Me percebi envolto pelas tramas e romances diversos que me trouxeram emoções. Ouvi e cantei músicas. A somatória de todas essas expressões era ainda, para mim, uma gota d’água no meio do oceano...
sábado, 29 de setembro de 2012
A VIDA ABERTA ( para a amiga Ellen)
Eu gosto muito de Guimarães Rosa. Apesar de sua conhecida obra Grande Sertão Veredas nos apontar diversas dimensões fundamentais para se pensar a fé na vida, escolho, preferencialmente, suas assertivas que me ajudam no entendimento da pessoa humana, como a que cito: “o mais importante e bonito do mundo é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas, mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam”.
Além desse apontamento literário em relação às pessoas, o filósofo francês Paul Ricoeur, afirma que toda a nossa vida é marcada por duas dimensões: a do voluntário e a do involuntário. Ora, existem múltiplas situações que nós podemos controlar, pois advém de nossas próprias escolhas e outras que nada podemos fazer, pois ocorrem inusitadamente e desestabilizam a jornada. Surgem de repente.
Sendo assim, pessoas e situações se entroncam na existência para afirmar contundentemente que a vida está aberta.
Em minha humilde concepção, baseando-me em Rosa e Ricoeur, afirmo que somos como músicas que em momentos distintos afinam ou desafinam mediante o jogo da vida. Outros muitos, ao contrário, pensam que o mais importante é que as pessoas sejam iguais ou que ajam da mesma forma. Ora, a riqueza da vida humana está em pensarmos coisas diferentes e somarmos nossas diferenças, quem sabe, para a construção de uma cultura de paz. Tal cultura não pode ser o fruto de uma ditadura ou da ordenança de uma pessoa sobre as outras. A cultura de paz é a resultante de gente que tem ao mesmo tempo um coração aquecido e mente esclarecida. É isso o que eu defendo.
Quanto ao voluntário, podemos dizer que é relativamente tranquilo acolher-se o bem e o mal quando estes ocorrem por causa de cada escolha pessoal. Assim, quando sofremos a perda ou celebramos uma vitória, nos organizamos emocionalmente bem, pois sabemos que aquilo é fruto de nossa decisão. Entretanto, quanto ao involuntário, o acolhimento possui outros contornos, mesmo porque o que ocorre nesta dimensão é oriundo dos acidentes de percurso. É extremamente desagradável a gente ser conflitado por uma ou outra situação que surge sem a devida espera ou preparação.
Sendo assim, acho que em todos os grandes dilemas da vida, sejam pessoais ou impessoais, a vida aberta deve cultivar os melhores sentimentos em relação às pessoas que nos cercam.
Por isso, acho que na dinâmica da vida e suas relações, a gente tem que garantir a todas as pessoas a possibilidade de elas serem elas mesmas ou acolhe-las em suas crises diversas. Não somos pessoas comuns que vivem em organizações comuns. A vida da gente é como a nossa casa, onde as coisas acontecem de forma inusitada e às vezes, atravessada. E eu preciso confessar que eu gosto dessa aparente confusão de situações, pessoas, acidentes etc. A casa, mais do que um motorzinho bem regulado, é um organismo vivo formado por gente que afina e desafina ou que se assusta frente ao inusitado. Nesse ponto, podemos afirmar em tom dissonante que a vida está sempre aberta, mas nem tanto, mesmo porque o mais importante são as pessoas que ainda não foram terminadas. Aliás, foi conversando com uma amiga que essa ideia surgiu. Essa noção de vida aberta está ligada ao fato de sempre estarmos em entroncamentos, os mais diversos, sendo convidados(as) à escolha e também à visualização estupefata do que sobrevém. É que em alguns momentos a gente é motorista e controla o que acontece. Em outros momentos, somos passageiros e nesse ponto, as coisas se complicam para nós. Mas a vida está aberta e não podemos nutrir nenhuma espécie de medo em relação ao que vem ou possa ocorrer. É mais ou menos o que aconteceu com Jó. Ele fez suas escolhas, mas também sofreu o inusitado em sua vida, perdendo tudo e quase todos ao seu redor. Mas assim é a vida e de alguma forma, todos temos que encará-la da melhor maneira possível.
Então, na vida aberta – mas nem tanto – e seus respectivos voluntários e involuntários, tenhamos no mínimo a atitude, primeiro para escolher bem quando pudermos escolher; e enfrentar bem, quando precisarmos enfrentar. Em tudo, porém, contando com a graça maravilhosa de Deus e nos tornando mais pessoas: desafinadas ou afinadas? Não nos importa, simplesmente pessoas.
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
Digo Não ao Coco de Cachorro na Rua
Na terça-feira do dia 18 de setembro de 2012, eu fui ao supermercado próximo à minha casa, com o intuito de comprar alguns itens para a composição do almoço familiar.
Resolvi ir à pé para aproveitar os primeiros raios de sol da manhã. Ao sair do portão da minha casa, localizada no bairro Cascatinha, na cidade de Juiz de Fora – MG, fiquei estupefato com o que vi: uma quantidade imensa de cocos de cachorros.
Rapidamente, tive que abandonar o calçamento para dividir espaço com os veículos. Foi-me impossível manter minhas caminhada da forma como queria. Me desviei e comecei a contar os “montes”. Cheguei à soma de vinte e dois, e desisti. Confesso aos leitores que aquilo me tomou de ira. Algumas perguntas vieram à minha cuca: Será que estes cachorros não têm donos? Será que a Prefeitura da cidade instituiu que agora é lícito transformar as ruas e calçamentos destinados a pedestres em banheiros para cachorros? Os donos desses cachorros não tinham mãos para carregarem sacolinhas plásticas? Eram deficientes? E com essas perguntas circulantes em minha cabeça, passei a ficar enojado com essa trite e vergonhosa realidade.
Os que me conhecem de perto sabem que não sou muito fã de cuidar de animais. Minha criação como pessoa não me permitiu esse relacionamento, que até admiro, entre as pessoas e seus bichinhos. Admiro demais as pessoas que gastam seu dinheiro no cuidado com os animais. Não à toa, o mercado de Pet Shop’s e as clínicas veterinárias estão entre os centros que mais crescem na atualidade.
Segundo dados da Revista Veterinária, o número de estabelecimentos como os citados cresceu de forma contundente. Segundo fontes do Sebrae:
“O mercado brasileiro de pets movimentou R$ 11 bilhões em 2010. Deste total, 66% correspondem à venda de comida para animais de estimação e 20% a serviços do setor. Este mercado realmente é promissor. Mundialmente, o setor faturou US$ 76 bilhões em 2010. Os dados são da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos para Animais de Estimação (Anfalpet). Em artigo, Marcos Gouvêa de Souza, diretor geral da GS&MD – Gouvêa de Souza avalia as boas perspectivas para o segmento de pet shops no Brasil. O segmento teve um faturamento aproximado, na ponta do varejo, superior a R$ 11,3 bilhões, com um crescimento real de 4,5% em 2011. Em 2010 esse mercado cresceu 8,5% em relação ao ano anterior de 2009 e tudo indica que deverá continuar a se expandir em percentual superior ao crescimento do PIB nos próximos anos. Estima-se em 25 mil o número de pet shops no país. Hoje a tendência do mercado de Pet shops inova com produtos diferenciados, como esmaltes e refrigerantes, salões de beleza para animais, novos tipos de banhos, tosas e secagem de pêlos, com produtos importados de alto nível e serviços de entrega. No quesito luxo, o mercado pet do Brasil também tem muito a crescer. Uma pesquisa realizada pelo portal WebLuxo revela que apenas 5,5% do mercado brasileiro é composto por produtos mais caros. Os mais vendidos são coleiras, roupas, bebedouros e casinhas. Os estabelecimentos faturam até R$ 200 mil por mês. O Brasil tem hoje o segundo maior mercado pet do mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos. Segundo dados da (Anfalpet), o Brasil tem estrutura e capacidade de produção para ser também o segundo maior exportador de artigos do segmento, com US$ 4 bilhões ao ano. O Brasil tem 98 milhões de animais de estimação. Segundo Antônio Braz, analista do IBGE o peso dos gastos com animais de estimação representa percentual de 0,7% no orçamento. Por isso, é bom ficar ligado nas tendências de produtos e serviços e nas regras básicas de manutenção de uma loja pet shop ou uma clínica veterinária”.
De fato, criar bichinhos como gente é um bom negócio.
Mas eu descobri que não estou sozinho nessa luta contra cocos de cachorros. Uma senhora, moradora de Copacabana, no Rio de Janeiro, espalhou um vidro de pimenta na calçada para espantar os cachorros. Segundo ela, “funciona que é uma beleza”. (Folha On Line, 15/09/2008). Ou ainda o caso de Cláudio Althierry que plantou bandeirinhas indicando a falta de educação dos cariocas e seus cachorrinhos no bairro do Flamengo – RJ.
Não, não, senhores e senhoras, não sou contra a criação amorosa e o cuidado com os bichinhos. Sou contra o descaso das pessoas com seus animais quando dos passeios matinais, vespertinos e até noturnos. Repito: sou contra o descaso das pessoas que não recolhem os excrementos dos seus bichinhos, antes, deixando-os para deleite sensitivo dos cidadãos em geral.
Sendo assim, acho que o cuidado, a atenção e o asseio com os passeios dos bichinhos deve ser assegurado pelo dono ou dona do animal.
Eu não quero mais andar pelas ruas do bairro onde moro a mais de 10 anos tendo que me desviar da cáca dos cachorros. Eu quero ver cachorros e seus donos andarem livremente e alegremente com seus bichinhos, numa espécie de desfile da modernidade subjetiva, entretanto com educação, responsabilidade e, pelo menos, singelos gestos de cidadania.
Bato palmas quando vejo donos ou donas responsáveis que recolhem o coco dos seus cahorrinhos. A bem da verdade, dá vontade de cumprimentar tal pessoa e ovacioná-la com força tal que todos os demais moradores venham a escutar.
Então, vamos combinar uma coisa: que todas as pessoas de bem continuem a passear com seus cachorrinhos, mas que, com o mesmo cuidado dispensado com a caminhada, recolham o coco do animal. Ele não pode fazer isso sozinho. É você, pessoa humana, que possui polegar opositor, diferentemente de todos os demais animais. Assim, todos nós continuaremos a ter nossa caminhada normalizada, livre de visões detestáveis, cheiros repugnantes e, principalmente, daquela cáca alheia, ainda fresca, agarrada no solado do tênis branco. Fica o apelo!
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