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quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Um pastor que chora

Texto do amigo Luciano Sathler
“Jesus, vendo-a chorar, e bem assim os judeus que a acompanhavam, agitou-se no espírito e comoveu-se. E perguntou: Onde o sepultastes? Eles lhe responderam: Senhor, vem e vê! Jesus chorou.” João 11:33-35.
No momento em que escrevo esta, faz uma semana que perdemos um membro da Igreja, morto aos 54 anos, após um ataque cardíaco fulminante. Sua família é muito querida, a começar por seus pais, com décadas em dedicação à Obra de Deus, além da esposa e filha enlutadas, todos amados e atuantes na vida da comunidade.
Muitos irmãos e irmãs se fizeram presentes no velório e no enterro. A solidariedade manifesta ajuda na consolação, em momentos como esse. Nossos pastores e pastoras estavam vividamente impactados e não conseguiram prender a emoção.
No caso de pastores e pastoras, dirigir momentos de despedida diante da morte é sempre uma situação complicada. Não é fácil ter o equilíbrio emocional para se alegrar com os que se alegram, chorar com os que choram e fortificar os mais fracos. E devem estar preparados para essas variações em todo o tempo, a qualquer hora e em qualquer lugar.
Acho difícil que alguém possa encarar o pastorado exclusivamente como uma profissão, com a sua deontologia própria, um conjunto de deveres estabelecidos a partir de um código específico de conduta. Seria uma ‘sombra’ a cumprir apenas o formalmente esperado, tendo um mínimo de envolvimento emocional com os membros da Igreja. Pouco ou nenhum fruto se perceberia com o passar dos anos.
Dou graças a Deus por ser liderado por pastores e pastoras que choram. Que riem. Que se emocionam junto, que têm discernimento para perceberem o momento exato em que um simples ‘tudo bem’ não é suficiente, se aproximam. Isso se chama simpatia, essencialmente o mesmo que designamos como compaixão. Não é razão, não são hábitos, mas emoção. A etimologia para simpatia e emoção é a mesma: ‘sentindo com’.
“Por mais egoísta que se suponha que seja o ser humano, evidentemente há, na sua natureza, alguns princípios que o interessam e que dizem respeito à sorte dos outros, tornando a felicidade deles necessária à sua, embora nada ganhe com isso, a não ser o prazer de assisti-la. Nessa categoria está a piedade ou compaixão, a emoção que sentimos diante do sofrimento de outros. Sem compaixão (simpatia), não haveria fundamento nem motivação para a ética.” * 
Tanto a empatia, sobre a qual escrevemos há algumas semanas, como a compaixão / simpatia são respostas afetivas e cognitivas, ou seja, envolvem conceitos e formas de construir o mundo. O choro de Jesus, em João 11;35, foi um discreto verter de lágrimas, sem desespero ou gritaria. Mesmo sabendo o que viria, a ressurreição de Lázaro, Cristo não se conteve diante da miséria humana, causada pelo pecado, todo sofrimento no qual a humanidade voluntariamente se coloca ao optar por seguir fora da Vontade de Deus. Foi mais uma prova que ELE sabia se colocar no lugar do outro. Algo fundamental para o desenvolvimento do amor. Um sentimento moral intrínseco ao pastoreio.


* SOLOMON, R. C. Fiéis às nossas emoções: o que elas realmente nos dizem. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2015.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

ÀS MULHERES E HOMENS DE BEM: JUSTIÇA PARA JAIDER BATISTA

Vocês estão transformando o direito em amargura e atirando a justiça ao chão... Em vez disso, corra a retidão como um rio, a justiça como um ribeiro perene! Bíblia, Livro de Amós, capítulo 5, versículos 7 e 24 
No último ano, a Polícia Federal deflagrou uma operação investigando esquemas de corrupção por parte de agentes públicos e grandes empresários em Governador Valadares (MG). Nesse período o nome do secretário municipal de Educação Jaider Batista da Silva já havia sido envolvido no processo. Desde então, Jaider prestou-se a esclarecer os fatos, apresentando às autoridades judiciárias e policiais os documentos que comprovavam sua inocência. 
No entanto, no último dia 10 de agosto de 2016, Jaider foi preso, mediante mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça Federal. Tal pedido já havia sido negado duas vezes, pelo fato de não ter sido identificado fundamentouma vez que se baseia unicamente em delação premiada, criminosa, de réu confesso que procura se beneficiar deste instituto jurídico (tão deturpado atualmente). Ademais, não há indício de veracidade dos fatos alegados. 
Desde o dia 10 de agosto, Jaider Batista da Silva teve contato apenas com advogados e tem sido linchado moralmente por veículos de mídia. O verdadeiro Jaider, pelo qual testemunhamos, sempre se mostrou um ser humano justo, correto e comprometido com a promoção da vida, da paz e da justiça. Como cristão, sempre esteve a serviço do Reino de Deus e das pessoas e grupos vulneráveis e desfavorecidos. Temos participado de processos educativos e de participação popular buscando aperfeiçoar os mecanismos de acesso e defesa de direitos. Muitos de nós fomos e somos participantes desta busca junto com Jaidernos estudos, nas igrejas, nas universidades, na luta indígena, na luta pelos direitos humanos, pelo direito das crianças e adolescentes. Somos amigos/as e parceiros/as das tantas atividades, mas somos mais que isso: somos fiadores do trabalho responsável, ético e transparente que Jaider Batista da Silva vem desenvolvendo no espaço das políticas públicas em especial na educação. 
Também nós, que repudiamos a prisão de Jaider, queremos justiça e ética! Não aceitamos que os recursos públicos e as políticas públicas sejam sucateadas e negociadas nas tramas de interesses de minorias e manutenção de elites no poder. Somos favoráveis à luta contra a corrupção no Brasil, mas exigimos integridade no uso de mecanismos de defesa e de dignidade das pessoas envolvidas e suas famílias. 
Contamos com o apoio das pessoas de boa vontade para que se juntem a nós nesta causa, a fim de que a justiça seja de fato alcançada e nosso irmão Jaider Batista da Silva seja liberto imediatamente.
Somos,
Holney Antônio Mendes, Educador corporativo, SESI (Serviço Social da Indústria) 
Cilas Ferraz de Oliveira, Pastor da Igreja Metodista
Rev. Ariel Irrazábal Montero, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil 
James William Goodwin Jr, Professor, Belo Horizonte
Cibele Lima Paradela Gurge, Professora, membro da Igreja Metodista, Rio de Janeiro
Francisco Cetrulo Neto, Professor, Cacoal/RO.
Nancy Cardoso, Comissão Pastoral da Terra/CPT Brasil
Clara Machado da Silva Alarcão, Pedagoga, Brasília
João Paulo de Andrade Alarcão, Aviador Civil, Brasília
Isa Canfield, professora, Brasil
Zeni de Lima Soares, Pastora da Igreja Metodista, Araçoiaba da Serra/SP
Magali do Nascimento Cunha, Professora da Universidade Metodista de São Paulo, membro da Igreja Metodista, São Bernardo do Campo/SP.
Claudio de Oliveira Ribeiro, Professor da Universidade Metodista de São Paulo, pastor da Igreja Metodista, São Bernardo do Campo/SP.
Eliana Rolemberg, Luterana, Diretora Estadual da ABONG, Bahia
Laan Mendes de Barros, Jornalista e Professor universitário, Sorocaba/SP
Meyre Machado, professora da SEE, Distrito Federal
Dom Francisco de Assis da Silva, Bispo Primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil
Dom Mauricio Andrade, Bispo da Diocese Anglicana de Brasília 
Zélia Soares de Souza, Professora, membro da Igreja Metodista, Porto Alegre/RS
Fabio Martelozzo Mendes, Professor e Administrador, membro da Igreja Metodista em Itaberaba-SP, colaborador da Assessoria de Direitos Humanos da Igreja Metodista na Terceira Região Eclesiástica
Diná da Silva Branchini, Assistente Social, membro da Igreja Metodista, Suzano/SP
Delma Paradela Valverde, Professora aposentada, membro da Igreja Metodista, Juiz de Fora/MG.
Leda Valentim Jorge ZoghaibProfessora, SEE, Minas Gerais
Marinez Rosa dos Santos BassottoCériga da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Porto Alegre/RS
Sandra Correa Costa, Educadora Social, São Paulo/SP
María Gabriela Merayo Irrazábal, Teóloga, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil
José Peixe, Grande Repórter, Glória do Ribatejo/ Portugal.
Lair Gomes de Oliveira, Advogado e Professor, Piracicaba/SP
Rev. Octavio Alves dos Santos Filho, Pastor da Igreja Metodista, São Paulo/SP
Wesley Fajardo Pereira, Professor, Pastor da Igreja Metodista, São Paulo/SP
Meriglei Borges Silva Simim, Igreja Anglicana de Nova Lima.
Maria Aparecida Severino Newnum, Professora, Terra Rica/Paraná
Robert Stephen Newnum, Pastor da Igreja Metodista, Terra Rica/PR
Messias Valverde, Pastor da Igreja Metodista Aposentado, Juiz de Fora/MG.
Pastor Jair Alves, Igreja Metodista, São Paulo/SP
Leonor Natividade de Medeiros Campos, Psicóloga
Revda Ione da Silva, Pastora da Igreja Metodista, Agente da Pastoral Universitaria e Escolar  daUNIMEP e Presidente do Conselho Municipal de Proteção e Defesa dos Direitos da Mulher, Santa Barbara do Oeste/SP
Anivaldo Padilha, Aposentado, membro da Igreja Metodista, Presidente do Fórum 21, São Paulo/SP
Clemildo Anacleto da Silva, Professor, Porto Alegre/RS
Manuela Regina Pedrosa da Silva, Porto Alegre/RS
Rev. Fred Morris, Pastor, United Methodist Church Mission, North Hills, California/EUA
Welinton Pereira da Silva, Pastor da Igreja Metodista, Brasília 
Rosângela Soares de Oliveira, Pastora da Igreja Metodista, coordenadora do Dia Mundial de Oração,   Nova Iorque/EUA.
Marilia Louzada de Oliveira Beltre, Psicóloga, Edinburgh/UK
Teresa Higashi, Aposentada, Associação Amazônica de Ciências Humanas e da Religião, Belém/PA
Saulo De Tarso Cerqueira Baptista, Professor, Universidade do Estado do Pará, Belém/PA
Prof. Edward Neves Monteiro de Barros Guimarães, Departamento de Ciências da Religião da PUC Minas, membro da Sociedade de Teologia e Ciências da Religião, Belo Horizonte/MG
Elian Blunck Silveira, membro da Igreja Batista Filadélfia, Assessora  Legislativa na Câmara Municipal de Cachoeiro de Itapemirim/ES.
Daniel Evangelista de Souza, Professor de Educação Artística, Teólogo, Secretaria de Estado do RJ, membro da Igreja Metodista, Rio de Janeiro/RJ
Washington Luiz Silva Santos, Analista de TI, Maestro, membro da Igreja Metodista, Brasil
Dayse Aparecida Gonçalves Santos,  Pastora da Igreja Metodista, São Paulo/SP
Guilherme Gonçalves Santos, Analista de TI, Brasil
Henrique Gonçalves Santos, Designer gráfico, Brasil
Ellen Christina Gonçalves Santos, Professora, Brasil
Brunno Henrique Gonçalves Santos Simão, Analista de TI, Brasil
Daniel Souza, Professor, Presidente do Conselho Nacional de Juventude – Conjuve, São Paulo/SP.
Pe. José Oscar Beozzo, Teólogo, Hstoriador, Vigário da Paróquia São Benedito na Diocese de Lins/SP, coordenador geral do CESEEP (Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular), São Paulo/SP 
Tereza Maria Pompeia Cavalcanti, Doutora em Teologia, Professora do Departamento de Teologia da PUC do Rio de Janeiro
Jose Clovis Azevedo, Professor, Ex-Secretário de Educação do RS, Porto Alegre/RS.
Maria de Fátima Baierle, Professora, Porto Alegre/RS
Moisés Abdon Coppe, Pastor da Igreja Metodista Livre, Juiz de Fora/MG
Débora Blunck Silveira, Pastora da Igreja Metodista em Governador Valadares/MG, Superintendente do Distrito Metodista do Vale do Rio Doce (Mucuri e Jequitinhonha), componente do CONEP-Governador Valadares (Conselho Evangélico de Pastores/as de GV-MG)
Yasmin Blunck Silveira Jacob de Abreu, membro da Igreja Metodista, Macaé/RJ
Keller Apolinario Rosa da Silva, Delegado Sindical do Sintect-MG, Conselheiro Pena/MG
Rute Noemi Souza, Advogada, Assistente social, Pastora da Igreja Metodista, Rio de Janeiro/RJ
Dilson Júlio da Silva, Coach integrativo Gfai, teólogo, Brasil
Edin Sued Abumanssur, Professor Doutor da PUCSP, São Paulo/SP
Alexandre Brasil Fonseca, Professor da UFRJ, Rio de Janeiro/RJ
Leonardo Boff, Teólogo, Filósofo, Escritor, Prêmio Nobel Alternativo da Paz 2001 pelo Parlamento Sueco, Petrópolis/RJ
Celinéia Paradela Ferreira, Professora, Rio de Janeiro/RJ
Dr. Ely Eser Barreto Cesar, ProfessorEx-Vice Reitor Acadêmico da Universidade Metodista de Piracicaba, Piracicaba/SP
Paulo Silas Jorge de Lara, Advogado, Professor Universitário, Ex-Gerente de RH, Ex-GerenteJurídico do IMS/UMESP, membro da Igreja Metodista, Presidente da Associação Metodista de Ação Social de Água Fria (AMAS-ÁGUA FRIA), São Pauçlo/SP
Marle José Ferrari Júnior, Engenheiro, Professor da Faculdade Pitágoras de Governador Valadares, Governador Valadares /MG
Rev. Jorge Luiz F. Domingues, Pastor da Igreja Metodista,  Junta Geral de Ministérios Globais, Nova York/EUA
Maria Helena Arrochelas, Centro Alceu Amoroso Lima para a Liberdade, Petrópolis/RJ
Dr. Sérgio Marcus Pinto Lopes, Professor aposentado, Ex-Vice Reitor Acadêmico da Universidade Metodista de Piracicaba, Piracicaba/SP
Profa.  Me. Lêda Pinto Bandeira Lima, Pedagoga, Fortaleza/CE
Prof.  Me. Francisco José Sousa Lima,Cientista Social, Fortaleza/CE
Raissa Pinto Bandeira Lima, Turismóloga e MBA em Gestão de Pessoas,Fortaleza/CE
Rafael Bandeira Lima, Estudante, Fortaleza/CE
Édson César da Silva, Pastor da Igreja Metodista, São Paulo/SP
Eunice Maria Nazarethe Nonato, Professora Universitária, Brasil
Marisa de Freitas Ferreira, Pastora da Igreja Metodista, Recife/PE
Luis Alberto de Mendonça Sabanay, Pastor da Igreja Presbiteriana, Florianópolis/SC
Fernanda Marinho, Pedagoga, Diretora Escolar, Governador Valadares/MG
Célia Lima Paradela, Professora, membro da Igreja Presbiteriana, Rio de Janeiro/RJ
Wesley Silva dos Santos, Auditor aposentado, Microempresário, membro da Igreja Metodista, Brasil.
Eliad Dias dos  SantosPastora Igreja Metodista, Santo Andre/SP
Andrew King, Professor, Austrália
Ana Claudia Figueroa, Teóloga, membro da Igreja Anglicana, Porto Alegre/RS
Levy Bastos, Presbítero da Igreja Metodista, Diretor do Seminário Metodista César Dacorso Filho, Rio de Janeiro/RJ 
Allan da Silva Coelho, Professor de Filosofia, Insurgência/IV Internacional, Piracicaba/SP.
Rafael Soares de Oliveira, Diretor Executivo, por KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço, Rio de Janeiro/RJ
José Carlos de Souza, Pastor da Igreja Metodista, Professor da Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo/SP
Lúcio Mendonça da Fonseca, Pastor da Igreja Metodista, Coordenador Regional da Pastoral dos Direitos Humanos da 4ª. R.E. da Igreja Metodista.
Sérgio Barbosa, Jornalista, Professor Universitário, Adamantina/SP
Reinaldo Leão Neto, Pastor da Igreja Metodista, Londres/UK
Plínio Viana de Freitas Junior, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Governador Valadares/MG
Débora Ramires, Igreja Metodista, Sorocaba/SP
Jorge Atílio Silva IulianelliKoinonia, Rio de Janeiro/RJ
Marco Antonio da Silva Souza, Projeto Meninos e Meninas de Rua, São Bernardo do Campo/SP.
Néia Bueno, Projeto Meninos e Meninas de Rua, São Bernardo do Campo/SP.
Paulo Ayres Mattos, Bispo da Igreja Metodista, São Bernardo do Campo/SP.
Licinia Maria Correa,  Pedagoga, Professora da Faculdade de Educação da UFMG, Belo Horizonte/MG
Juri Castelfranchi, Sociólogo, Professor da FAFICH/UFMG, Belo Horizonte/MG
Antonio Carlos Teles da Silva, Pastor da Igreja Evangélica de Confissão Luterana, Paróquia de Belém do Pará, Professor dos Cursos de Filosofia e Ciências da Religião da Universidade do Estado do Pará, UEPA, Belém/PA
Manuel Alfonso Díaz Muñoz, Professor, Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix, Belo Horizonte/MG
Graciete Maria de Oliveira, Professora, Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix, Belo Horizonte/MG
Daniel Pinto Bandeira, Teólogo, Igreja Metodista,João Pessoa/PB 
Claudia S. Amorim, Advogada, Cacoal/RO
Jarbas G. Rodrigues, Microempresário, Cacoal/RO 
Cristiano Nascimento da Silva, Brasil
Márcia da Silva Quintino, membro da Igreja Metodista, Coordenadora de Programas Sociais, São Paulo/SP
Lorena Silva Vitório, Advogada, Governador Valadares/MG
Marcelo Jorge SonnebornEconomista,  Porto Alegre/RS
Ronaldo Sathler-Rosa, PhD, Professor de Teologia Pastoral, São Paulo/SP
Claudia Cezar da Silva, Professora da Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo/SP
Neusa Cezar da Silva, Educadora Aposentada, membro da Igreja Metodista, Santo André/SP
Dulcy Oliveira, Pedagoga Aposentada, Diocese Anglicana do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro/RJ
Maria de Lourdes Novais Figueroa, Psicóloga, Piracicaba/SP
Dom Filadelfo Oliveira Neto, Bispo Diocesano, Diocese Anglicana do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro/RJ
FEACT BRASIL, Fórum Ecumênico ACT Aliança Brasil. 

A lista de assinaturas continua a crescer no Change.org “Justiça para Jaider Batista” - link http://chn.ge/2aVu6hx


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Memórias e Saudades

Vinicius de Moraes disse que saudade é a vontade de estar perto, se longe e mais perto, se perto.
Recentemente, em um almoço familiar, tivemos uma experiência de saudade muito significativa. Enquanto saboreávamos uma apetitosa feijoada e partilhávamos as bebidas geladas, um copo destacou-se em outros. Sua cor era azul, mas não era um copo azul qualquer. Era o copo que meu avô usava todos os dias em suas refeições. Como eu disse, aquele copo não era só um copo, mas um poço de contos e histórias. Um poço de rememorações e saudades.
Minha tia Penha, bem humorada, e que estava completando mais um aniversário naquele dia, perguntou: “Esse é o copo de pai?” Ao que outra minha tia, Marluce, respondeu: “Sim! É dele!” Curiosamente, notei que elas não usaram o verbo no passado. Naquele instante, emoções eclodiram em todos os presentes, nas formas inusitadas dos choros e risos, das memórias e das lembranças, as mais diversas.
Já não era só um copo, mas um objeto de saudade. Naquele exato momento, histórias, as mais diversas vieram à tona, fazendo com que a ausência de meu avô José Silvério Abdon se fizesse presente. Aquele copo havia sido tocado por suas mãos. Aquele copo havia sido o portador de diversas bebidas que meu avô ingeriu por necessidade ou prazer. Aquele copo transportou toda a minha família reunida naquela ceia-eucarística para os melhores tempos de nossas vidas, especialmente, os tempos onde houvera a manifestação dos mais singelos sentimentos de amor. Aquele copo havia sido lavado centenas de vezes pela minha avó Maria Nina Fernandes. Suas mãos carinhosas o lavaram e o enxugaram centenas de milhares de vezes.
No bom eterno momento de celebração das memórias, a alegria da vida nos visitou. Minha outra tia Marluce disse haver guardado aquele copo com muito carinho. Naquele momento, ela fez um gesto carinhoso e deu de presente aquele objeto de saudade para a tia Penha. Não é isso os que os poetas chamam de instante de eternidade?
Eu, de minha parte, quis registrar isso com o intuito de enfatizar que a saudade, além de ser um sentimento que consome a gente, igualmente nos refaz, nos recria, pois sempre se manifestando no coração das pessoas de bem.
Sim, Vinícius de Moraes estava certo: saudade sempre é um convite para as pessoas – de perto e de longe – se aninharem com a gente.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Novas (não tão novas) considerações sobre a santidade...


Acredito, inicialmente, que toda a reflexão que elaboramos, estudamos e pregamos é fruto da nossa santidade vocacional, ou seja, da forma pela qual desenvolvemos a dinâmica de nossa prática pastoral (prefiro chamar de santidade vocacional). Sendo assim, quando refletimos sobre a Bíblia, nossa percepção dos textos se dá em diálogo com a nossa vivência em comunidade. De fato, abandonei a ideia de um Deus distante da minha realidade há bastante tempo. Minha relação com Ele hoje é de extrema amistosidade. Inclusive, para mim, o projeto de santidade de Deus é um projeto de amizade com o ser humano. Se santidade está diretamente ligada à dimensão da intimidade, então só é possível desenvolver essa última instância na perspectiva da amizade, pois quem é amigo não julga, não se ressente, não cobra, mas exorta/ consola no campo do amor mais genuíno possível.
A grande salvação do ser humano reside nessa disposição para se relacionar com Deus, como amigo. Abraão, inclusive, foi chamado amigo de Deus.
Na vida em comunidade, essa dimensão dinâmica precisa ser buscada. O ideal é que todas as pessoas que se destinam à igreja o façam por estrita espontaneidade. Pessoa alguma deve ir porque tem que obedecer a Deus, mas porque o ama livremente. Ora, o nosso amor a Deus é uma resposta livre e responsável, não é uma resposta cauterizada pela obediência cega, surda e muda. A obediência a Deus e à Sua Palavra é fruto de um relacionamento seguro com Ele. Pensemos, por exemplo, na família. Se você não conseguir desenvolver elos de liberdade e aproximação amistosa com os seus queridos entes, você acaba por perder essas pessoas.
Pense comigo também sobre o significado de viver de modo digno do evangelho: Jesus foi um incompreendido. As pessoas da sua sociedade o recriminaram, o rotularam - inclusive chamando-o de maioral de Belzebu. Jesus rompeu com o comércio do templo e essa foi a principal causa que o levou à morte. Sua pregação tinha por esteio as parábolas e o alto teor subversivo das mesmas. Entretanto, Ele se entregou à amizade aos seus discípulos. Claro, não pôde aprofundá-la com todos, mas entre os doze, quatro eram muito próximos a Ele. Mesmo assim, chamou a todos de amigos, transpondo a relação de mestre e servos. Aliás, o evento conhecido como “lava-pés” é o ápice de alguém que serve por amar e ama servir. Em minha concepção pessoal, só se serve por amor e só se ama servir, quando uma relação de confiabilidade se qualifica. Só a dimensão da amizade pode propor isso.
Tenho consciência de que as argumentações aqui apresentadas são um pouco diferente do habitual, e espero sinceramente que todos as considerem não como uma verdade, todavia como uma partilha pastoral. Essa perspectiva tem me dado algumas boas respostas para minha santidade vocacional. Por exemplo, hoje eu não mais sirvo a Jesus por uma resposta ao seu chamado, mas sim como um companheiro menor que quer aprender amistosamente com Ele tudo de melhor pra ser mais companheiro dos meus irmãos e irmãs e, quem sabe, estabelecer boas amizades com alguns.
De fato, nesse desafio, temos dificuldades no desenvolvimento de amizades com os irmãos e irmãs na comunidade, mesmo porque as pessoas não podem compreender todas as complexidades que ocorrem no campo da vida pastoral. Existem questões que somente os pastores conhecem e sofrem.
Entretanto, com Deus, a proposta é outra. Com Deus, a gente pode ser a gente mesmo e a melhor forma de nos relacionarmos com Ele se dá por intermédio de uma vivência aberta, sem máscaras, divinamente marcada pela amizade. Esta é somente a partilha de um sentimento pessoal que sei, já goza do seu respeito.
Por fim, gostaria de dizer que nossas vidas e testemunhos são sempre inspiração para o próximo. Mesmo em meio às lutas e problemas, que todos temos, experimentamos a força que vem por intermédio da graça amistosa de Deus.
É preciso crer em Deus como um grande amigo que não desamparará jamais. Mesmo quando a dor continuar a indicar sua luz vermelha no terreno da alma, Ele, nosso Amigo, se coloca ao nosso lado para chorar conosco nosso choro.
Nas linhas da nossa histórica hinologia: "Achei um bom amigo, Jesus o Salvador, o escolhido dos milhares para mim".

domingo, 3 de janeiro de 2016

Deus: Um semeador displicente, pródigo e presente.

foto: Moisés Coppe
Introdução
Na atual conjuntura da Igreja Evangélica Brasileira, com seus percalços e assimilações indevidas na dinâmica do sincretismo religioso presente no país, cristãos pontuais precisam revisitar a Bíblia com o intuito de interpretá-la à luz do Evangelho anunciado por Cristo em sua fulcral ênfase no amor a Deus e ao próximo.
A legitimidade da pregação missional do Evangelho passa, necessariamente, pela busca da encarnação de Deus no contexto vital e cotidiano em que todos estamos inseridos. Qualquer leitura superficial das narrativas bíblicas pode conduzir o intérprete ao erro, visto haverem muitas informações truncadas sendo ministradas pelos “messias” desonestos da atualidade. Aliás, nunca se viu tantas blasfêmias, denominadas erroneamente como ministrações, feitas em nome de Jesus. Nesse cenário, pessoas ficam confusas em relação a que mensagem seguir, inclusive optando escolher o status dos “sem igrejas”. Assim, diante desse quadro esquizofrênico, cristãos precisam novamente reinterpretar a presença de Deus no mundo, encontrando respostas mais condizentes que estabeleçam o significado e presença da graça entre os seres humanos.

A parábola numa outra perspectiva
É nesse contexto de reinterpretação da Palavra que quero propor a nossa visita à conhecida parábola do semeador. De alguma forma, esta parábola narrada nos Evangelhos sinóticos – Mateus, Marcos e Lucas – tem uma importância capital. Em Marcos 4.13, por exemplo, Jesus evidencia que esta parábola precisa ser entendida, para que as outras sejam compreendidas. A preocupação é tão substancial que Jesus se ocupa em explicar a parábola para seus discípulos. Todavia, por que a interpretação dessa parábola é tão importante?
Em minha concepção, ela é importante por trazer à pauta da reflexão uma percepção de Deus não tão usual, ou seja, a de um Deus semeador displicente e pródigo. E por que Deus é assim? Ora, como um semeador, o Senhor não se preocupa em realizar todos os preparativos óbvios e naturais que qualquer semeadura exigiria. No site www.saberesdojardim.com, existe uma série de procedimentos pontuais e técnicos como: escolha das sementes, tipo de planta que se deseja cultivar, preparo da terra e preocupação com a luz, que acompanham todo o processo de semeadura. Cuidados específicos precisam ser observados. As camomilas, por exemplo, precisam de muita luz, exceto a luz do sol diretamente, para germinarem. Já, o amor-perfeito, precisa de um ambiente sombrio e úmido, sem luz, necessariamente, para se desenvolver.
Entretanto, o semeador da nossa parábola não está nem aí para procedimentos e técnicas. Ele é um peregrino no caminho que enfia a mão em seu embornal e lança as suas sementes ao sabor do vento, como já dissemos, de forma displicente e pródiga. Deus esbanja suas sementes pelo caminho onde passa. Em outras palavras, Deus manifesta a sua maravilhosa Graça em todos os cantos desse mundo. Na perspectiva wesleyana, a Graça de Deus está sempre acontecendo no mundo, sensibilizando as pessoas para uma vida humilde e amorosa, enfim, cheia de significados. O semeador da parábola não tem preocupação nenhuma sobre onde as sementes estão caindo. Sua ação é, tão somente, a de espalhar sementes num gesto de pura graça. Ao fecharmos os olhos, naturalmente, podemos visualizar o semeador – como pássaro polinizador e abelha no campo – sorrindo, lançando suas sementes ao vento.
Na sequencia, as sementes caem nos solos. O semeador continua em sua missão e não olha para trás. O Reino de Deus é um acontecimento, fruto da ação graciosa do semeador. Umas sementes caem à beira do caminho e são comidas pelas aves. Outras caem em solo rochoso e não ganham profundidade. Outras mais caem em meio aos espinhos e são sufocadas. Enfim, há as que caem em solo fértil e germinando, a seu tempo, crescem e dão frutos em várias escalas. De boa, a energia a ser gasta na interpretação do texto não se encontra na condição dos três primeiros solos que não garantiram o germinar da semente, mas nas sementes que caíram em boa terra, pois são estas que deram frutos. O pródigo semeador contempla, tão somente, os frutos que a terra deu e que favoreceram a alimentação das pessoas.

Lições para o nosso cotidiano
Para o nosso tempo atual, a parábola do semeador nos indica algumas boas direções que precisam ser evidenciadas na nossa prática atual.
A primeira refere-se à ampliação de nossa crença, ao pensarmos Deus como o semeador displicente e pródigo. Ora, Sua ação graciosa é a de lançar sementes ao vento com o intuito delas germinarem, de alguma forma, em qualquer lugar, mesmos os mais inusitados, dando futuros frutos. Dessa forma, Deus esbanja de Sua graça ao mundo todo. O seu amor é imensurável para com todas as pessoas e sua busca pelos seus filhos e suas filhas é incansável. A ação de todos os(as) cristãos(ãs) na atualidade precisa ser a mesma, ou seja, a de esbanjar displicentemente e prodigamente, a manifestação da graça de Deus às pessoas que estiverem em respectivos círculos sociais: escolas, ambientes de trabalho, comércio, Igrejas etc.
O segundo ponto refere-se à não nos preocuparmos com as sementes que caem em solos onde não exista a possibilidade de acolhimento da semente. Muitas vezes, cristãos gastam mais tempo com os aspectos que não valem a pena ao invés de gastarem energia com o que vale. Na parábola do joio e do trigo, quando os trabalhadores disseram ao senhor para retirarem o joio antes do prazo para a colheita, o senhor responde: “não vamos nos preocupar com isso agora”, ou seja, “não vamos gastar tempo com essa ação. Uma outra hora, faremos todo o serviço”. Assim, é preciso gastar energia com o que vale a pena no momento em que se vive a vida.
O terceiro ponto tem a ver com a ação. Prega-se com a semeadura e não com a Palavra. Aliás, o testemunho que damos ao mundo nasce de nossa ação, nosso serviço e nossa devoção às pessoas. O padre Antônio Vieira, ao pregar sobre este mesmo sermão afirmou: “Antigamente convertia-se o Mundo, hoje porque se não converte ninguém? Porque hoje pregam-se palavras e pensamentos, antigamente pregavam-se palavras e obras. Palavras sem obra são tiros sem bala; atroam, mas não ferem. A funda de Davi derrubou o gigante, mas não o derrubou com o estalo, senão com a pedra. As vozes da harpa de Davi lançavam fora os demônios do corpo de Saul, mas não eram vozes pronunciadas com a boca, eram vozes formadas com a mão. Por isso Cristo comparou o pregador ao semeador. O pregar que é falar, faz-se com a boca; o pregar que é semear, faz-se com a mão. Para falar ao vento, bastam palavras; para falar ao coração, são necessárias obras. Diz o Evangelho que a palavra de Deus frutificou cento por um. Que quer isto dizer? Quer dizer que de uma palavra nasceram em palavras? Não. Quer dizer que de poucas palavras nasceram muitas obras. Pois palavras que frutificam obras, vede se podem ser só palavras! Quis Deus converter o mundo, e que fez? Mandou ao Mundo seu Filho feito homem. Notai. O Filho de Deus, enquanto Deus, é palavra de Deus, não é obra de Deus, O Filho de Deus, enquanto Deus e Homem, é palavra de Deus e obra de Deus juntamente. De maneira que até de sua palavra desacompanhada de obras não fiou Deus a conversão dos homens. Na união da palavra de Deus com a maior obra de Deus consistiu a eficácia da salvação do Mundo. Verbo Divino é palavra divina; mas importa pouco que as nossas palavras sejam divinas, se forem desacompanhadas de obras. A razão disto é porque as palavras ouvem-se, as obras vêem-se; as palavras entram pelos ouvidos, as obras entram pelos olhos, e a nossa alma rende-se muito mais pelos olhos que pelos ouvidos. No Céu ninguém há que não ame a Deus, nem possa deixar de o amar. Na terra há tão poucos que o amem, todos o ofendem. Deus não é o mesmo, e tão digno de ser amado no Céu e na Terra? Pois como no Céu obriga e necessita a todos a o amarem, e na terra não? A razão é porque Deus no Céu é Deus visto; Deus na terra é Deus ouvido. No Céu entra o conhecimento de Deus à alma pelos olhos; na terra entra-lhe o conhecimento de Deus pelos ouvidos; e o que entra pelos ouvidos crê-se, o que entra pelos olhos necessita. Viram os ouvintes em nós o que nos ouvem a nós, e o abalo e os efeitos do sermão seriam muito outros”. (http://bocc.ubi.pt/pag/vieira-antonio-sermao-sexagesima.html). E não é bem isso? Sim! Palavras e ações.

Conclusão
Enfim, fica-nos o desafio de nos alinharmos a Deus e sua missão entre os seres humanos, participando do seu propósito que é o de salvar o mundo.
Quando no evento do comissionamento de Jesus aos seus discípulos, tal como narrado pelo próprio Mateus no capítulo 28. 18-20, o mestre galileu apontou que os que ouviram a sua mensagem deveriam fazer discípulos em todas as nações, indo pelo caminho (Atos 9.2), batizando e ensinando todas as ordenanças de Jesus, a saber, todas que se resumem em duas máximas: amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Nessa ampla semeadura, não vamos sozinhos. Ele vai com a gente, até a consumação dos séculos.