segunda-feira, 30 de abril de 2012

Sigo as Pegadas do Mestre

Sigo as pegadas do Mestre, impressas em passos largos que rumam para a justiça. Que anseiam pela liberdade. Que demarcam a jornada. Que definem os sentimentos. Que alimentam a esperança. Sigo as pegadas do Mestre, pegadas de humildade. De orgulho quebrado e ferido. De alma decantada. De ambição espalhada ao chão. De negação do mundo. Sigo as pegadas do Mestre que me mostram a simplicidade. O viver num casebre simplório. A lagoa serena em meio a mata densa. O canto da ave ferida.
Sigo as pegadas do Mestre, da busca silenciosa da presença divina. Da adoração genuína marcada pelo coração quebrantado. Da oração no quarto escuro. Da visibilidade de um espírito compungido. Sigo as pegadas do Mestre que confiam na graça e na misericórdia. Que ama a Deus de forma sincera. Que odeia defraudar o próximo. Que espera um mundo melhor e mais humano. Que requer a encarnação da espiritualidade e a espiritualidade da encarnação. Sigo as pegadas do Mestre mesmo quando elas estão apagadas pelo tempo. Ou varridas pelas torrentes de águas. Fugidias frente às chuvas de verão. Sigo as pegadas do Mestre que me ensinam a orar não com as palavras, mas com os gestos. Que me mostram que a moeda é de César e as pessoas são de Deus. Que dá sentido ao sorriso amistoso e a lágrima da noite mal dormida. Sigo as pegadas do Mestre que me fazem aguardar com esperança, o arco-íris depois da chuva dantesca, dos ventos fortes do sul e do languido estado do ser. Sigo as pegadas do Mestre que trazem o sorrir das crianças, o canto dos passarinhos, o perfume das flores do campo, o hálito da neblina no monte, o sabor da fruta silvestre e o aroma do vinho e suas castas. Sigo, enfim, as pegadas do Mestre que me levam daqui pra acolá, do nada pro tempo sem fim, do cronos para o kairós, do rio para o alto mar, da dor lancinante para o frescor da hortelã e da morte para a vida.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Cremos na Centralidade do Amor - Capítulo 10 do livro de Stokes

O amor é central porque nos une a Deus e ao próximo. É a lei da vida que cumpre todas as leis, conforme Romanos 13.8-10 e Gálatas 5.14. Jesus encarna perfeitamente o amor de Deus em sua vida e missão. Aliás, para ele, o amor é o princípio básico dos relacionamentos. É a partir de Jesus que entendemos realmente que Deus é amor. Apesar do Primeiro Testamento apontar em suas letras a importância do amor a Deus e ao próximo, Jesus o radicaliza na parábola do samaritano – Lucas 10.25-37. Porém, mais do que ensinar este amor, Jesus o vive. Ele, que disse “amai os vossos inimigos” orou, pendurado na cruz: “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”. Lucas 23.34. De igual modo, o apóstolo Paulo registrou palavras magistrais no seu hino ao amor em 1 Coríntios 13. Para Paulo, o amor é o caminho sobremodo excelente. De fato, o amor que permanece junto à fé e esperança. É maior e permanece mais. Mas, o que é o amor? Stokes afirma que o amor cristão não é uma emoção fraca, tampouco somente uma doce amabilidade, mas também firmeza de espírito. Jesus, por exemplo, não foi meigo ao chamar Herodes de raposa (Lucas 13.32), nem quando chamou Pedro de Satanás (Mateus 16.23), e nem quando chamou os fariseus de hipócritas (Mateus 23.13-36). O importante, entretanto, é ter equilíbrio no amor. “Dentro da comunidade dos remidos, significa paixão ardente em fazer a obra de Deus em conjunto, na igreja. Significa o desejo de carregar nossa parte do fardo e, ao mesmo tempo, levar o fardo dos outros. Fora da comunidade, o amor é um desejo ardente de que todos no mundo tenham bençãos de Deus”. (p. 94). Quando observamos o mundo, o vemos amargo e afastado do amor de Deus. O mundo é reconciliado com Deus através do amor de Jesus, por intermédio do ministério da compaixão. De igual modo, as pessoas, individualmente, também estão fadadas á solidão. Mas o amor de Deus está engajado em ação graciosa para reconquistar as pessoas. No encontro com o amor revelado em Jesus, deixamos de lado nossa própria vida para nos encontramos com a vida plena, conforme Mateus 8.35: “Quem quiser, pois, salvar a sua vida, perdê-la-á; e quem perder a sua vida por causa de mim e do evangelho, salvá-la-á”. O ato de exercer o amor também está ligado à lei e a sabedoria. No primeiro caso, porque o exercer do amor está diretamente relacionado à política que desenvolvemos pelos bons anelos éticos e morais. No segundo caso, porque amor e ignorância não andam juntos. O amor autêntico não é cego. “Pelo contrário, é orientado e instruído pela sabedoria que Deus quer que reflitamos em todos os nossos esforços para expressar o seu amor”. (p. 96). O amor deve ser desenvolvido pela dimensão da inteligência prática. Finalmente, podemos afirmar que cremos na nova vida de amor. A vida exige o amor e a graça de Deus o supre em nossas vidas. De fato, o Reino de Deus é o reino de amor. “Nós, metodistas, sabemos que somos pecadores redimidos pela graça e chamados a proclamar o poder de Cristo para transformar as pessoas para a glória de Deus e para abençoar aos outros”. (P. 97). (Décimo capítulo do livro As Crenças Fundamentais dos Metodistas, São Paulo, 1992).

terça-feira, 24 de abril de 2012

Estou com uma Doença...

Estou com uma doença esquisita. É uma doença que está me deixando muito mal, afetando inicialmente, todos os meus 206 ossos e os meus 640 músculos, inclusive a estrela entre eles, o coração. Na verdade, descobri que essa doença está me provocando uma fobia, melhor dizendo, uma aversão à instituição e seu respectivo institucionalismo, aumentando meus batimentos cardíacos e fazendo meu sangue correr em todos os 96.560 km dos meus vasos sanguíneos. Aliás, essa fobia tem me provocado náuseas, principalmente quando me deparo com a esfera do poder, com gente que só quer saber de mandar em gente. Também tem me provocado ânsias quando visualizo, mesmo que sucintamente, qualquer ato ditatorial da parte daqueles que existem para servir. Tenho dores infernais na cabeça, principalmente quando leio artigos e documentos que estão longínquos da essência do Evangelho sinalizado por Jesus Cristo. Vejo múltiplas manchas vermelhas no meu corpo quando percebo o espírito de dominação, traduzido pela metáfora da visão ou da profecia, nos discursos e “pregações”. Triste saber de gente que usa a fé alheia para satisfazer seus desejos e viajarem a custa dos outros. Surgem-me calafrios quando contato a veracidade destes pares que buscam essa estirpe de espiritualidade idolátrica. Nessa percepção, minhas glândulas sudoríferas, localizadas na derme, produzem um suor salino e meus olhos ficam irritados, frente ao algo triste revelado, produzindo lágrimas que fluem para as narinas e provocam a vermelhidão. O choro se estrema e uma dor lancinante se instala no peito. A pele é ferida, os capilares são rompidos, me deixando expostos a uma infecção. Meu sistema respiratório arfa por oxigênio. A respiração fica difícil, vírus invadem o meu corpo e busco remédios e vacinas. Pior são os calafrios que ocorrem, invariavelmente, quando constato também, o surgimento de campanhas de vitória e sucesso feitas em nome de Deus. Mas o que me mata mesmo é a taquicardia que altera toda a pressão arterial da alma provocando muitas inflamações no espírito. Tais inflamações não permitem aproximações de quem quer que seja, fazendo-me recolher a um canto qualquer onde minha solidão seja elaborada e eu experimente a restauração misteriosa da graça. Alia-se a estas patologias citadas uma alergia aos títulos de toda e qualquer ordem – dos chamados “espirituais” aos acadêmicos. Meu encéfalo – mais complexo do que qualquer computador que exista no mundo – controla o meu sistema nervoso. De todos os órgãos do corpo humano, este é o que é mais afetado pelo envelhecimento. Isso significa que no auge dos meus 41 anos, meu encéfalo já não é o mesmo de quando tinha 16. Não posso perder energia em bobagens, tais como estas citadas, com os meus 80,4 km de nervos do corpo. Assim, meus feixes de axônios e neurônios precisam liberar e transportar impulsos elétricos com coisas que valham à pena. Fui ao médico e ele me receitou indiferença. E mais duas doses de “não esquenta a cabeça”. Segui as orientações, mas não teve jeito. Resolvi apelar e visitar um curandeiro. Ele me deu algumas ervas pra fazer um chá de indignação. Deu-me também umas raízes, com as quais eu pude fazer uma pasta de rebeldia para passar na cabeça, o que de alguma forma me aliviou as dores cefálicas, entretanto a alma continua em agonia. Não sei se há saídas para a minha doença. Acho que ela é incurável. Diante disso, me sobram duas perspectivas: resignar-me ou lutar contra a doença. Escolhi a segunda opção. Vou lutar contra essa doença, mesmo que ela me leve à morte. Vou lutar com todas as minhas forças contra essa invasão bárbara que não foi gerada por mim, mas que me atinge profundamente e silenciosamente como uma metástase. Já estive no CTI, passei pela enfermaria e agora caminho trôpego com muletas emprestadas por amigos que não me desamparam nunca: o paulistano do trem, o crente do “pii” quente, o alienígena e o quixotesco dos livros. Moribundo, espiritualmente, só me resta a esperança...

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Cremos na Vitória por Meio da Vida Disciplinada - Capítulo 9 do livro de Stokes

Além de crermos no perdão dos pecados, cremos na graça capacitadora de Deus. Desde o início do metodismo, João e Carlos Wesley apostaram na vida cristã por intermédio de uma vida disciplinada. Sendo assim, para Stokes, “a denominação ‘Metodista’ reúne várias comunidades de fé que compartilham desta grande herança de vida disciplinada. Acreditamos na vitória através do cumprimento de todas as condições. Nada do que é fundamental na vida moral e espiritual acontece por acaso. Colhemos o que plantamos”. (p. 83). Quando nos analisamos, constatamos que temos muitas coisas boas, mas é preciso ampliá-las. Na mesma direção, precisamos de coragem para sustentar o que é certo e abandonar o que é equívoco. Mas como podemos nos tornar o que Deus espera de nós? Primeiramente, por intermédio da promessa bíblica. A Bíblia nos informa que somos “mais do que vencedores”. (Romanos 8.37). Essa vitória é prometida para os que buscarem vida acertada. Desenvolvemos nossa fé como atletas espirituais. (1 Corintios 9.24). E a Bíblia ainda nos encoraja mediante a renovação de Deus. (Isaías 40.30-31). Mesmo diante da promessa, temos que enfrentar muitas barreiras. O principais obstáculos são, na concepção de Stokes, distração e egoísmo. “A distração está relacionada aos nossos pensamentos e o egoísmo aos nossos desejos”. (p. 85). De fato, no podemos controlar nossos pensamentos. Eles se instalam, sejam bons, ruins ou medíocres e nos dispersam. Nossa mente está aberta à multiplicidade, entretanto precisamos nos focar na unidade de nossa fé em Cristo. De igual modo, o egoísmo nos faz fugir do grande propósito de Deus que é de amar o próximo e adorá-lo. Nós gostamos do amor próprio, do amor por nós mesmos. Mas precisamos ir em busca do altruísmo. Fugir do egoísmo. Qual é a resposta a esse drama? Para Stokes, torna-se necessário uma disciplina na vida espiritual. Trata-se mais especificamente, de estabelecer horários para a nossa prática de adoração. Nesses momentos de intimidade, Deus trás para o que o busca uma beleza nova e sagrada para todo o resto da vida. (p. 87). No âmbito desses momentos devocionais, torna-se fundamental também a prática da conversão, voltando-nos para Deus. Enfim, “através dos hábitos da devoção cristã, Deus nos concede o poder de viver diariamente sob a inspiração dos nossos momentos mais sagrados e nos dá, também, o poder que provém da plena consagração. Pela disciplina, ele desvenda as grandes passagens da Bíblia, até que a alma encontre o elemento para o qual foi criada, isto é, o amor a Deus e ao próximo”. (p. 89). (Nono capítulo do livro As Crenças Fundamentais dos Metodistas, São Paulo, 1992).

terça-feira, 17 de abril de 2012

O Sol Brilha Diferente

Quando as coisas não vão bem com a gente, o sol brilha diferente. Se ao contrário, tudo está em ordem, o sol brilha diferente. Quando os amigos se afastam e os bons risos cessam, o sol brilha diferente. Se surgem novas amizades e a sinceridade irradia nos olhares, o sol brilha diferente. Quando a enfermidade e a doença se instalam em nosso corpo, o sol brilha diferente. Se ficamos sãos e nos lançamos novamente a todas as nossas atividades sem limitações, o sol brilha diferente. Quando as questões familiares não têm uma boa resolução em nossos lares, o sol brilha diferente. Se estamos em harmornia, casais conjugados e filhos em diálogo, o sol brilha diferente. Quando a saudade se instala no profundo da alma, o sol brilha diferente. Se nos reencontramos com a pessoa amada ou com o amigo distante, o sol brilha diferente. Quando oramos, mas nos dispersamos em nossa oração por causa dos muitos problemas, o sol brilha diferente. Se oramos, silenciando nosso ser para ouvir o grande Deus, o sol brilha diferente. Quando querem transformar nossa espiritualidade em comércio, o sol brilha diferente. Se nos aninhamos a uma vida espiritual cercada de realidade e esperança, o sol brilha diferente. Quando somos banhados com a chuva da tempestade, o sol brilha diferente. Se nos chega aos telhados a chuva fina que rega a terra, o sol brilha diferente. Quando nos falta a fé para a jornada espiritual na dimensão do Reino de Deus, o sol brilha diferente. Se o Reino de Deus é vivido por nós na dimensão plenificada da esperança, o sol brilha diferente. Quando tomamos consciência de que Jesus morreu na cruz no calvário, o sol brilha diferente. Se vamos ao túmulo e percebemos que ele não mais lá está, o sol brilha diferente. Quando somos tomados pelo medo da morte ou pelos assaltos do pecado, o sol brilha diferente. Se nos alimentamos da esperança da vida eterna, o sol brilha diferente. De fato, o sol sempre brilha diferente? Moisés Coppe

Cremos no Perdão dos Pecados - Capítulo 8 do livro de Stokes

A doutrina do perdão dos pecados é muito especial para a fé cristã. Os tons dessa doutrina embasam-se nas perspectivas das palavras paulinas: “Agora, pois, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus”. ( Romanos 8.1). Mesmo diante da força dessa doutrina, hoje, muitas pessoas não dão o devido valor a ela. De fato, as pessoas não consideram a presença do pecado em suas realidades vivenciais. Entretanto, o pecado sempre está conosco. Para Stokes, pessoa alguma deve se escusar de suas responsabilidades. “E não há sinal mais seguro de nossa sanidade mental do que nos sentirmos culpados quando realmente o somos”. (p. 76). Estamos diante do pecado e muitas vezes vivemos na dinâmica das complexidades, preferindo um caminho adverso, muitas das vezes. Como nos diz Paulo: “Porque nem mesmo compreendo o meu próprio agir, pois não faço o que prefiro, e sim, o que detesto”. (Romanos 7.15). Diante desse quadro, vem a resposta de Deus: a Sua graça perdoadora. Pessoa alguma pode se auto-salvar. Nem as nossas boas obras, tampouco as nossas ações. Menos ainda um auto-penitência. Somente pela aceitação da dádiva amorosa e perdoadora de Deus que podemos nutrir alguma esperança. No auge dessa humilde aceitação, somos justificados pela graça. A justificação é um presente de Deus para o ser humano. Deus nos olha, e ao nos olhar não nos vê. Ele vê Jesus em nós. “O homem não é justificado por obras ou lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus”. (Gálatas 2.16). Mesmo diante da certeza do perdão e da justificação, o ser humano precisa se tornar consciente de que há uma necessidade contínua de perdão. Como nos diz Stokes: “Sempre que vasculhamos além da nossa superficialidade descobrimos, também, que nos afastamos de Deus, trilhando os nossos próprios caminhos. Perdemos o propósito para o qual Deus nos criou e assim repudiamos a razão de estarmos aqui”. (p. 80). Pelo fato de nos perdermos em nosso cotidiano, precisamos dessa contínua necessidade de busca do perdão. Aliás, “o arrependimento e o perdão pela fé são o ponto de partida para toda renovação nas pessoas e culturas”. (p. 81). Acreditamos no perdão do pecados. (Oitavo capítulo do livro As Crenças Fundamentais dos Metodistas, São Paulo, 1992).

terça-feira, 3 de abril de 2012

Cremos na Cruz de Cristo - Cap 7 do livro de Stokes

Segundo Stokes, a cruz de Cristo deve sempre ser analisada em comparação com a nossa preciosidade para Deus e as nossas falhas. A cruz declara ao mesmo tempo nossa importância e nossa necessidade diante de Cristo. Pelo fato de sermos seres religiosos, sempre ansiamos pelo encontro do sentido duradouro em face do pecado e da morte. Essa ânsia demonstra nossa convicção de que fomos feitos para Deus e só se acha descanso n’Ele. Há, em todo ser humano, uma inegável sede de Deus. De fato, todas as coisas que tentam nos preencher frente ao nosso anseio por sentido, falham. Por exemplo, a natureza com suas belezas e suas ameaças não dá conta de preencher o ser humano. De igual modo, nós seres humanos não conseguimos resolver nossos eternos problemas. A história não perdoa nossos pecados e não nos salva. Sendo assim, “perdidos no mundo ao nosso redor, perdidos nos tenebrosos corredores da história, perdidos em nós mesmos, temos sede de Deus”. (p. 69). É nesse ponto, segundo Stokes, que ocorre um elemento estranho: “começamos a compreender que Deus quer falar conosco”. (p. 69). Assim aconteceu com os patriarcas, com Moisés, com os profetas. Entretanto, doutra forma, Deus resolveu falar diferente ao mundo, por intermédio de Jesus, reconciliando o mundo. (2 Coríntios 5.19). “A reconciliação está bem no centro do cristianismo”. (p. 70). Diante dessas argumentações, Stokes faz a seguinte pergunta: Qual é o significado da cruz? E afirma que a igreja cristã nunca conseguiu dar um significado para essa questão. Segundo este mesmo autor, nós, metodistas, identificamos o significado da cruz em seis fatos redentores: 1. A iniciativa divina: Deus, em Cristo, toma a iniciativa de amar-nos. Através da cruz, compreendemos que Deus nos vê primeiro. Como bem atesta Romanos 5.8: “Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores”. 2. Deus leva o pecado a sério: Quando elevamos os olhos para Cristo crucificado, percebemos a natureza terrível das nossas falhas. Dessa forma, somos convidados ao arrependimento que nos move, novamente, em direção a Deus. 3. Somente Deus pode salvar: Somente Deus tem o poder de perdoar pecados e salvar da morte. “A cruz significa que Deus penetrou na nossa humanidade para fazer por nós aquilo que nós não pudemos fazer por nós mesmos”. (p. 71). Resta-nos, portanto, somente colocar nossa vida em confiança perante Deus. 4. Não há limites para o amor de Deus: Deus faz qualquer coisa por nós. Ora, a cruz proclama que Deus não reteve nada de si, inclusive doando seu filho pelo mundo. A cruz é o “sinal eterno da infalível prontidão do Pai para nos perdoar e nos unir a Ele”. (p. 71). 5. Deus sofre para dar a vida: a cruz é o preço da nossa salvação mediante o sofrimento de Deus. De fato, Deus tomou sobre si o sofrimento da humanidade com o propósito de elevá-la. “Ele sabia que a vida não era assim tão simples. Havia feridas a serem curadas, pessoas tristes a serem confortadas, pecadores a serem perdoados e temores a serem vencidos”. (p. 72). Assim, a cruz é o símbolo desse amor perfeito, altruísta e sofredor de Deus por nós. 6. A cruz: ontem, hoje e sempre: Deus foi, é e sempre será revelado ao mundo através da cruz de Cristo. Sempre que o pecado e a tristeza florescem a crucificação é, de alguma forma, reencenada para que nos aproximemos de Deus em santa comunhão. E finalmente, Stokes considera que a cruz se alinha ao sacramento da Santa Ceia. “Na sua celebração, metodistas se reúnem em volta da mesa do Senhor para relembrar o que Jesus fez na cruz”. (p. 73). A Ceia do Senhor é uma ocasião de profundo significado onde vem a nossa memória o agir de Deus em nosso favor para nos redimir e nos refazer o viver criativo. De fato, nós metodistas acreditamos na cruz! (Sétimo capítulo do livro As Crenças Fundamentais dos Metodistas, São Paulo, 1992).

Atravessando a Ponte na Companhia da Crise (Nono texto)

         “No inferno, os lugares mais quentes são reservados àqueles que escolheram a neutralidade em tempo de crise”. Dante Alighi...