Acho que na simplicidade das manifestações do cotidiano, reside o sentido mais crucial da existência humana. Num contexto social marcado pela lógica do intenso, do vultoso e das manifestações que se estabelecem pela insistência da quantidade ao invés da qualidade, uma inferência às questões da similitude das coisas que se organizam na esfera do singelo conjugada à esfera da beleza corriqueira nos dá uma nova impressão do mundo e de suas demandas.
Confesso meu cansaço em perceber essa louca necessidade pelo grande e volumoso. Pelo que é visto ou o que aparece. Confesso, outrossim, andar um pouco abastado de tantas informações e resolvi caminhar pelo terreno da ignorância. Optei por ignorar muitas coisas por dois motivos evidentes: o primeiro refere-se ao fato de que jamais poderei absorver todas as informações que me chegam todos os dias numa espécie de avalanche de inutilidade; o segundo refere-se ao fato de que, neste exato momento de minha experiência vivencial, começo a ficar extremamente seletivo quanto ao que realmente se torna importante para minha cognição e prazer.
E assim, começo a buscar o que me proporciona conhecimento e prazer. Não se trata, também, de uma busca desenfreada, de característica hedonista, senão de uma execução sumária de elementos que nada tem a ver com os meus mais singulares sistemas de percepção. Por isso, por causa da minha lenta e contida busca e pela deleção de niilismos, minha cognição se torna prazerosa e sensitiva.
Ademais, ando cansado, enfim, das mediocridades presentes nos relacionamentos. Tenho a convicção de que ser o que se é ou se apresentar diante de um corpo social com todas as fragilidades inerentes, caracteriza-se como um grande problema, pois para a maioria das pessoas, com as suas respectivas necessidades de olharem para o alto em busca de ícones, um determinado ser humano que exerce uma função específica no estamento do corpo social, destacando somente sua humanidade, não consegue se estabelecer ou corresponder às ansiedades.
E aqui entramos em toda aquela discussão entre pessoa e personagem. Ora, pessoa é o ser humano em seus aspectos biopsicossociais. Já a personagem se refere aos papéis que, de uma forma ou de outra, representamos na dinâmica da vida. Somos muito mais personagens nesse corpo social e nas esferas da vida do que pessoas. Talvez, por causa dessa nossa necessidade de vivermos diversos papéis na vida social, se estabeleça essa leviandade marcada pelos absurdos das formas midiáticas que fabricam pontes entre o nada e o vazio, seja cada dia mais evidente.
Por isso, diante desse caldeirão de improbidades, almejo o cheiro de qualquer flor em qualquer jardim de qualquer praça de qualquer bairro de qualquer cidade de qualquer país desse mundo. Nesse lugar onde os sentidos se afloram e onde encontro o sentido da simplicidade e do prazer da vida, almejo, tão somente, contemplar a beleza possível sem dizer a quem quer que seja os símbolos que se formam em meus mais profundos devaneios.
Quem sabe assim, continue a expressar com convicção aquilo que o poeta de outros tempos disse: “mas isso não impede que eu desista. [A vida] é bonita, é bonita, é bonita...”
Moisés Coppe
O que é o amor? Me fizeram essa pergunta! E eu não tinha nenhuma resposta pronta. Ao contrário, fiquei confuso com a questão e me pus a refletir sobre o significado dessa expressão que abarca diversos sentimentos e reações físicas no corpo. Li e reli diversos poemas. Me percebi envolto pelas tramas e romances diversos que me trouxeram emoções. Ouvi e cantei músicas. A somatória de todas essas expressões era ainda, para mim, uma gota d’água no meio do oceano...
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