sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

VIDA ÁVIDA, ÁVIDA VIDA

Amar é viver de forma viva e ávida!
Amo viver porque viver é amar...
Intensamente, com angústia ardente
Tal qual a nau perdida no mar.

Enquanto amo, vivo e sonho,
Pois melhor que viver, é viver e sonhar.
E mesmo quando a vida não acede
Teimoso, insisto até naufragar.

Náufrago, solitário sob o sol e o vento
Deixo as ondas me banharem a alma
Sibila o voo da gaivota azul
Que me encanta gerando-me a calma

A vida é ávida, gente!
E é sempre bom que assim seja...
Ela é graça que nem sempre tem graça,
Mas dá sentido ao que a busca, almeja.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

PEC 55


Há tempos não escrevo coisa alguma sobre política. Desencanto? Talvez! Embora goste muito da política clássica, reconhecendo nela os fundamentos essenciais para a vida social e econômica de uma sociedade, certo é que no nível da política estrutural orientada pelo Estado, chegamos a um patamar extremado de sandices e bizarrices.
Estudo política clássica desde 2004, de forma mais determinada. Gosto de Maquiavel e Weber, sem desconsiderar Marx e Gramsci. De fato, estes pensadores trouxeram ao terreno político, boas e importantes contribuições, revelando a política como ela é. Assim, pessoa alguma, tendo amplo acesso a uma rede grandiosa de informações sérias e pontuais, pode se afirmar enganada em relação aos processos políticos que acontecem no mundo, em geral, e no Brasil, em particular. Todos são eivados de ampla contradição. Aliás, o desenvolvimento da atividade política é uma síntese de contradições.
Todavia, acho que chegamos a um nível de contradição extremado. Com a derrubada do governo Dilma e com a assunção do governo Temer – e é bom que se diga: são dois governos completamente diferentes –, os sinais que se revelam no país são assustadores. Celebra-se com veemência a possibilidade de avanço econômico. Líderes políticos eleitos pelo povo vociferam a necessidade de se retomar o crescimento econômico e estrutural do Brasil, o que aparentemente é muito bom, passando por cima de tudo e de todos, sacrificando sistemas basilares como a educação, a saúde, a assistência social e a cultura. O que está em jogo, no fundo, é a famigerada busca pelo poder financeiro e a manutenção do status quo para pouquíssimos.
A votação do texto da PEC 55, antiga PEC 241, na noite de terça-feira, dia 29.11.16, que congela os gastos públicos por até 20 anos e pisa na Constituição de 1988, foi aprovada em dois turnos pela Câmara dos Deputados e em um único turno pelo Senado. Essa foi a prioridade do governo Temer, que procura revelar aos cidadãos brasileiros uma ação simbólica para conter os gastos públicos. O problema refere-se ao fato de que os gastos públicos estão diretamente ligados às políticas sociais que visam, enfim, cuidar definitivamente do bem estar dos mais empobrecidos na sociedade. De fato, a redução significativa dos investimentos com a educação e a saúde é o grande senão da PEC 55, por um fator emblemático: setores privados se estimularão amplamente, se aninhando aos espaços públicos para produzir o simulacro. Sim! Todo esse esforço do Legislativo visa, tão somente, promover ações e discursos que favorecerão um grupo minoritário e economicamente dominante. Por exemplo, ouvimos falar, pela boca pequena, da transformação do SUS em um plano de saúde popular. Assim, mais uma vez, se pisará na Constituição Federal, que afirma o papel do Estado na defesa dos direitos basilares dos cidadãos.
Os favoráveis à PEC 55 dizem que as medidas são necessárias. Necessárias para quem? Logicamente, aos que possuem interesses mercadológicos e que fazem questão de manter as desigualdades evidenciadas em nome de um direito para todos. Se o direito é para todas as pessoas, em um nível de igualdade, os grupos empobrecidos, que são a maioria, ficam mais distantes das possibilidades de melhoria das suas próprias vidas. O princípio que deve reger toda a lógica sociopolítica é o de afirmar os direitos daqueles que menos possuem, melhorando, por exemplo, a distribuição de renda. Todavia, o que ocorre é o contrário. É uma luta inglória.
Ademais, e talvez este seja o ponto mais crítico, a PEC 55 é uma interferência audaciosa à Constituição. Em outras palavras, é um anúncio explícito de um Golpe de Estado.
Manifestam-se contra esse golpe na Constituição, diversos segmentos da sociedade civil, como por exemplo: a Campanha Nacional pelo Direito à Educação, o Movimento Todos pela Educação, o Instituto Alana, o Movimento Interfóruns de Educação Infantil do Brasil, a Rede Nacional Primeira Infância e a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação.
Buscando uma referência mais técnica e crítica, o Centro de Referências em Educação Integral preparou cinco argumentos contrários à PEC 55. São eles:
1.      A PEC 55 fere a soberania e o voto popular. Mesmo que um novo presidente seja eleito em 2018, somente poderá fazer alguma revisão na proposta em 2027. Assim, um chefe do Executivo, legal e legitimamente eleito, não terá a possibilidade de definir os limites e as ações mais expressivas do seu governo, principalmente se quiser melhorar saúde e educação;
2.      Nenhum país do mundo definiu, por lei, limite de gastos públicos: existem em outros países – Holanda, Dinamarca, Finlândia e Suécia, por exemplo – acordos políticos para controle de gastos públicos, mas nunca uma pauta de lei. Nenhum país impõe limites á Constituição como se está fazendo aqui no Brasil. Ademais as experiências dos referidos países definiram os gastos com percentuais acima da inflação, e não como correção;
3.      A PEC 55 vai aprofundar a desigualdade e a justiça social: como já abordamos anteriormente;
4.      Os gastos brasileiros com saúde, educação e assistência social não estão fora de controle: portanto, trata-se de uma falácia para justificar as ações do novo governo;
5.      Ao invés de se mexer na saúde e educação, torna-se urgente mexer na estrutura tributária: Os economistas são unânimes em afirmar que o atual problema da economia reside na forma de arrecadação e tributação e não nos gastos sociais. Assim, o Estado pode arrecadar mais por intermédio de impostos. O problema é que os donos de capital teriam que pagar mais impostos. Há um desiquilibrio tributário. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA, os mais pobres pagam 32% de impostos enquanto os mais ricos pagam apenas 21%.

As questões que envolvem a PEC 55 estão longe de uma resolução, mesmo porque grande gama da população está passiva frente a tudo o que está acontecendo no Congresso e Senado. As manifestações estão acontecendo, mas não contam com o apoio maciço dos que gostam de “bater panela”, sequer dos que não batem também. Um restrito grupo de trabalhadores, sindicalistas, professores e alunos tem se manifestado publicamente, sendo rechaçado pelo poder executivo, vitimados e violentados pela polícia. Mas o problema principal não está sendo tratado. Segundo Marcus de Aguiar Villas-Boas, doutor pela PUC-SP, em artigo na Carta Capital, os “defensores da PEC usam uma cortina de fumaça para fugir do real problema, ao criticar quem infla o valor dos juros com os valores da dívida rolados. A questão é que o País está pagando dívida, juros altíssimos e contraindo nova dívida, o que não gera retorno. É um círculo vicioso que provoca enorme aumento das despesas estatais. O déficit brasileiro não estourou por conta das despesas primárias, que crescem regularmente desde 1997, apesar de que poderiam ser otimizadas: reduzir corrupção e má eficiência, por exemplo, para gastar melhor”.
Dessa forma, torna-se vital mudar o eixo da prosa para entender que a PEC 55 aponta um problema irreal, para favorecer o enriquecimento dos que já estão com o bolso cheio de dinheiro.

O fim dessa história, mesmo para os cegos que não conseguem ver coisa alguma, é um só: o aumento da desigualdade entre ricos e pobres. E para aqueles que acham que tais medidas vão solucionar a crise, mero engano. O acirramento será cada dia maior, pois o que se busca de fato é um Estado que se configure como Welfare State e dignifique os seus cidadãos pobres, mesmo porque o hiato historicamente gerado inerente a segregação social é fruto da acumulação de bens por parte de poucos. O mal estar social se estabelece entre nós brasileiros e os tempos vindouros não serão tão salutares. Se as vacas estavam vistosas no pasto, agora vão secar... e morrer...

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

SINTO-ME


Sinto-me equivocado
Vivendo num mundo equivocado
Dotado de pessoas que me ajudam a ampliar meus equívocos!

Sinto-me errado
Vivendo num mundo errado
Dotado de pessoas que me ajudam a ampliar meus erros!

Sinto-me deslocado
Vivendo num mundo deslocado
Dotado de pessoas que me ajudam a ampliar meus deslocamentos!

Sinto-me confuso
Vivendo num mundo confuso
Dotado de pessoas que me ajudam a ampliar minhas confusões!

Sinto-me perplexo
Vivendo num mundo perplexo
Dotado de pessoas que me ajudam a ampliar minhas perplexidades!

Sinto-me angustiado
Vivendo num mundo angustiado
Dotado de pessoas que me ajudam a ampliar minhas angústias!

Sinto-me atormentado
Vivendo num mundo atormentado
Dotado de pessoas que me ajudam a ampliar meus tormentos!

Sinto-me, enfim, sem sentido
Vivendo num mundo sem sentido

Dotado de pessoas que me ajudam a ampliar minha momentânea ausência de sentido...

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

PENSAMENTO EM MEIO AO PARCO SOL


O sol é parco.
As nuvens opacas,
Mas o sorriso amigo
Torna tudo colorido.

Somos seres que desejam
O apego sobrenatural
Que nos dá sustentação
Nos difíceis dias de aflição.

Mas não há de ser nada
O amor frágil e pequenino
Sobrevive ante a tempestade
Desfazendo a ansiedade...

Tudo é calmo
Sereno dia de sol parco
Uma criança brinca
Eu penso em você...

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Contentamentos...

Seu dia! seu tempo! Em tudo, sua hora.
Dia de celebrar!
Tempo de recriar!
Hora de se refazer!
Celebrar a vida, Recriar as relações, Refazer as utopias!
Vida que passa a cada dia!
Relações que se valorizam no tempo!
Utopias que lampejam a toda hora!
Nos dias que se passaram e que chegarão
No tempo que era ontem e já é amanhã
Na hora que se encanta com simplicidade e sorrisos.
Enfim, contentamentos!

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

O TEMPO NO OLHO

Moisés Coppe
Meu olho que não vê, vê além do que precisa ser visto
Vê o tempo passando lentamente, junto às nuvens espraiadas no urano.
O azul até acalma os sentidos, mas o cinza insiste em machucar a alma.
Os cães famintos e raivosos não se prendem ao âmago do ser. Eles avançam.
Um misto de insanidade e agonia se instaura em meu semblante. Meu olho vai ser devorado.
Ouso caminhar contra a ferocidade dos insanos que querem possuir o que não tenho.
Minha respiração não é pausada, no meu peito pulsa a máquina de carne.
Sinto o fluido rubro percorrer o corpo. Os músculos retesados não cedem ao relaxamento.
Deito-me num leito de ansiedades e me debato como um louco que não quer ser contido.
Deflagro meus intentos mais íntimos e os vejo expostos diante de mim. Tenho medo. Pavor e assombro me lançam ao canto das paredes mofadas. Minhas narinas ficam sufocadas e o cheiro dos fungos me provoca o nojo.
Quero o sol e o seu calor. Quero o brilho intenso do fogo e o seu abraço aquecido nas noites desérticas. Meu ser em si quer trégua.
Levanto simbolicamente a bandeira branca num ato solitário, desejando cessar a batalha. Quero o mesmo intento do meu inimigo que não existe. Todavia, ele insiste em continuar.
Saio da trincheira com o peito aberto. Desnudo, insisto alcançar tudo o que quero, sem saber muito bem pelo que de fato lutar.
Se espero algo do futuro? Acho que o futuro vai ter que esperar o que dele posso esperar.
O tempo continua passando e eu o vejo, a cada momento mais perplexo.

Cheio do incerto em minhas incontidas sérias bobagens, me detenho à beira do rio, só pra ver as bolhas do fundo profundo e o fluxo que não há de cessar.

Amor que Insiste


segunda-feira, 5 de setembro de 2016

"EU COMPREENDO, MAS NÃO CONCORDO!"


(Em memória do amigo Márcio Quaglio de Souza)

Hoje, no início da manhã, o canto dos pássaros no quintal de minha casa não ecoava a mesma beleza de todos os dias. Havia um lamento no ar. Minha mulher me alertou que um canto diferente destoava entre os já conhecidos. O telefone toca e eu prontamente pronuncio: - É o Márcio! Não era o Márcio, mas o Júnior me comunicando sobre o Márcio.
Recebi a notícia de seu encantamento, pois pessoas como o Márcio não morrem. Ficam encantadas, como bem diria o saudoso Rubem Alves.
Os amigos e amigas sabem bem do que estou falando. Márcio é uma dessas obras raras que Deus molda com a finalidade de fazer diferença na vida de outras múltiplas pessoas. Falo dele no presente, por uma razão óbvia: ele só será lembrado no presente, como presente.
Envolto sempre numa interminável obra em prol das pessoas, deixando de lado, por vezes, sua família, Márcio é um autêntico exemplo que cabe bem no aforismo de Groucho Marx, envolvendo a conversa entre duas crianças. Uma delas diz:
"- Vamos descobrir um tesouro naquela casa?” “- Mas não há casa alguma ali!” Retrucou a outra. “- Então, vamos construí-la!"
Assim, construindo o que não estava construído, Márcio se põe a sinalizar os valores inegáveis do Reino, chamado de Deus, especialmente na vida das pessoas. E não há limites. Seus braços fortes sempre se estendem a quem quer que seja. Seu empenho sempre é dedicação exclusiva a quem precisa de alguma ajuda nos campos  emocionais, espirituais e materiais. Sua generosidade excede o entendimento dos que abraçam, tão somente, os interesses capitalistas.
Hoje, falo como você sempre fala, meu amigo: “- Eu compreendo, mas não concordo”. Isso se dá sempre quando estudamos a Bíblia. E vamos continuar as nossas conversas, pois como você, eu também compreendo muitas coisas e não concordo com várias delas. Aliás, eu compreendo seu encantamento, mas não concordo com ele. Não agora, visto que todos(as) também seremos encantados.
Estamos na Primavera. Das estações do ano, a mais florida. Você é o ipê amarelo que encanta o caminho e insite em revelar o poder das flores amarelas. É bom que seja assim, independente do fim fatídico que elas têm, quando se transformam em tapetes. Diante do inevitável, você continua a florir. Diante do inevitável, sua beleza provoca a saudade.

Lembro-me de Drummond quando disse:
Por muito tempo achei que saudade é falta. E lastimava, ignorante, a falta. Hoje não a lastimo. Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim. E sinto-a branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços, que rio e danço e invento exclamações alegres, porque a ausência, essa ausência assimilada, ninguém a rouba de mim.

Meu amigo, você está encantado como presença-ausência. Ficam já, agora, para mim, as boas memórias, os risos, os debates pelo melhor. E quando quiser visitar minhas memórias, venha de braços abertos, pois os meus também estarão. O seu legado já acontece em mim, desde ontem mesmo, quando nos conhecemos.

E se muitos teólogos, afoitos que são, dizem que primeiro a morte, depois a ressurreição, já me antecipo em discordância e digo: morte é ressurreição. Você está vivo, e porque vivo, encantado, e porque encantado, sugiro que continue a nos encorajar nessa grande e inusitada aventura chamada vida. E por favor: tome cuidado ao andar de moto por aí!

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Um pastor que chora

Texto do amigo Luciano Sathler
“Jesus, vendo-a chorar, e bem assim os judeus que a acompanhavam, agitou-se no espírito e comoveu-se. E perguntou: Onde o sepultastes? Eles lhe responderam: Senhor, vem e vê! Jesus chorou.” João 11:33-35.
No momento em que escrevo esta, faz uma semana que perdemos um membro da Igreja, morto aos 54 anos, após um ataque cardíaco fulminante. Sua família é muito querida, a começar por seus pais, com décadas em dedicação à Obra de Deus, além da esposa e filha enlutadas, todos amados e atuantes na vida da comunidade.
Muitos irmãos e irmãs se fizeram presentes no velório e no enterro. A solidariedade manifesta ajuda na consolação, em momentos como esse. Nossos pastores e pastoras estavam vividamente impactados e não conseguiram prender a emoção.
No caso de pastores e pastoras, dirigir momentos de despedida diante da morte é sempre uma situação complicada. Não é fácil ter o equilíbrio emocional para se alegrar com os que se alegram, chorar com os que choram e fortificar os mais fracos. E devem estar preparados para essas variações em todo o tempo, a qualquer hora e em qualquer lugar.
Acho difícil que alguém possa encarar o pastorado exclusivamente como uma profissão, com a sua deontologia própria, um conjunto de deveres estabelecidos a partir de um código específico de conduta. Seria uma ‘sombra’ a cumprir apenas o formalmente esperado, tendo um mínimo de envolvimento emocional com os membros da Igreja. Pouco ou nenhum fruto se perceberia com o passar dos anos.
Dou graças a Deus por ser liderado por pastores e pastoras que choram. Que riem. Que se emocionam junto, que têm discernimento para perceberem o momento exato em que um simples ‘tudo bem’ não é suficiente, se aproximam. Isso se chama simpatia, essencialmente o mesmo que designamos como compaixão. Não é razão, não são hábitos, mas emoção. A etimologia para simpatia e emoção é a mesma: ‘sentindo com’.
“Por mais egoísta que se suponha que seja o ser humano, evidentemente há, na sua natureza, alguns princípios que o interessam e que dizem respeito à sorte dos outros, tornando a felicidade deles necessária à sua, embora nada ganhe com isso, a não ser o prazer de assisti-la. Nessa categoria está a piedade ou compaixão, a emoção que sentimos diante do sofrimento de outros. Sem compaixão (simpatia), não haveria fundamento nem motivação para a ética.” * 
Tanto a empatia, sobre a qual escrevemos há algumas semanas, como a compaixão / simpatia são respostas afetivas e cognitivas, ou seja, envolvem conceitos e formas de construir o mundo. O choro de Jesus, em João 11;35, foi um discreto verter de lágrimas, sem desespero ou gritaria. Mesmo sabendo o que viria, a ressurreição de Lázaro, Cristo não se conteve diante da miséria humana, causada pelo pecado, todo sofrimento no qual a humanidade voluntariamente se coloca ao optar por seguir fora da Vontade de Deus. Foi mais uma prova que ELE sabia se colocar no lugar do outro. Algo fundamental para o desenvolvimento do amor. Um sentimento moral intrínseco ao pastoreio.


* SOLOMON, R. C. Fiéis às nossas emoções: o que elas realmente nos dizem. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2015.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

ÀS MULHERES E HOMENS DE BEM: JUSTIÇA PARA JAIDER BATISTA

Vocês estão transformando o direito em amargura e atirando a justiça ao chão... Em vez disso, corra a retidão como um rio, a justiça como um ribeiro perene! Bíblia, Livro de Amós, capítulo 5, versículos 7 e 24 
No último ano, a Polícia Federal deflagrou uma operação investigando esquemas de corrupção por parte de agentes públicos e grandes empresários em Governador Valadares (MG). Nesse período o nome do secretário municipal de Educação Jaider Batista da Silva já havia sido envolvido no processo. Desde então, Jaider prestou-se a esclarecer os fatos, apresentando às autoridades judiciárias e policiais os documentos que comprovavam sua inocência. 
No entanto, no último dia 10 de agosto de 2016, Jaider foi preso, mediante mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça Federal. Tal pedido já havia sido negado duas vezes, pelo fato de não ter sido identificado fundamentouma vez que se baseia unicamente em delação premiada, criminosa, de réu confesso que procura se beneficiar deste instituto jurídico (tão deturpado atualmente). Ademais, não há indício de veracidade dos fatos alegados. 
Desde o dia 10 de agosto, Jaider Batista da Silva teve contato apenas com advogados e tem sido linchado moralmente por veículos de mídia. O verdadeiro Jaider, pelo qual testemunhamos, sempre se mostrou um ser humano justo, correto e comprometido com a promoção da vida, da paz e da justiça. Como cristão, sempre esteve a serviço do Reino de Deus e das pessoas e grupos vulneráveis e desfavorecidos. Temos participado de processos educativos e de participação popular buscando aperfeiçoar os mecanismos de acesso e defesa de direitos. Muitos de nós fomos e somos participantes desta busca junto com Jaidernos estudos, nas igrejas, nas universidades, na luta indígena, na luta pelos direitos humanos, pelo direito das crianças e adolescentes. Somos amigos/as e parceiros/as das tantas atividades, mas somos mais que isso: somos fiadores do trabalho responsável, ético e transparente que Jaider Batista da Silva vem desenvolvendo no espaço das políticas públicas em especial na educação. 
Também nós, que repudiamos a prisão de Jaider, queremos justiça e ética! Não aceitamos que os recursos públicos e as políticas públicas sejam sucateadas e negociadas nas tramas de interesses de minorias e manutenção de elites no poder. Somos favoráveis à luta contra a corrupção no Brasil, mas exigimos integridade no uso de mecanismos de defesa e de dignidade das pessoas envolvidas e suas famílias. 
Contamos com o apoio das pessoas de boa vontade para que se juntem a nós nesta causa, a fim de que a justiça seja de fato alcançada e nosso irmão Jaider Batista da Silva seja liberto imediatamente.
Somos,
Holney Antônio Mendes, Educador corporativo, SESI (Serviço Social da Indústria) 
Cilas Ferraz de Oliveira, Pastor da Igreja Metodista
Rev. Ariel Irrazábal Montero, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil 
James William Goodwin Jr, Professor, Belo Horizonte
Cibele Lima Paradela Gurge, Professora, membro da Igreja Metodista, Rio de Janeiro
Francisco Cetrulo Neto, Professor, Cacoal/RO.
Nancy Cardoso, Comissão Pastoral da Terra/CPT Brasil
Clara Machado da Silva Alarcão, Pedagoga, Brasília
João Paulo de Andrade Alarcão, Aviador Civil, Brasília
Isa Canfield, professora, Brasil
Zeni de Lima Soares, Pastora da Igreja Metodista, Araçoiaba da Serra/SP
Magali do Nascimento Cunha, Professora da Universidade Metodista de São Paulo, membro da Igreja Metodista, São Bernardo do Campo/SP.
Claudio de Oliveira Ribeiro, Professor da Universidade Metodista de São Paulo, pastor da Igreja Metodista, São Bernardo do Campo/SP.
Eliana Rolemberg, Luterana, Diretora Estadual da ABONG, Bahia
Laan Mendes de Barros, Jornalista e Professor universitário, Sorocaba/SP
Meyre Machado, professora da SEE, Distrito Federal
Dom Francisco de Assis da Silva, Bispo Primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil
Dom Mauricio Andrade, Bispo da Diocese Anglicana de Brasília 
Zélia Soares de Souza, Professora, membro da Igreja Metodista, Porto Alegre/RS
Fabio Martelozzo Mendes, Professor e Administrador, membro da Igreja Metodista em Itaberaba-SP, colaborador da Assessoria de Direitos Humanos da Igreja Metodista na Terceira Região Eclesiástica
Diná da Silva Branchini, Assistente Social, membro da Igreja Metodista, Suzano/SP
Delma Paradela Valverde, Professora aposentada, membro da Igreja Metodista, Juiz de Fora/MG.
Leda Valentim Jorge ZoghaibProfessora, SEE, Minas Gerais
Marinez Rosa dos Santos BassottoCériga da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Porto Alegre/RS
Sandra Correa Costa, Educadora Social, São Paulo/SP
María Gabriela Merayo Irrazábal, Teóloga, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil
José Peixe, Grande Repórter, Glória do Ribatejo/ Portugal.
Lair Gomes de Oliveira, Advogado e Professor, Piracicaba/SP
Rev. Octavio Alves dos Santos Filho, Pastor da Igreja Metodista, São Paulo/SP
Wesley Fajardo Pereira, Professor, Pastor da Igreja Metodista, São Paulo/SP
Meriglei Borges Silva Simim, Igreja Anglicana de Nova Lima.
Maria Aparecida Severino Newnum, Professora, Terra Rica/Paraná
Robert Stephen Newnum, Pastor da Igreja Metodista, Terra Rica/PR
Messias Valverde, Pastor da Igreja Metodista Aposentado, Juiz de Fora/MG.
Pastor Jair Alves, Igreja Metodista, São Paulo/SP
Leonor Natividade de Medeiros Campos, Psicóloga
Revda Ione da Silva, Pastora da Igreja Metodista, Agente da Pastoral Universitaria e Escolar  daUNIMEP e Presidente do Conselho Municipal de Proteção e Defesa dos Direitos da Mulher, Santa Barbara do Oeste/SP
Anivaldo Padilha, Aposentado, membro da Igreja Metodista, Presidente do Fórum 21, São Paulo/SP
Clemildo Anacleto da Silva, Professor, Porto Alegre/RS
Manuela Regina Pedrosa da Silva, Porto Alegre/RS
Rev. Fred Morris, Pastor, United Methodist Church Mission, North Hills, California/EUA
Welinton Pereira da Silva, Pastor da Igreja Metodista, Brasília 
Rosângela Soares de Oliveira, Pastora da Igreja Metodista, coordenadora do Dia Mundial de Oração,   Nova Iorque/EUA.
Marilia Louzada de Oliveira Beltre, Psicóloga, Edinburgh/UK
Teresa Higashi, Aposentada, Associação Amazônica de Ciências Humanas e da Religião, Belém/PA
Saulo De Tarso Cerqueira Baptista, Professor, Universidade do Estado do Pará, Belém/PA
Prof. Edward Neves Monteiro de Barros Guimarães, Departamento de Ciências da Religião da PUC Minas, membro da Sociedade de Teologia e Ciências da Religião, Belo Horizonte/MG
Elian Blunck Silveira, membro da Igreja Batista Filadélfia, Assessora  Legislativa na Câmara Municipal de Cachoeiro de Itapemirim/ES.
Daniel Evangelista de Souza, Professor de Educação Artística, Teólogo, Secretaria de Estado do RJ, membro da Igreja Metodista, Rio de Janeiro/RJ
Washington Luiz Silva Santos, Analista de TI, Maestro, membro da Igreja Metodista, Brasil
Dayse Aparecida Gonçalves Santos,  Pastora da Igreja Metodista, São Paulo/SP
Guilherme Gonçalves Santos, Analista de TI, Brasil
Henrique Gonçalves Santos, Designer gráfico, Brasil
Ellen Christina Gonçalves Santos, Professora, Brasil
Brunno Henrique Gonçalves Santos Simão, Analista de TI, Brasil
Daniel Souza, Professor, Presidente do Conselho Nacional de Juventude – Conjuve, São Paulo/SP.
Pe. José Oscar Beozzo, Teólogo, Hstoriador, Vigário da Paróquia São Benedito na Diocese de Lins/SP, coordenador geral do CESEEP (Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular), São Paulo/SP 
Tereza Maria Pompeia Cavalcanti, Doutora em Teologia, Professora do Departamento de Teologia da PUC do Rio de Janeiro
Jose Clovis Azevedo, Professor, Ex-Secretário de Educação do RS, Porto Alegre/RS.
Maria de Fátima Baierle, Professora, Porto Alegre/RS
Moisés Abdon Coppe, Pastor da Igreja Metodista Livre, Juiz de Fora/MG
Débora Blunck Silveira, Pastora da Igreja Metodista em Governador Valadares/MG, Superintendente do Distrito Metodista do Vale do Rio Doce (Mucuri e Jequitinhonha), componente do CONEP-Governador Valadares (Conselho Evangélico de Pastores/as de GV-MG)
Yasmin Blunck Silveira Jacob de Abreu, membro da Igreja Metodista, Macaé/RJ
Keller Apolinario Rosa da Silva, Delegado Sindical do Sintect-MG, Conselheiro Pena/MG
Rute Noemi Souza, Advogada, Assistente social, Pastora da Igreja Metodista, Rio de Janeiro/RJ
Dilson Júlio da Silva, Coach integrativo Gfai, teólogo, Brasil
Edin Sued Abumanssur, Professor Doutor da PUCSP, São Paulo/SP
Alexandre Brasil Fonseca, Professor da UFRJ, Rio de Janeiro/RJ
Leonardo Boff, Teólogo, Filósofo, Escritor, Prêmio Nobel Alternativo da Paz 2001 pelo Parlamento Sueco, Petrópolis/RJ
Celinéia Paradela Ferreira, Professora, Rio de Janeiro/RJ
Dr. Ely Eser Barreto Cesar, ProfessorEx-Vice Reitor Acadêmico da Universidade Metodista de Piracicaba, Piracicaba/SP
Paulo Silas Jorge de Lara, Advogado, Professor Universitário, Ex-Gerente de RH, Ex-GerenteJurídico do IMS/UMESP, membro da Igreja Metodista, Presidente da Associação Metodista de Ação Social de Água Fria (AMAS-ÁGUA FRIA), São Pauçlo/SP
Marle José Ferrari Júnior, Engenheiro, Professor da Faculdade Pitágoras de Governador Valadares, Governador Valadares /MG
Rev. Jorge Luiz F. Domingues, Pastor da Igreja Metodista,  Junta Geral de Ministérios Globais, Nova York/EUA
Maria Helena Arrochelas, Centro Alceu Amoroso Lima para a Liberdade, Petrópolis/RJ
Dr. Sérgio Marcus Pinto Lopes, Professor aposentado, Ex-Vice Reitor Acadêmico da Universidade Metodista de Piracicaba, Piracicaba/SP
Profa.  Me. Lêda Pinto Bandeira Lima, Pedagoga, Fortaleza/CE
Prof.  Me. Francisco José Sousa Lima,Cientista Social, Fortaleza/CE
Raissa Pinto Bandeira Lima, Turismóloga e MBA em Gestão de Pessoas,Fortaleza/CE
Rafael Bandeira Lima, Estudante, Fortaleza/CE
Édson César da Silva, Pastor da Igreja Metodista, São Paulo/SP
Eunice Maria Nazarethe Nonato, Professora Universitária, Brasil
Marisa de Freitas Ferreira, Pastora da Igreja Metodista, Recife/PE
Luis Alberto de Mendonça Sabanay, Pastor da Igreja Presbiteriana, Florianópolis/SC
Fernanda Marinho, Pedagoga, Diretora Escolar, Governador Valadares/MG
Célia Lima Paradela, Professora, membro da Igreja Presbiteriana, Rio de Janeiro/RJ
Wesley Silva dos Santos, Auditor aposentado, Microempresário, membro da Igreja Metodista, Brasil.
Eliad Dias dos  SantosPastora Igreja Metodista, Santo Andre/SP
Andrew King, Professor, Austrália
Ana Claudia Figueroa, Teóloga, membro da Igreja Anglicana, Porto Alegre/RS
Levy Bastos, Presbítero da Igreja Metodista, Diretor do Seminário Metodista César Dacorso Filho, Rio de Janeiro/RJ 
Allan da Silva Coelho, Professor de Filosofia, Insurgência/IV Internacional, Piracicaba/SP.
Rafael Soares de Oliveira, Diretor Executivo, por KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço, Rio de Janeiro/RJ
José Carlos de Souza, Pastor da Igreja Metodista, Professor da Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo/SP
Lúcio Mendonça da Fonseca, Pastor da Igreja Metodista, Coordenador Regional da Pastoral dos Direitos Humanos da 4ª. R.E. da Igreja Metodista.
Sérgio Barbosa, Jornalista, Professor Universitário, Adamantina/SP
Reinaldo Leão Neto, Pastor da Igreja Metodista, Londres/UK
Plínio Viana de Freitas Junior, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Governador Valadares/MG
Débora Ramires, Igreja Metodista, Sorocaba/SP
Jorge Atílio Silva IulianelliKoinonia, Rio de Janeiro/RJ
Marco Antonio da Silva Souza, Projeto Meninos e Meninas de Rua, São Bernardo do Campo/SP.
Néia Bueno, Projeto Meninos e Meninas de Rua, São Bernardo do Campo/SP.
Paulo Ayres Mattos, Bispo da Igreja Metodista, São Bernardo do Campo/SP.
Licinia Maria Correa,  Pedagoga, Professora da Faculdade de Educação da UFMG, Belo Horizonte/MG
Juri Castelfranchi, Sociólogo, Professor da FAFICH/UFMG, Belo Horizonte/MG
Antonio Carlos Teles da Silva, Pastor da Igreja Evangélica de Confissão Luterana, Paróquia de Belém do Pará, Professor dos Cursos de Filosofia e Ciências da Religião da Universidade do Estado do Pará, UEPA, Belém/PA
Manuel Alfonso Díaz Muñoz, Professor, Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix, Belo Horizonte/MG
Graciete Maria de Oliveira, Professora, Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix, Belo Horizonte/MG
Daniel Pinto Bandeira, Teólogo, Igreja Metodista,João Pessoa/PB 
Claudia S. Amorim, Advogada, Cacoal/RO
Jarbas G. Rodrigues, Microempresário, Cacoal/RO 
Cristiano Nascimento da Silva, Brasil
Márcia da Silva Quintino, membro da Igreja Metodista, Coordenadora de Programas Sociais, São Paulo/SP
Lorena Silva Vitório, Advogada, Governador Valadares/MG
Marcelo Jorge SonnebornEconomista,  Porto Alegre/RS
Ronaldo Sathler-Rosa, PhD, Professor de Teologia Pastoral, São Paulo/SP
Claudia Cezar da Silva, Professora da Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo/SP
Neusa Cezar da Silva, Educadora Aposentada, membro da Igreja Metodista, Santo André/SP
Dulcy Oliveira, Pedagoga Aposentada, Diocese Anglicana do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro/RJ
Maria de Lourdes Novais Figueroa, Psicóloga, Piracicaba/SP
Dom Filadelfo Oliveira Neto, Bispo Diocesano, Diocese Anglicana do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro/RJ
FEACT BRASIL, Fórum Ecumênico ACT Aliança Brasil. 

A lista de assinaturas continua a crescer no Change.org “Justiça para Jaider Batista” - link http://chn.ge/2aVu6hx


Atravessando a Ponte na Companhia da Crise (Nono texto)

         “No inferno, os lugares mais quentes são reservados àqueles que escolheram a neutralidade em tempo de crise”. Dante Alighi...