MEMÓRIAS DA PASTORAL DA JUVENTUDE NA IV RE


"- Vamos descobrir um tesouro naquela casa?
- Mas não há casa alguma ali!
- Então, vamos construí-la!"
Groucho Marx

Em 1998, por ocasião da realização de um Encontro de jovens nas dependências do SESC – MG, localizado na cidade de Juiz de Fora, mediante orações, diálogos e reuniões, nasceu, de forma mais concreta, uma proposta de Pastoral da Juventude para a IV Região. A proposição de uma pastoral foi sistematizada pela Federação de Jovens da IV Região. Mas é preciso considerar que desde meados de 1985, a Federação de Juvenis já estava clamando por uma Pastoral concisa para a nossa juventude.
Motivado pela reunião do SESC, parti para a elaboração de um documento que fosse orientador para as ações pastorais da juventude metodista. O título deste documento: “Sonhos e esperanças no caminho – apontamentos para uma pastoral da Juventude”. Esse documento foi concebido como fruto de diálogos e reflexões junto à juventude. Na época, elaborei uma versão inicial e encaminhei os escritos para a Faculdade de Teologia em São Bernardo do Campo. Posteriormente, o texto foi aprovado pela comissão de publicações da IV Região. Foram impressos 2000 exemplares e todos foram distribuídos à liderança, bem como a toda a juventude.
Neste mesmo período, realizamos alguns encontros significativos, tais como: “Encontrão 2000”, realizado na cidade de Marechal Floriano – ES. Nesse encontro foi lançado oficialmente o documento norteador da Pastoral da Juventude. No mesmo ano, o bispo em exercício havia me designado como assessor da Pastoral da Juventude.
A partir daí, motivado pelo bispo e pela liderança da IV Região, tive a oportunidade de posicionar pastores e pastoras em todos os distritos da Região. Esses e essas foram designados pelo bispo como assessores distritais da Pastoral da Juventude. Formamos, posteriormente, a mesa da Pastoral da Juventude, constituída pelo coordenador, os pastores assessores das Federações, os Conselheiros regionais de juvenis e os presidentes de Federações de Jovens e Juvenis. Essa mesa estruturou o Plano de Ação da Pastoral da Juventude, que depois foi discutido e ampliado entre os pastores e pastoras assessores(as) distritais. Essas reuniões culminaram em um Encontro de Capacitação ocorrido na cidade de Sarzedo – MG, em 2001, cujo tema foi: “Desculpem-nos os transtornos, estamos em reforma”. O tema foi uma sugestão de um dos nossos pastores assessores. Reunimos cerca de cem líderes jovens e juvenis. Apesar da singeleza, foi um bom encontro. Registro que, mediante a demanda relacionada à Pastoral da Juventude em seu estágio incipiente, muitos erros foram cometidos. Porém, esses erros foram preponderantes para o amadurecimento da Pastoral. Aliás, esse último encontro favoreceu o conhecimento da pluralidade presente em nossa Região no que se refere à juventude.
Arrependo-me de algumas demandas, mas tudo se realizou com a melhor das intenções. Errei quando queria acertar, mas saí sempre melhor em todos os momentos de crise e de oportunidades. De igual modo, não quero passar a impressão de que este foi um tempo tranqüilo, onde os ventos sopraram sempre favoravelmente.
E foi no calor dessas discussões sobre a importância da Pastoral e o papel das Federações de Jovens e Juvenis que ocorreu uma história interessante:
Em 2002, a Federação de Jovens realizou o seu XVII Congresso Regional na cidade de Leopoldina – MG, com o tema: “Reedificando os muros e tampando as brechas”. Fui convidado a participar do Congresso e com muita alegria aceitei. Preguei na abertura do Encontro, mas estabeleci os rumos de minha prédica em uma direção não oposta ao tema, entretanto reflexiva. Em suma, parafraseei o que Jesus disse nos Evangelhos: “ninguém deita remendo novo em veste velha... vinho novo em odres velhos...” (Mt. 9.17). Afirmei que aquele não era o momento de “se colocar massa nova em muro velho. Aquele era um tempo de derrubar o muro e construir uma praça de convivência, comunhão e celebração da presença graciosa de Deus”. Não é preciso dizer que a abordagem gerou um mal estar, pois pareceu que eu estava contra a Federação de Jovens. Aliás, havia um burburinho anterior que “rolava”, afirmando que um dos propósitos da Pastoral era acabar com as Federações. Preciso confessar que prenunciávamos a possibilidade de que, em um futuro longínquo por certo, a Pastoral pudesse coordenar as atividades referentes a toda a nossa expressiva juventude. Porém, isso somente se daria mediante as conversas motivadas pela caminhada e serviço cristão. De qualquer forma, não era meu objetivo desenhar nenhuma espécie de crise, mas sim, motivar um debate regional sobre o papel da juventude no cenário político, social e religioso evidente no novo milênio.
Para encurtar a história, o constrangimento gerado pela palavra pregada ocasionou um tempo de instabilidade para a Pastoral. O ritmo afoito, por mim empregado, precisava ser cadenciado para que nenhuma crise fosse estabelecida desnecessariamente. Combinei com liderança episcopal, uma desaceleração da Pastoral da Juventude, o que gerou a desestabilização das ênfases e projetos iniciados.
O projeto da Pastoral continuou pelo esforço hercúleo do novo pastor assessor, mas aos poucos se arrefeceu até perder-se como grãos de areias movimentados pelo forte vento. Desprovido de qualquer nostalgia, pergunto-me hoje como estaríamos se o projeto estivesse em evidência até os dias atuais?
Enfim, sem a menor pretensão pelo resgate do passado, acho importante repensarmos o papel de nossas juventudes no contexto de nossas Igrejas. Aliás, esse tem sido um sempre vivo e repetitivo clamor de minha parte. Espero que, pela maravilhosa graça de Deus, a gente reinicie nossa jornada e, com os pés no caminho, corramos outros mútiplos percursos.

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