sábado, 25 de outubro de 2014

MEMÓRIAS DA PASTORAL DA JUVENTUDE NA IV RE


"- Vamos descobrir um tesouro naquela casa?
- Mas não há casa alguma ali!
- Então, vamos construí-la!"
Groucho Marx

Em 1998, por ocasião da realização de um Encontro de jovens nas dependências do SESC – MG, localizado na cidade de Juiz de Fora, mediante orações, diálogos e reuniões, nasceu, de forma mais concreta, uma proposta de Pastoral da Juventude para a IV Região. A proposição de uma pastoral foi sistematizada pela Federação de Jovens da IV Região. Mas é preciso considerar que desde meados de 1985, a Federação de Juvenis já estava clamando por uma Pastoral concisa para a nossa juventude.
Motivado pela reunião do SESC, parti para a elaboração de um documento que fosse orientador para as ações pastorais da juventude metodista. O título deste documento: “Sonhos e esperanças no caminho – apontamentos para uma pastoral da Juventude”. Esse documento foi concebido como fruto de diálogos e reflexões junto à juventude. Na época, elaborei uma versão inicial e encaminhei os escritos para a Faculdade de Teologia em São Bernardo do Campo. Posteriormente, o texto foi aprovado pela comissão de publicações da IV Região. Foram impressos 2000 exemplares e todos foram distribuídos à liderança, bem como a toda a juventude.
Neste mesmo período, realizamos alguns encontros significativos, tais como: “Encontrão 2000”, realizado na cidade de Marechal Floriano – ES. Nesse encontro foi lançado oficialmente o documento norteador da Pastoral da Juventude. No mesmo ano, o bispo em exercício havia me designado como assessor da Pastoral da Juventude.
A partir daí, motivado pelo bispo e pela liderança da IV Região, tive a oportunidade de posicionar pastores e pastoras em todos os distritos da Região. Esses e essas foram designados pelo bispo como assessores distritais da Pastoral da Juventude. Formamos, posteriormente, a mesa da Pastoral da Juventude, constituída pelo coordenador, os pastores assessores das Federações, os Conselheiros regionais de juvenis e os presidentes de Federações de Jovens e Juvenis. Essa mesa estruturou o Plano de Ação da Pastoral da Juventude, que depois foi discutido e ampliado entre os pastores e pastoras assessores(as) distritais. Essas reuniões culminaram em um Encontro de Capacitação ocorrido na cidade de Sarzedo – MG, em 2001, cujo tema foi: “Desculpem-nos os transtornos, estamos em reforma”. O tema foi uma sugestão de um dos nossos pastores assessores. Reunimos cerca de cem líderes jovens e juvenis. Apesar da singeleza, foi um bom encontro. Registro que, mediante a demanda relacionada à Pastoral da Juventude em seu estágio incipiente, muitos erros foram cometidos. Porém, esses erros foram preponderantes para o amadurecimento da Pastoral. Aliás, esse último encontro favoreceu o conhecimento da pluralidade presente em nossa Região no que se refere à juventude.
Arrependo-me de algumas demandas, mas tudo se realizou com a melhor das intenções. Errei quando queria acertar, mas saí sempre melhor em todos os momentos de crise e de oportunidades. De igual modo, não quero passar a impressão de que este foi um tempo tranqüilo, onde os ventos sopraram sempre favoravelmente.
E foi no calor dessas discussões sobre a importância da Pastoral e o papel das Federações de Jovens e Juvenis que ocorreu uma história interessante:
Em 2002, a Federação de Jovens realizou o seu XVII Congresso Regional na cidade de Leopoldina – MG, com o tema: “Reedificando os muros e tampando as brechas”. Fui convidado a participar do Congresso e com muita alegria aceitei. Preguei na abertura do Encontro, mas estabeleci os rumos de minha prédica em uma direção não oposta ao tema, entretanto reflexiva. Em suma, parafraseei o que Jesus disse nos Evangelhos: “ninguém deita remendo novo em veste velha... vinho novo em odres velhos...” (Mt. 9.17). Afirmei que aquele não era o momento de “se colocar massa nova em muro velho. Aquele era um tempo de derrubar o muro e construir uma praça de convivência, comunhão e celebração da presença graciosa de Deus”. Não é preciso dizer que a abordagem gerou um mal estar, pois pareceu que eu estava contra a Federação de Jovens. Aliás, havia um burburinho anterior que “rolava”, afirmando que um dos propósitos da Pastoral era acabar com as Federações. Preciso confessar que prenunciávamos a possibilidade de que, em um futuro longínquo por certo, a Pastoral pudesse coordenar as atividades referentes a toda a nossa expressiva juventude. Porém, isso somente se daria mediante as conversas motivadas pela caminhada e serviço cristão. De qualquer forma, não era meu objetivo desenhar nenhuma espécie de crise, mas sim, motivar um debate regional sobre o papel da juventude no cenário político, social e religioso evidente no novo milênio.
Para encurtar a história, o constrangimento gerado pela palavra pregada ocasionou um tempo de instabilidade para a Pastoral. O ritmo afoito, por mim empregado, precisava ser cadenciado para que nenhuma crise fosse estabelecida desnecessariamente. Combinei com liderança episcopal, uma desaceleração da Pastoral da Juventude, o que gerou a desestabilização das ênfases e projetos iniciados.
O projeto da Pastoral continuou pelo esforço hercúleo do novo pastor assessor, mas aos poucos se arrefeceu até perder-se como grãos de areias movimentados pelo forte vento. Desprovido de qualquer nostalgia, pergunto-me hoje como estaríamos se o projeto estivesse em evidência até os dias atuais?
Enfim, sem a menor pretensão pelo resgate do passado, acho importante repensarmos o papel de nossas juventudes no contexto de nossas Igrejas. Aliás, esse tem sido um sempre vivo e repetitivo clamor de minha parte. Espero que, pela maravilhosa graça de Deus, a gente reinicie nossa jornada e, com os pés no caminho, corramos outros mútiplos percursos.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Jesus e os vendilhões dos templos...


O PASTOR - Terceiro texto


A preocupação com ministério pastoral, ou melhor, com o desenvolvimento do ministério pastoral sempre esteve evidente na perspectiva de reflexões que envolvem a vida cristã e eclesiástica. Com essa tônica, o Rev. Isnard Rocha escreveu um texto em 1953, intitulado: OS PASTORES. Segue o texto na íntegra:
“Conversava, certa vez, com um velho irmão, crente muito humilde, mas de testemunho exemplar e de grande influência espiritual na igreja. O assunto se prendia à chegada do novo pastor.
            - Que tal, irmão, o novo pastor? Gostou do sermão dele, no domingo?
            - Muito. Devemos dar graças a Deus porque somos dignos de receber mais um novo pastor. Este é o décimo quarto que a nossa igreja recebe, desde a sua organização! É mais um que nos ajudará por algum tempo. Vamos ver se podemos ser dignos dele para que a causa de Deus continue no ritmo de progresso em que vai
            - Por falar em pastor novo, qual deles, no seu parecer, fez o melhor trabalho? Ou ainda, qual o que o senhor mais apreciou?
O velho irmão pensou por um momento e, calmamente, respondeu:
            - Na Bíblia temos 66 livros bem diferentes! Se me pedissem para dizer qual deles eu aprecio mais e tivesse que dar razoes disso, diria simplesmente: todos eles tem inspirado o mundo, de uma forma ou outra. Seria difícil dizer o mais importante deles, pois todos juntos formam a Bíblia. Isso é coisa difícil para dizer com toda a honestidade. O senhor não acha?
E depois de uma ligeira pausa acrescentou:
            - Assim também são os pastores. São homens diferentes uns dos outros. Uns mais ilustrados, outros menos, embora todos, na maioria, tenham passado pela nossa Faculdade. Mas todos eles tem o seu valor no ministério da Igreja. O que um não consegue fazer, pelo seu temperamento ou jeito de lidar com alguns elementos, outro chega e faz. Um vem para construir e constrói mesmo. Outro vem e levanta o nível espiritual da igreja. Assim, cada um fazendo um tipo de trabalho, mas todos dentro do mesmo ministério, vão cooperando para o pregresso do trabalho em geral. O senhor não acha que é assim mesmo? Este é meu modo de pensar.

Nunca me esqueci das palavras desse velho irmão e cada vez que o concílio decide mandar um novo pastor para a minha igreja, eu me lembro das palavras desse saudoso servo do Senhor e dou graças pelo ministério que acolhe homens os mais variados em seu feitio pessoal e no modo de tratar com o povo de Deus. E cada um deles realiza a sua parte no concerto dos crentes. Aprendi com aquele experimentado irmão a apreciar todos os pastores e a ver neles homens diferentes, com dons e possibilidades diferentes, mas todos com o desejo de fazer o melhor possível”.

UM DESABAFO DE UM PASTOR METODISTA SOBRE ALGUNS LÍDERES EVANGÉLICOS

Segue, na íntegra, um desabafo do amigo e pastor Wesley Fajardo Pereira, de São Paulo:

O que enoja não são os posicionamentos políticos. Todos têm o direito de fazê-los.
O péssimo disso tudo é que esses que se dizem líderes evangélicos usam argumentos morais para condenar Dilma (ok, seria justo, embora eu não concorde com todos os argumentos), mas esses líderes não usam os mesmos argumentos morais para condenar Aécio.
O cara tá cheio de podre (bebedeiras, baladas, cocaína, tráfico, dirigir alcoolizado e com a CNH vencida, corrupções em aeroportos, rádios da família, agressão à namorada etc); por que não condená-lo também?
Esses líderes estão mais para fariseus do que para discípulos. Acho que os fariseus eram mais coerentes, pois pelo menos não se aliaram a Herodes. Jesus teria vergonha desses que se dizem líderes dos evangélicos. Não me representam.
Ao invés de usarem o Evangelho para a conversão, usam-no para a zombaria daqueles que são considerados seus inimigos. Estou farto.
A fé não é barganha, não é vender o pobre por um par de sandálias, nem aguardar a lua nova para fazer seus negócios, mas ser fiel à causa de Jesus Cristo, mesmo que traga prejuízos financeiros ou perseguições.
Desculpem-me pelo desabafo, mas condenação só de um lado é hipocrisia.
(Rev. Wesley Fajardo Pereira - Pastor Metodista).

DUAS I(i)grejas...


Existem duas I(i)grejas!
Existe a Igreja que acolhe a graça de Deus e a igreja que só acolhe as Suas bênçãos.
Existe a Igreja que se preocupa com as pessoas e a igreja que quer, tão somente, se aproveitar das pessoas.
Existe a Igreja que se entende como agente da missão e a igreja que se vê como a única forma de missão.
Existe a Igreja que profetiza com consciência política e a igreja que se usa a política pra se dar bem, com consciência.
Existe a Igreja que afina o social com o espiritual e a igreja que afina o quase espiritual ao que não é usual.
Existe a Igreja que usa as finanças arrecadadas para fazer diferença e a igreja que se faz diferente, inclusive do Evangelho, por causa das finanças.
Existe a Igreja que sinaliza o Reino de Deus e a igreja que deseja ser e dominar seu  próprio reino.
Existe a Igreja que anuncia a salvação no Senhor e a igreja que é pedágio para a “satisfação”, sem o Senhor.
Existe a Igreja que fortalece a fé de seus fiéis e a igreja que cauteriza a fé dos ofertantes.
Existe a Igreja que vive para servir e a igreja que se serve do viver alheio.
Existe a Igreja que abraça a causa do pobre e a igreja que espolia o pobre.
Existe a Igreja que se expressa eucaristicamente como comunidade e a igreja onde não há, sequer, comum unidade.
Existe a Igreja que marca seu tempo vivendo o amor de Deus e a igreja que usa uma forma de amor pra passar o seu tempo.
Existe a Igreja que adora genuinamente ao Deus da vida e a igreja que usa o nome de Deus indevidamente.
Existe a Igreja que se oferta ao fiel e a igreja que só quer a oferta do fiel.
Existe a Igreja que favorece quem precisa e a igreja que precisa dos que lhe podem favorecê-la.
Existe a Igreja ama o Senhor e a igreja que usa o nome do Senhor.

Existe, enfim, a Igreja que caminha no Caminho e a igreja que quer caminhar longe do Caminho.

Revista Foco da Fé

Com alegria, quero compartilhar com os amigos mais uma publicação. Agradeço aos autores e aos co-organizadores pela parceria. Valeu Mois...