quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Um Ano Novo cheio de Esperança

Leonardo Boff em seu livro Cristianismo: o mínimo do mínimo, afirma que a força do cristianismo não está na fé, mas na esperança. De fato, a esperança é a mola precursora para aqueles que vivem com vigor a experiência da existência com Deus e a respiração ofegante por um novo tempo, um novo mundo. A vida exige de nós a esperança. Aliás, viver dia-a-dia nos desafia, pois cada dia possui sua constituição inusitada. Ora, todos os dias somos lançados diante de uma série de desafios complexos que nos afrontam. Geralmente, diante desse quadro, acabamos desenvolvendo certo temor e acabamos por ceder espaço para a angústia e a inevitável desesperança. Mas é preciso dar um salto no escuro e tentar fugir dessa realidade que confronta nossa existência. O antigo adágio popular expressa: “a esperança é a última que morre”! Mas, mesmo que morra, renasce com uma nova possibilidade de vida. Infelizmente, não temos como controlar as coisas que acontecem conosco. Existem muitas esferas que fogem ao nosso controle e, na maioria das vezes, nos vemos na condição de passageiros e perdemos a possibilidade de escolher ou decidir. Quando nos deparamos com situações difíceis em nossa existência, muitas vezes nos sentimos atormentados e até perdemos o sono. Entretanto, é preciso pensar que apesar de todas as complicações da vida, temos sempre, pela graça de Deus, uma porta aberta que nos possibilita a passagem de uma realidade de desesperança para uma dimensão carregada de esperança. Aliás, nossa esperança está firmada em Jesus Cristo. Ele é o Senhor e o motivo de nossa esperança. Ele, que passou pela morte de cruz para demonstrar o grande amor de Deus para a humanidade, é o sinal histórico de que há sempre uma nova manhã, há sempre um novo dia. Enfim, é preciso pontuar que não há coisa alguma que seja impossível ser resolvida. Nenhum problema é para sempre! Nenhuma complicação persistirá por muitos anos. Sendo assim, cremos na benção de Deus nos acompanhando em todo tempo e motivando-nos a uma nova vida neste novo ano, o ano de 2012. Cremos que de uma forma especial, Deus estará conosco. Ele nos ama e se importa com nossas vidas. Portanto, não vamos esmorecer. É preciso ter esperança e viver no amor de Deus. Que Ele nos abençõe. Moisés Coppe.

sábado, 24 de dezembro de 2011

O AMOR É O DOM SUPREMO NO NATAL (paráfrase de I Coríntios 13)

Ainda que eu repetisse a história do Natal e cantasse todos os seus hinos, mas não tivesse amor, seria como metal que soa ou como sino que badala. Ainda que eu distribuísse presentes caros e despendesse muito valor em dinheiro ou realizasse grandes festas de Natal, se não tivesse amor, de nada adiantaria. Mesmo que ofertasse dádivas aos pobres ou cansasse meu próprio corpo trabalhando pelos necessitados, se não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. Somente com amor o Natal tem sentido: amor paciente, amor benigno, que não é invejoso, não trata os outros com leviandade, nem se ensoberbece. Se existe amor no Natal, o ser humano não busca os próprios interesses, não se porta com indecência, não se irrita, não suspeita mal, não permanece indiferente diante da injustiça, mas age em favor do próximo em nome do amor de Deus, manifesto em Cristo. É este amor divino, manifesto ao mundo através do infante de Belém que nos inspira e nos dá forças para tudo enfrentar, segundo a lógica da força deste amor que ajuda a tudo sofrer, tudo crer, tudo esperar, tudo suportar. Se existe amor, o Natal jamais acaba. Ainda que haja pinheirinhos, eles secarão; ainda que haja enfeites coloridos, eles se quebrarão; Ainda que hajam presentes e brinquedos, eles ficarão esquecidos, porque todas essas coisas são símbolos culturais do Natal e, eles passarão e se perderão. Quando éramos crianças, compreendíamos o Natal como crianças, agora que chegamos a ser adultos afastamo-nos das compreensões próprias de crianças para celebrar o genuíno sentido do Natal. Infelizmente, o mundo vê o Natal de forma deturpada. Agora, conhecemos em parte, mas um dia compreenderemos no todo o sentido real do Natal, cujo símbolo mor é a revelação de Jesus Cristo. Agora, pois podemos afirmar que Natal é fé, Natal é esperança, Natal é amor, estes três, mas a maior celebração é a do Natal amor. (Autoria desconhecida adaptado por Moisés Coppe Feliz Natal a Todos(as).

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Coar os Mosquitos e Engolir os Camelos

Não gosto da hipocrisia. Não gosto de pessoas que dizem ser o que não são ou fazem aquilo que não acreditam. Por isso, pago o preço da busca por uma coerência entre palavras e ações. Acho que Jesus também tinha problemas com a hipocrisia. No capítulo 23 do Evangelho de Mateus, há uma longa argumentação contra os que pregam e não vivem. Ora, o antigo adágio “coar mosquitos e engolir camelos”, citado por Jesus no embate com os fariseus e escribas denota a intencionalidade do mestre de Nazaré em criticar a hipocrisia. Jesus era um veemente combatente da hipocrisia. Aliás, em muitas outras narrativas neotestamentárias, a crítica à hipocrisia se exalta de forma categórica. De fato, a hipocrisia é uma atitude evidenciada por gente que mascara ou fantasia a sua própria vida real, não se assumindo como é ou como se encontra. Em geral, o hipócrita é o que se apega, tão somente, à aparência em detrimento da essência. Nessa perspectiva, os dados à hipocrisia falam mais do que fazem e fazem menos, muito menos do que dizem. O pior, dentro da perspectiva que estamos apontando, é que o hipócrita esconde muito das coisas que faz. O hipócrita faz coisas escondidas, mas não assume que as faz. Ora, todos temos os nossos quartos obscuros onde escondemos nossas mazelas, entretanto o hipócrita sequer admite o fato de ter mazelas. Num sentido mais aprofundado, portanto menos lato, a hipocrisia se estabelece realmente na lógica do adágio citado por Jesus. Na realidade, todos somos tentados a coar mosquitos e engolir camelos. Uma breve análise da vida social revela-nos que a todo tempo estamos aceitando dimensões escabrosas e injustas, bem como nos apegando a comentários sobre questões triviais e próprias da subjetividade de cada pessoa. Assim, apontamos o dedo com muita facilidade para as pessoas e as acusamos, na maioria das vezes, indevidamente. Isso ocorre porque nosso olhar fica preso a besteiras, próprias da subjetividade e liberdade de cada pessoa. Por outro lado, aquilo que é importante e significativo e que pode trazer uma maior qualidade de vida, fica no limbo, ou seja, côa-se mosquitos, coisas pequenas e subjetivas inerentes a cada pessoa, e engole-se camelos – dimensões comunitárias ligadas à prática do bem viver e da justiça social. Esse adágio combina com o ensinamento de Jesus que expressa que hipócritas são os que tentam tirar o cisco que há no olho do irmão enquanto há uma trave em seus próprios olhos. Realmente, é cruel essa atitude marcada pelo apontamento do dedo ao outro sem a percepção de si-mesmo. Pior ainda é o fato de que quem acusa o faz com amplo moralismo. Ora, os moralistas são pífios e insanos, porque não se auto-avaliam. Julgam e condenam os outros, mas ao fazerem isso, estampam inveja à coragem do outro. Confesso ficar enojado frente aos hipócritas que possuem asco frente aos mosquitos, mas saboreiam com gozo os camelos. Como se percebe, os adjetivos que acompanham os dados à hipocrisia são os piores. De fato, Jesus aponta que a atitude moralista parte, infelizmente, dos religiosos da época. Gente que ao invés de deturpar, criticar, apontar e condenar deveria, tão somente, existir para amar e abençoar. Deus tenha piedade dos hipócritas. Deus os ajude a enxergarem suas próprias mazelas ao invés de olharem os outros. Deus derribe dos santuários os que dizem e não fazem. Deus anule os que atam fardos pesados e difíceis de suportar. Deus nos livre dos que realizam a obra somente para serem vistos pelos outros. Deus torça o nariz em relação àqueles que fecham as portas do reino dos céus aos semelhantes. Deus tire dos caminhos dos que almejam a justiça, todos os hipócritas que coam mosquitos e engolem camelos. Para estes, fica o vaticínio de Jesus: “Serpentes, raça de víboras! como escapareis da condenação do inferno?”

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

A Música "Palavra"

Eu tenho uma apreciação dantesca pela música Palavra de Irene Gomes. A singela letra dessa canção é poetizada da seguinte maneira: Palavra não foi feita para dividir ninguém. Palavra é a ponte onde o amor vai e vem. Palavra não foi feita para dominar Destino da palavra é dialogar. Palavra não foi feita para opressão. Destino da palavra é a união. Palavra não foi feita para vaidade Destino da palavra é a eternidade Palavra não foi feita pra cair no chão. Destino da palavra é o coração Palavra não foi feita para semear A dúvida a tristeza ou o mal estar Destino da palavra é a construção De um mundo mais feliz e mais irmão. De fato, é através da palavra que temos a oportunidade de construir possibilidades outras. Isso ocorre porque há um há um poder nas palavras. E provo isso com uma ilustração: Minha filha não gosta de coco. Assim, ela evita todo e qualquer alimento que contenha coco. Em fins de setembro de 2011, ela comeu um bolo apelidado “formigueiro”, sem saber que tinha coco, sempre afirmando que o bolo estava uma delícia. Aí, ela resolveu ler na embalagem a composição alimentícia do bolo e descobriu que tinha coco. Pronto, o drama estava montado, porque agora, o bolo gostoso possuía um elemento que ela não aprecia. Então, ela começou a comer o bolo com certa suspeita. Mas o que realmente importou? Por certo, o poder da palavra coco. Foi a palavra que provocou nela um estranhamento. Aquilo que estava saboroso passou e ser suspeito. É interessante notarmos como as palavras provocam em nós os mais diversos sentimentos e reações. Por isso, temos que ter um cuidado singular com a forma como conduzimos as palavras. Isso também é verdade quando analisamos a esferas dos relacionamentos. Ora, nessa esfera, se não temos coisa alguma de boa pra dizer para outrem, então é melhor não dizer nada. Aliás, nossa intencionalidade tem que ser sempre a voltada para a manifestação de palavras agradáveis às pessoas. Isso constroi a ponte onde o amor vai e vem. No livro de Provérbios, há um verso que muito me agrada e que corrobora com nossa breve narrativa. Trata-se de Provérbios 16.24: “Palavras agradáveis são como favo de mel. Doces para a alma e medicina para o corpo”. Há dois princípios interessantes nesse verso. O primeiro refere-se ao fato de que as palavras, como ditas, podem provocar a cura das emoções e a cura do físico numa dimensão holística. Em minha convicção, não se trata de mais um chavão evangélico, mas de um princípio que favorece a boa harmonização dos relacionamentos. Ora, se temos problemas na família e na igreja, um dos fatores fundamentais está relacionado ao fato de que usamos mal a palavra. Isso é muito verdadeiro, pois muitas vezes, mesmo sem saber, machucamos as pessoas com as palavras. Ora, todas as pessoas têm o direito de defenderem suas posturas e verdades, mas ao fazê-lo, devem se imbuir de uma atmosfera de boas resoluções relacionais, inscritas na esfera do shalom – paz, mesm na adversiadade. Pessoa alguma é obrigada a aceitar afrontas ou palavras deselegantes oriundas de quem quer que seja. Por isso, a música de Irene e o verso bíblico ressaltado se tornam boas referência para todos nós. Entendemos da música e do verso que as palavras agradáveis são pontes onde o amor se desloca trazendo amenos sentimentos e cura emocional e física. Acho que é isso que deve estar na pauta das nossas conversas: bons sentimentos e desejo de cura para o outro. Fora isso, não tem sentido. Então, cuidemos de nossas palavras, segundo a lógica: “destino da palavra é a construção de um mundo mais feliz e mais irmão.

Atravessando a Ponte na Companhia da Crise (Nono texto)

         “No inferno, os lugares mais quentes são reservados àqueles que escolheram a neutralidade em tempo de crise”. Dante Alighi...