O que é o amor? Me fizeram essa pergunta! E eu não tinha nenhuma resposta pronta. Ao contrário, fiquei confuso com a questão e me pus a refletir sobre o significado dessa expressão que abarca diversos sentimentos e reações físicas no corpo. Li e reli diversos poemas. Me percebi envolto pelas tramas e romances diversos que me trouxeram emoções. Ouvi e cantei músicas. A somatória de todas essas expressões era ainda, para mim, uma gota d’água no meio do oceano...
quarta-feira, 17 de junho de 2020
terça-feira, 5 de maio de 2020
sábado, 25 de abril de 2020
sábado, 18 de abril de 2020
É preciso ter bom humor (Décimo sexto texto)
“O bom
humor é a única qualidade divina do homem”.
Arthur
Schopenhauer
Viver é uma aventura cheia de
percalços. O tempo todo eu enfrento os dramas diversos que em nada favorecem as
boas harmonizações do meu ser interior. Então, não dá para eu viver o cotidiano
e suas (in)conclusões sem uma boa dose de bom humor e boas risadas. Aliás,
coisa boa é a gente estar em uma roda de boa conversa, tendo um bom contador de
prosas, causos e piadas.
Eu gosto de conviver com gente bem-humorada.
Logicamente, eu sei, que por causa das complexidades inerentes aos relacionamentos
diversos que todos possuímos, é-nos impossível manter a potência do humor
elevada em todo tempo. Tem horas que a pilha perde a carga, o que é
absolutamente natural, pois, às vezes, sou surpreendido por situações geradas
por outros que me fogem ao controle. Paciência. A surpresa faz parte do jogo no
dia a dia e, mesmo quando tudo me parece fechado e sem definições, preciso
surpreender a minha alma, olhando-me no espelho, trocando um sorriso com a
minha imagem. Eu sei que isso, por si só, não resolve, mas já é um bom começo.
Minha índole é daquelas onde o humor
varia consideravelmente. Em alguns momentos, fico eufórico; em outros me
deprimo a ponto de perder meu olhar num espaço vazio. De qualquer forma, em
meio a minha rotina na montanha russa, eu sei que não posso deixar a alegria e
o bom humor se esvaírem, deixando o cotidiano chato.
Ao mesmo tempo, não sou daqueles que
acham que a gente tem que ficar de boca aberta o dia todo, rindo como um
boboca. Aliás, é muito esquisito quando me deparo com gente que fica rindo à
toa, às vezes, sem nenhuma causa aparente.
Pra não fugir muito da regra, o ideal
mesmo é buscar a zona de equilíbrio, visando o bem estar da própria existência.
E aqui não é abertura para autoajuda. Eu, particularmente, não gosto disso. Pra
mim, em especial, o bom humor tem a ver com a forma como minha psique interior
se resguarda quanto aos fenômenos que ocorrem no exterior. Assim, o bom humor
nasce do bom equilíbrio emocional que é essencial à vida de qualquer pessoa.
A necessidade de manifestação do bom
humor se dá mediante às situações que confrontam o bem-estar pessoal ou social.
Todas as vezes que somos agredidos em nossa vida comum, somos forçados à
reação. O bom humor, nessa perspectiva é sempre a reação ante ao caótico e, não
entendido. Em todos os momentos onde a vida pessoal é posta em xeque, o bom
humor se estabelece como uma válvula de escape. E existem os humoristas profissionais
que, muitas vezes, exageram em suas piadas, gerando diversos constrangimentos.
Isso se dá por causa de uma linha tênue que separa o risível do não-risível.
Com isso, chegamos à conclusão de que existem dois tipos de bom humor: o
sensato e o ridículo. Ora, o primeiro refere-se ao bom humor que se manifesta
de forma equilibrada e não agride pessoa alguma, ao contrário, só provoca o
bem-estar e o riso, até mesmo a gargalhada que faz bem para a alma. Já o
segundo, cria mal-estar aos ouvintes e aquele sentimento de constrangimento que
acaba conflitando os sentimentos humanos. É o caso da piada mal posta num
ambiente não preparado para ela.
A cada dia, fica mais claro para mim
que o bom humor é fundamental para o desencadeamento de emoções equilibradas no
decorrer do dia. De fato, pessoas bem-humoradas conseguem transpor os maiores
desafios do cotidiano sem perder a sensibilidade. Obviamente, existem muitas
pessoas que são mestras na arte de celebrar o bom humor. Fazem piadas e contam
causos sobre quase tudo. Existem aquelas que são chulas, e vivem em meio a
gozações diversas, algumas delas espúrias. Há, entretanto, outras que possuem
um humor refinado, favorecendo na dinâmica dos dias, o fluir das palavras e dos
gestos pontuais geradores de contentamento.
Portanto, para se levar a vida com bom
humor, não é necessário ser irônico, preconceituoso e sátiro. Tudo bem que
essas três dimensões estejam também presentes no cotidiano de todas as pessoas,
mas o excesso delas leva ao constrangimento de outrem. O problema é quando
ironia, preconceito e sátira interferem diretamente na dignidade da pessoa que
é posta numa roda de conversa jocosa. Esse é o caminho para o cômico que acaba
desconfigurando o humor. Conheço gente que gosta de fazer gozação com todo
mundo, mas quando passa a ser o centro das piadas, fica aborrecida. Mas é assim
mesmo! Rir dos outros é bem mais fácil do que rir de si mesma.
Todavia, é preciso rir de si mesmo! É
preciso fazer chacota com o próprio eu. É preciso encarar as dificuldades e
vicissitudes da vida com certa dose de alegria, afinal de contas, somos todos
imperfeitos! E quando rimos da nossa imperfeição, damos abertura para a
aceitação, tão necessária a qualquer pessoa.
Levar a vida com muita seriedade não é
vigoroso para ninguém. O famoso comediante Charles Chaplin certa feita disse: “Através
do humor vemos no que parece racional, o irracional; no que parece importante,
o insignificante. Ele também desperta o nosso sentido de sobrevivência e
preserva a nossa saúde mental!”
O bom humor nos ajuda a vermos o mundo
de outra maneira. Ora, não se trata aqui de repetir o “jogo do contente”
realizado pela Pollyanna no famoso clássico publicado em 1913, escrito por
Eleanor H. Porter, uma cristã presbiteriana. Basicamente, o livro trata as
relações da menina Pollyanna, uma menina órfã de onze anos, com diversas
pessoas mais velhas, especialmente com uma tia rica, com quem vai morar. Na sua
nova casa, ensina a todos o “jogo do contente”, aprendido com seu pai, que
consiste em sempre olhar o lado positivo de todas as coisas, mesmo nas
aparentemente desagradáveis.
Para mim, em especial, bom humor não é
jogo do contente. É atitude assumida diante das dificuldades e percalços que a vida
nos apresenta. É uma forma de dizer: deu ruim, mas a gente vai dar um jeito de
melhorar contando causos, piadas, chacotas e rindo das desgraças que nos
ocorrem.
Ao final das contas, a gente vai
perceber que estamos cercados por um monte de bobagens, as mais diversas. O bom
humor nos leva a fazer a seguinte pergunta: o que realmente importa para ser
contente? Não nos assustemos se chegarmos conjuntamente á conclusão de que bom
humor é estar de bem com a vida e com as pessoas, de preferência, numa roda de
boa conversa, comida, bebidas, violão e cantorias...
sexta-feira, 17 de abril de 2020
Simplesmente o amor (Décimo quinto texto)
“Tão bom
morrer de amor! E continuar vivendo...”
Mário
Quintana
Vivo o amor! Sofro o amor! Morro de
amor! Ah! O amor, vero amigo e carcereiro algoz! O grande gerador das maiores
alegrias e das mais agonizantes tristezas humanas. Cantado e poetizado em
diversas línguas e de múltiplas formas. Das emoções humanas, talvez a mais
vital. Força maravilhosa que me martiriza, deixando-me inquieto com a vida. O cantor
Renato Russo, citando Camões, expressou que “o amor é fogo que arde sem se ver.
É ferida que dói e não se sente. É um contentamento descontente”. É um paradoxo
sem limites paradoxais.
Eu, de minha parte, não consigo viver a
minha lida sem expressar as dimensões mais profundas do que realmente penso ser
o amor. Não consigo amar pela metade ou de uma única maneira. Intento, o tempo
todo, amar e amar muito, sem pestanejar. Sinto-me plenamente aberto para o amor
e para amar. Louco, com todo o horizonte aberto diante dos meus sentidos, lanço-me
ao distinto espaço vazio para amar quem quer que me apareça, como me for
possível. De amor em amor, vou sobrevivendo, tentando me resgatar nesse mar de
ondas espumantes e calmarias.
Amor não é substantivo, mas verbo. Precisa
ser construído na dinâmica relacional entre gente que se quer bem. Não há
porquês e não há respostas. O amor é a conjugação dos mais vivos sentimentos
que passeiam no corpo humano, mediante enzimas e substâncias que compõem a sua
química.
Entretanto, eu preciso confessar que,
para além da felicidade e do gozo, o amor me deixa triste, fragiliza-me a alma
e joga-me na lama. Mas o amor não é uma coisa boa? Não duvido disso! Todavia, é
coisa boa que detona os sentimentos dos que se envolvem numa paixão, seja ela
qual for. Poetizo num Amor que Insiste:
O corpo é
vivamente cremado...
A vida
depressa passou!
Valeu a
pena viver?
Foi vivo
e intenso o amor?
As
perguntas chegam tarde.
As
respostas nunca virão!
Resta a
lágrima no rosto vivido,
E o nada
dos passos no chão.
Quando
tudo se perde na mente,
Resta a
flor que enfrenta o inverno
E o gosto
insano da dor.
A alma
encontra remanso
Nas
letras sagradas do verso
Que
insiste querer o amor.
A insistência pelo amor é fluxo entre as
gentes. De um lado, há quem ame; do outro, a incerteza e a ambiguidade, pois o
que garante que uma pessoa, de fato, ame a outra?
Sabe o que vejo? Muitos dramalhões teatrais!
Gente que diz que ama, mas não ama. Gente que finge amar e assim vai levando a
vida. Gente que nunca soube o que de fato é amar. Faces ocultas da melancolia.
Por outro lado, junto e misturado com
as pessoas, não tenho como controlar o grito do amor na alma. Ele vem e ele
vai, tal como a lua em suas fases. Não é fácil controlar a composição química
que faz a gente acordar de madrugada e se perder em pensamentos desconexos e
insanos. É preciso se manter Longe das Paixões:
Nada mais
há de você em mim.
O tempo
passou, o tempo voou e eu me libertei.
Não mais
estou à beira do caminho.
As flores
até perderam o encanto e as nuvens encobriram o sol, mas eu não me importo.
É bom que
assim seja. Num momento a gente se enche de amor,
No outro
a gente curte o que é dor... O medo se foi...
Paixão é
bom porque chega e vai, quase nunca fica.
Eu volto
a sorrir, com o corpo isento, sem agonia.
Todavia,
tal qual onda do mar, insistirá, voltará... Talvez...
Tudo
suporto, pois eu nada controlo.
Sigo
cantando a melodia triste que dá alegria.
Beleza
profunda que anima minh’alma num instante silente.
O fogo
abaixou e as cinzas me deram o presente.
Ele é
tudo o que tenho, pois o passado passou e o futuro é incerto.
Abraço a
noite que cai. A lua minguante será minha companheira.
E no
sombrio volume da madrugada, ando sem eira, sem beira, na rota da ponte que vai
do nada ao vazio, pelo simples fato de ir.
Assento-me
à beira do rio. Ele vaga calmamente escondendo os redemoinhos do profundo.
Um
graveto flutua. Metáfora de mim sendo levado para qualquer lugar,
Longe das
paixões...
De fato, as paixões que evocam o amor
provocam dores, as mais diversas e intensas. O pior é saber que não existe uma
receita pronta para desfazer os sentimentos ambíguos, desviantes e
inimagináveis que se instalam num lugar imaginário chamado coração.
Além das dores, a paixão do amor sugere
fantasias desassossegadas. O pensamento, sob o domínio dessa desordem em
evidência, é uma fonte inesgotável de imaginações, na sua grande maioria,
pervertidas, que às vezes se plasmam em sonhos. Ainda bem que não existe nenhum
instrumento humano para registrar as imagens que nos visitam nos pensamentos e
nos sonhos. Mas o que nos impede de realizar nossas imaginações mais
pervertidas? Os filósofos me diriam que é a moral. Mas, moral e paixão não
combinam. Paixão, pra ser amor, precisa ser imoral. Do contrário, é mera
burocracia.
Desburocratizando o amor no cotidiano,
quero vivê-lo como uma grande aventura, formada essencialmente, de idas e
vindas, encontros e desencontros. Anseio viver as paixões ao sabor de cada dia,
enfrentando os dilemas e os problemas comuns que me fazem um humano ser de
contradições. Nesses deslocamentos corriqueiros o amor me lança ao universo
tresloucado do sexo.
Para o equilíbrio de uma vida marcada
pelo amor, o sexo, ou a boa resolução deste, é condição necessária para a
homeostase emocional.
Sei que muitas pessoas têm dificuldades
pra pensar ou falar sobre o sexo. Sei de gente que só faz o sexo habitual, quem
sabe, para manter a relação regulada. Sei de gente que não faz mais sexo. Sei
de gente que faz sexo escondido. Sei de gente que acha o sexo sujo. Sei de
gente que gosta de fazer sexo, principalmente quando tem liga e pele. Sexo bom
não tem pudores. Pode e não pode ficam para escanteio. O combinado e as
besteiras entre as partes é o que vale. Sexo tem que ser sujo, instintivo, lambuzado
e, surpreendentemente, prazeroso. Obviamente, o prazer é efêmero, passageiro
mesmo. Chega e vai. Vai e chega. Que beleza! Já basta. Acontece de forma
inusitada e não precisa de validade. É preciso ser mais hedonista e aproveitar
os prazeres que o corpo pode oferecer. Acredito que o prazer está presente nas
mínimas oportunidades do cotidiano e é inusitado. Ele tem que ser descoberto das
melhores maneiras possíveis.
Se o que desejamos ao outro é o bem-estar
real em todos os níveis, então o amor, o sexo, o prazer e a paixão que se
manifestam entre as gentes não podem ser ofuscados por parcas percepções. Nos
caminhos e descaminhos dos romances, alegrias e tristezas, contentamentos e
sofrimentos sempre darão sentido ao que não tem sentido algum. Que nos
sobrevenha uma descarga libidinosa. Talvez, por esse motivo intuitivo, Niezstche
tenha feito questão de frisar: “Há sempre alguma loucura no amor. Mas há sempre
um pouco de razão na loucura”.
quarta-feira, 15 de abril de 2020
As amizades que fazem a diferença (Décimo quarto texto)
“A
amizade não se busca, não se sonha, não se deseja; Ela exerce-se (é uma
virtude)”.
Simone
Weill
O poeta Milton Nascimento afirmou certa
feita que “amigo é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito, dentro do
coração”. Já, outro, o Renato Teixeira, canta pelas paragens das rotas
sertanejas que “amizade sincera é grande remédio, um abrigo no mundo”. Cá, no
meu canto, sinto as profundas emoções e inspirações que subjazem a essas
canções. Fica claro para mim que o desenvolvimento de uma boa amizade é coisa
pra lá de boa.
Por isso, quero continuamente a boa vivência
junto aos amigos e as amigas. Quero me assentar frente a uma mesa farta e
nutrir minha alma das conversas eivadas de besteiras, as mais diversas. Quero o
absurdo da harmonia que favorece o bem-estar em meio ao caos social. Que
ninguém compactue das ideias alheias, pois pensar diferente é fundamental.
Sejam evidenciadas as contradições, toda a subjetividade e os desejos mais
internalizados. Cada um tem a sua vida e os seus problemas, mas a gente se ajunta
numa mesa para afogar as mágoas. Na companhia dos amigos e das amigas, não há lugares
para o efêmero e o passageiro, pois tudo é efêmero e passageiro...
No entorno da mesa, importam as pessoas
que não querem saber de disputas ou questiúnculas. Somente resiste ali naquele
momento de eternidade a boa conversa, misturada a risos e gargalhadas. De fato,
não há nada mais prazeroso do que sentar-se à roda com alguns petiscos e bom
vinho para celebrar histórias e rir com amigos e amigas. Se tiver um violão e
uma música bem cantada, tudo fica quase perfeito! Nesse tempo onde as prosas e
as poesias enchem o ar, permanece a vontade intensa de abraçar as pessoas,
cuidando delas de uma forma carinhosa e sofisticada. Eis o grande legado oriundo
dos momentos marcantes da trajetória comunitária, afinal de contas, a única
coisa que prevalecerá em nossa fugaz jornada de vida são as amizades que
constituímos.
Entretanto, quando me deparo com as más
resoluções relacionais, principalmente quando pessoas insanas querem se dar bem
em cima das outras, fico boquiaberto. Num processo, onde muita gente se veste
de insanidade, buscando a frugalidade do sucesso e do status – duas grandes bobagens
que se constituem em vazios herméticos – não consigo reconhecer uma pitada de
humanidade. Não conheço pessoa alguma em minha jornada de vida que, tendo tido
êxito em algum momento de sua parca existência, e que se lança numa busca
desenfreada por sucesso e status, alcance o êxito com dignidade. Ao contrário,
vejo que a busca pelo glamour requer um alto grau de comprometimento e
exigência, transformando pessoas alheias em coisas e objetos. Conheço, igualmente,
os exemplos de pessoas que tendo galgado um terreno de grandes possibilidades
na vida, acabaram se perdendo na avenida da bancarrota. Triste fim para aqueles
que acharam que, por intermédio do sucesso e do status, poderiam ser
reconhecidos. Não emito um juízo de valor fechado em relação aos que acham que
estão dando o tombo no outro. Todavia, sei que o que se planta, se colhe. De
minha parte, quero plantar boas amizades, fugindo de toda e qualquer
possibilidade de ser visitado por algum tormento insano nas caladas da
madrugada.
Não quero gastar o meu tempo com as más
resoluções relacionais. Vou é investir meu curto tempo de vida na espetacular
aventura de conhecer os universos que se encontram nas consciências humanas –
suas neuroses e até as suas psicoses.
Vou apertar as mãos e beijar as faces
de todas quantas pessoas eu quiser. Deixar-me ser absorvido pela retina dos
olhos que me observarem. Não tenho medo da exposição. Sou o que sou e ninguém
tem nada com isso. Se eu não puder viver a minha vida diante dos amigos e das
amigas como ela deve ser vivida, quem a viverá, então? Apego-me a essa frágil
esperança de viver a vida como ela se me apresenta, pois me sinto uma flor
sendo causticada pelo calor do sol. Embora viceja, ficará ressequida e morrerá.
Precisa ser bela, enquanto puder sê-lo.
Assim, vou vivendo a vida curtindo cada
momento como se fosse o último. Quero que, no entorno da mesa de celebração,
cada amigo e amiga se torne companhia serena em minha caminhada. Desejo
compartir o pão cotidiano e oferecer nas palmas das minhas mãos a água fresca a
ser sorvida por quem está sedento. Que os sentimentos e gestos sejam estampados
na sua mais intensa comensalidade.
E se advierem as críticas quanto ao meu
jeito e comportamento, não me importarei, afinal de contas, não sou perfeito,
nem nunca desejei sê-lo. Sou, tão somente, uma síntese de contradições e
conheço profundamente todos os meus defeitos, até os mais complexos. Posso até
contá-los a você, se me permitir!
Lembrei-me do Rubem Alves que, quando
arguido em um congresso sobre seus posicionamentos quanto ao Jaime Wright,
respondeu: “O Jim era meu amigo!” Encerrou a conversa, pois o mestre sabia que
o bom da vida, ainda, é encontrar gente amiga que entende o outro e não o
avalia por meros atos ou palavras. No fundo, para os amigos, no sentido mais
estrito do termo, os defeitos não existem. São irrelevantes.
Na minha transição, rumo a um lugar
qualquer, fica claro a necessidade de romper com a solidão. Preciso da amizade
sempre viva, próxima a mim, dando-me sentido e abraçando-me nos momentos de
desorganização existencial. Tudo tem que ser regado a muita simplicidade e
pé-no-chão. Vou exercer a minha amizade...
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