quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Cremos na Bíblia - Capítulo 2 do livro de Stokes

O segundo capítulo do livro As Crenças Fundamentais dos Metodistas (São Paulo, 1992), de Mack Stokes procura enfatizar os elementos mais importantes que nos ligam ao estudo e devoção da Bíblia. A Bíblia é seguida pelos metodistas, juntamente com todos os demais grupos cristãos, como sendo uma fonte de crença e conduta de vida. Ela não existe para melhorar a cultura, embora possa interferir positivamente. A Bíblia, produto de inspiração divina, é lida por nós, metodistas, em espírito de oração, porque almejamos "conhecer a vontade e o propósito de Deus para nossas vidas”. (p. 21). Para aprofundar a sua reflexão sobre a crença na Bíblia, Stokes vai dividir este capítulo em quatro tópicos. Vamos a eles: 1. A Bíblia: eterna por suas narrativas e acontecimentos – Para Stokes, a Bíblia é “eterna por suas grandes narrativas e acontecimentos, através dos quais Deus falou e continua a falar hoje”. (p. 22). A Bíblia narra a trajetória de fé e vida de homens e mulheres e sua relação com o Deus da história. Desde Abraão até o surgimento da igreja cristã, a Bíblia nos contagia com as narrativas que enfocam um Deus que age na vida humana e se revela na pessoa, obra e ministério de Jesus de Nazaré; 2. A Bíblia: eterna por sua revelação dos propósitos de Deus – Para Stokes, através das personagens e dos acontecimentos, Deus revela o propósito para o qual criou a humanidade. Segundo este autor: “Podemos descobrir muitas coisas por nós mesmos. Podemos alcançar alguns discernimentos acerca de sua vida por meio da experiência e da reflexão. Mas não há fonte como a Bíblia para revelar o propósito de Deus para a nossa criação”. (p. 24). Para Stokes, o propósito de Deus refere-se à prática de valores morais e espirituais na esfera da comunidade. Stokes fala da ação de Deus na pessoalidade humana, mas destaca a conclamação ao povo para viver na dimensão do Reino. “Por esta razão, não foi por acidente que, pelo poder do Espírito Santo, a Igreja nasceu naquele primeiro Pentecoste cristão. Era a comunidade de fé, o povo de Cristo”. (p. 25). Stokes dá prosseguimento à sua argumenação, evidenciando que os valores morais e espirituais atingem sua mais alta realização sob a liderança de Jesus. Seu amor e bondade revelam o caminho que devemos percorrer. Dessa forma, os valores morais e espirituais visam duas coisas: beneficiar os seres humanos e glorificar a Deus (p. 25); 3. A Bíblia: eterna por suas grandes afirmações – As afirmações bíblicas nos ajudam no confronto com o mundo secularizado. São três as grandes crenças contidas na Bíblia para nos auxiliar nesse confronto, a saber: a. a Bíblia nos fala de tudo o que precisamos saber sobre Deus; b. a Bíblia nos fala de tudo o que precisamos saber sobre nós mesmos (três fatos ficam muito claros nesse ponto: somos criaturas, somos criaturas especiais e somos pecadores); c. a Bíblia nos diz tudo o que é preciso saber sobre o nosso encontro com Deus. “Assim, a Bíblia é um livro que fala de Deus. Fala sobre nós. E fala do encontro entre Deus e nós. Ela jamais permitirá que nos esqueçamos de que Deus nos criou para Si”. (p. 26). Enfim, toda a evidência dessas afirmações está centrada na afirmação bíblica de que Deus tomou a iniciativa por amor a nós; 4. A Bíblia: eterna pelo seu ministério às necessidade humanas – Por intermédio da Bíblia, Deus vem de encontro às nossas necessidades. “Como o mundo satisfaz o anseio humano pela beleza estética, assim é a Bíblia em relação à fome pela verdade espiritual”. (p. 27). Assim, quando sofremos as tentações ou quando enfrentamos a tristeza, ou ainda, quando grandes responsabilidades vêm sobre nós, recorremos a Bíblia e nela encontramos a força que precisamos. Ela é a fonte de renovação que nos lança ao caminho da redenção. Finalmente, Stokes conclui seu capítulo afirmando a importância da Bíblia pra a fé metodista. Ter a Bíblia como base “da nossa crença e prática significa que enxergamos além da natureza, além da civilização e além de nós mesmos, para Deus, nossa esperança e nosso destino últimos”. (p. 28).

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

O Significado Permanente do Metodismo - Capítulo 1 do livro de Stokes

“Não há nada que passe mais facilmente desapercebido do que aquilo que está sempre perto”. (p. 11). Com essa afirmativa, Mack Stokes em seu livro As Crenças Fundamentais dos Metodistas (São Paulo, 1992), inicia o capítulo primeiro intitulado: O Significado Permanente do Metodismo. Na linha de sua afirmação está a ideia de que não damos muito valor ao que é inerente a nós, como o ar, a liberdade e outros valores. Ocorre coisa similar com a nossa herança metodista. Nos tornamos tão próximo dela que, muitas vezes, perdemos o seu brilho. Entretanto, não podemos deixar de considerar o significado permanente do metodismo. Mesmo porque, para Stokes, o “metodismo é uma força poderosa dentro da comunidade cristã”. (p. 11). De fato, o metodismo não carrega em sua orientação doutrinária nada diferente dos outros grupos cristãos, de onde decorre a ideia de que o metodismo não tem uma doutrina. Para Stokes, a resposta é clara: “Enquanto o Metodismo repudia qualquer sectarismo estreito, traz á comunidade dos crentes as suas dádivas especiais. E quais são elas? Duas palavras-chave contam a história: vitalidade e equilíbrio. O Metodismo é o cristianismo com equilíbrio vital. E esta é a sua contribuição permanente ao mundo cristão”. (p. 12). Stokes afirma também que o metodismo veio a expressar esse equilibro vital por causa da vida e ministério de João Wesley e dos seguidores dessa linha. Isso ocorreu porque Wesley juntou o “coração abrasado com a mente consagrada”. (p. 12). Ora, desde o início Wesley estava cônscio de que o cristianismo – e sua pluralidade – é sempre passível de se tornar uma seita, por isso o Metodismo sinalizado por ele sempre se constitui como uma tentativa de se livrar desse risco. Com base nessas argumentações incipientes, Stokes subdivide seu capítulo da seguinte forma: 1. O Metodismo é um cristianismo vital: Porque nos faz voltar ao fato supremo de nossa fé, ou seja, a graça de Deus nos corações das pessoas. O Metodismo é um meio para se promover um cristianismo apostólico no mundo de hoje. Sem perder o foco na sã doutrina, o Metodismo acredita que o fundamental não é no que acreditamos, mas em quem acreditamos. Não está centrado na crença na Bíblia. Como este autor afirma: “Cremos na Bíblia e a exaltamos como o Livro dos livros, mas insistimos, ao mesmo tempo, que uma pessoa pode conhecer a Bíblia, do Gênesis ao Apocalipse, e crer em todas as suas sentenças, mas continuar bem longe do Reino. Porque não somos salvos pela Bíblia, mas pelo Salvador de quem ela fala”. (p.13). De igual modo, não está centrado nos sacramentos: Batismo e Ceia do Senhor, bem como aos sacerdotes. Nós até nos unimos a todos os cristãos na ênfase nos dois sacramentos, entretanto somos forçados a “afirmar que o cristianismo apostólico não consiste de cerimônias e manifestações exteriores”. (p. 14). Enfim, não está fincado em preceitos morais e em boas obras. Apesar de também crermos na vida moral cristã, contamos com o poder do Espírito Santo. “A bondade do ser humano assume grnade significado através do poder do Espírito Santo”. (p. 15). 2. O Metodismo é um cristianismo equilibrado: quando o assunto é a religião, as pessoas estão em perigo de perder o equilíbrio. O segredo está em pregar o Evangelho, manter a vitalidade e o seu equilíbrio. A Bíblia é o livro do equilíbrio e ela deve ser compreendida da seguinte forma: a. como livro da Igreja, com seu significado na e para a comunidade de fé; b. como livro de tradição e não como livro de versículos isolados. “Deus se revelou na experiência da natureza – aquele reino de realidade conhecido por nós através dos sentidos. Mas, de um modo singular, Deus se revelou através da Bíblia – o reino do mundo espiritual da oração do louvor e graça”. (p. 16); c. como revelação a ser respondida. A Bíblia é a Palavra viva de Deus pedindo a nossa resposta. “Assim, a Palavra se torna útil quando começamos a perguntar: ‘O que Deus está tentando me dizer por meio desta passagem?’ ou ‘O que Ele está me chamando a fazer?’”; d. como elemento de confirmação da nossa experiência cristã. “Suas promessas, suas grandes passagens, suas mensagens e seus ensinamentos práticos – tudo isso é compreendido em seu sentido mais profundo na vida dos crentes”. (p. 16). O equilíbrio do Metodismo também pode ser visto nas ênfases de conversão e educação. Na vida, essas duas coisas se misturam. Existe um processo gradual de aprendizagem do significado de ser cristão. Pode ser visto também no interesse pela salvação das pessoas. Deus bate à porta dos seres solitários. “O Metodismo se preocupa com as guerras, com os lares desfeitos, com o preconceito racial, com a corrupção política, com o crime organizado, com a poluição, com os problemas causados pela superpopulação, com o alcoolismo, as drogas e toda forma de desumanização”. (p. 18). De fato, “Aquilo que prejudica o ser humano atinge a Cristo e desperta o cristão a ação”. (p. 18). Ainda, o Metodismo é um cristianismo equilibrado porque cremos ser uma Igreja ecumênica. “Alegramo-nos com todas as forças que agem para unir os cristãos. [...]. Nas grandes afirmações estaremos unidos. Nas pequenas coisas permitiremos diferenças. Nas questões práticas cooperaremos com os outros”. (p. 18). E, finalmente, o equilíbrio se manifesta em nossa visão das grandes doutrinas cristãs. “Em nosso modo peculiar propugnamos por uma interpretação equilibrada destas grandes doutrinas cristãs”. (p. 19). Essas bases argumentativas apresentadas nos servirão para estruturarmos uma construção salutar para a nossa espiritualidade dinâmica. Esse é o caminho que percorreremos com vital equilíbrio.

Atravessando a Ponte na Companhia da Crise (Nono texto)

         “No inferno, os lugares mais quentes são reservados àqueles que escolheram a neutralidade em tempo de crise”. Dante Alighi...