sexta-feira, 27 de agosto de 2010

O AMOR QUE PODE TUDO

Acho que o nosso mundo precisa de mais amor. A despeito da dificuldade de se viver o amor na atualidade, vale ainda à pena ressaltar que somente pelo amor realidades díspares serão transformadas. O amor é, indubitavelmente, a maior e mais significativa força do universo.
O apóstolo Paulo, sabedor desse princípio, escreveu o seu lindo poema sobre o amor que ficou registrado no livro de Coríntios, mais precisamente no capítulo 13. Esse poema ressalta, logicamente, o Amor ágape, ou seja, o amor ilimitado. Rubem Alves em uma das suas crônicas sobre o amor define ágape de uma forma inusitada. Ele afirma que somente Deus pode amar coisas que não são convidativas ao amor. Mas, em contraposição, este autor ressalta também que o amor de Deus não possui somente essa característica de ágape, mas também de eros. Eros é, segundo Freud, o princípio ativo da vida e das paixões. Então, além do fato de Deus amar o não-apreciável, Ele, com certeza, também ama com intensidade prazerosa os seres humanos e toda a sua obra criada.
Wesley, o fundador do movimento Metodista, possui uma apreciação expressiva sobre o amor de Deus. Aliás, a base da teologia da graça, evidenciada no pensamento dele, está na manifestação amorosa de Deus entre os seres humanos. Wesley tem o cuidado de falar do amor numa referência muito bonita. Ele ressalta que o amor de Deus – e também o que deve se manifestar entre nós – é o amor humilde, ou seja, o amor despojado que se expressa em vivências cotidianas marcadas pela humildade.
Particularmente, entendo que o amor humilde e prazeroso, presente na contingência da vida, pode mudar tudo em nossa vida. E quando digo tudo, é tudo que quero dizer. Em outras palavras, sigo a lógica de Santo Agostinho. Ele disse: “Ama e faze o que quiseres”, então, quando se ama verdadeiramente e realmente, tudo se torna possível.
No que se refere à comunidade de fé, não entendo outra dinâmica possível para acontecer nos relacionamentos e práticas missionárias que não seja o amor. Aliás, sempre acho – acho não na perspectiva de um “achismo”, mas de uma possibilidade a ser concretizada – que quando se ama, todas as coisas se tornam possíveis, e assim se concretizam não por causa da demanda por sucesso ou vitória, mas pela dinâmica da transformação. O tudo está diretamente ligado à dinâmica da transformação.
Que minha vida e sua vida experimentem esse amor que pode tudo mudar, melhor afirmando, o amor que pode tudo transformar.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Será que sou realmente um cristão?

Li recentemente um texto do filósofo Bertrand Russel onde ele apontava as razões pelas quais não se professava cristão. Toda a sua argumentação parte de perguntas filosóficas de alto gabarito teórico. No que se refere à área de Bíblia, deixa a desejar.
Entretanto, independente das críticas que eu poderia ressaltar nesse sucinto artigo, principalmente no que se refere à área de interpretação da Bíblia, foram contundentes suas perguntas e argumentações sobre o que realmente significa ser cristão.
Confesso aos leitores que fiquei estarrecido e em crise existencial. Isso aconteceu porque percebi que ele tinha razão. Eu não consigo fazer coisa alguma do que o evangelho, nas palavras de Jesus, me manda fazer.
Por exemplo, quando Jesus disse ao jovem rico: "Vai vende tudo o que tens e dá aos pobres", ele estava partilhando um princípio ético e moral que tem a ver com o senso de justiça. Eu coro de vergonha toda vez que leio este texto, pois se eu estivesse no lugar daquele jovem, acho que tomaria a mesma atitude, ou seja, cabisbaixo e entristecido, cairia fora. E aquela outra lógica que me conclama a amar os meus inimigos. Às vezes tem sido difícil amar os da minha casa, quanto mais os meus inimigos.
Então, diante dessas e de outras questões fui refletindo... refletindo e me perguntei seriamente: Serei eu realmente um cristão?
Ora, meu cristianismo é bacana: muitas conquistas de foro relacional.
Meu cristianismo pouco se dedica aos pobres.
Meu cristianismo tem carro enquanto vejo gente que não tem, sequer, acesso ao transporte público.
Meu cristianimo tem conta bancária e uns poucos trocados pra gastar com bobagens.
Meu cristianismo fica contando os dias para as férias com o intuito de viajar.
Meu cristianismo se concretiza no culto, dominicalmente.
Meu cristianismo tem muito ritual.
Meu cristianismo curte um louvor da hora.
Meu cristianismo pede muita coisa pessoal, e pouca solidariedade.
Meu cristianismo chora quando fecha os olhos.
Meu cristianismo pouco se importa com a justiça.
Meu cristianismo tem Bíblia e pouca Palavra de Deus.
Enfim, para que a lista não fique interminável, meu cristianismo tem muito blá blá blá e pouca ação.
Às vezes, me pergunto sobre por que não simplificar? Por que manter fachadas e estruturas que nada tem a ver com a contigência da vida?
Eu não tenho respostas, mas confesso desejoso de mudar toda essa história.
Quero ser mais real naquilo que chamo de cristianismo. Pelo menos, nas mínimas coisas quero ser mais parecido com Jesus.
Por enquanto, diante dessa inquitação lancinate, volta a pergunta: será que sou realmente cristão?

Atravessando a Ponte na Companhia da Crise (Nono texto)

         “No inferno, os lugares mais quentes são reservados àqueles que escolheram a neutralidade em tempo de crise”. Dante Alighi...