O Pastor - Primeiro texto


Em 1953, a Imprensa Metodista em seus primeiros e promissores passos lançou uma pequena série devocional chamada “O Pastor”. Tratava-se de uma pequena revista, especializada para pastores, fruto da visão e idealismos do irmão Luiz Aparecido Caruso, gerente da referida Imprensa. No primeiro número, os organizadores alimentavam a esperança de lançar “uma pequenina semente que, irrigada pela graça divina e com o correr dos dias, haveria de nascer e crescer”. Entretanto, eles mesmos se espantaram ao perceber que a “semente encontraria terreno tão fértil a ponto de germinar, nascer e crescer quase que da noite para o dia”.
Assim, pela boa aceitação da revista, principalmente por parte dos ministros que se empenham na obra gloriosa de redenção da humanidade pela propagação do Evangelho de Cristo, a revista que foi igualmente bem acolhida por leigos, buscou animar os Metodistas e “oferecer aos colegas de ministério e aos irmãos interessados nos assuntos ventilados nestas páginas, leitura que, pelo conteúdo e pela forma, esteja a altura do desenvolvimento intelectual e espiritual das igrejas evangélicas, e não desmereça o nome do ministério nacional”.
Nessa perspectiva, J. d’Azevedo Guerra escreveu um pequeno artigo intitulado Nasce hoje “O PASTOR”. Nas suas palavras:
“Em dia de nascimento nada mais se tem a dizer ou a escrever, senão algo que diga respeito ao que ainda ontem era um nascituro. Não sei por quantos meses esteve “O PASTOR” em gestação; sei, no entanto, que não foi o tempo normal de um ser humano ou de qualquer irracional, pois, não me lembro agora quando foi que o pai desta criança linotipada falou-me que o havia gerado em sua mente. Antes, pois, de aparecer tal qual se nos apresenta hoje, há muito estava gerado. Agora tomou forma e esperamos vê-lo firmar-se entre seus companheiros de labor, desenvolver-se e cumprir a sua santa vocação. Esta revista “O PASTOR” nasceu do intimo da alma de um pastor experimentado as lides pastorais, ainda que não seja um veterano do exercito de Cristo. Como pastor teve e ainda tem momentos de prazeres inefáveis, sofreu e sofrerá ainda carências próprias ao ministério sagrado. Com aquelas, contando-as aos futuros mensageiros, dar-lhes-a alento e apontando as carências que sofreu, mostrando-lhes o espírito humilde como as suportou, há de minorar as dos futuros companheiros de jornada. O pai deste rebento de sua alma o alentará com o seu saber ao contar-lhe as provas por que passou, as noites mal dormidas, as longas jornadas sobre o lombo, muitas vezes mal arreado, de uma fraca alimárias. Contará como, algumas vezes, ou talvez muitas, pregou em saletas mal alumiadas por fumarentas lamparinas, antes de chagar ao pastorado de uma paróquia de templo santuoso e bem iluminado. Dirá como tresnoitou sobre livros ou laudas de papel. Antes de chegar a ser catedrático de Teologia Prática ou Pastoral e como ainda tresnoita no preparo das lições para ministrar àqueles que, dentro de alguns anos, preencherão as vagas deixadas pelos que são jubilados, devido ao seu precário estado de saúde, ou dos que se aposentam, porque alcançaram o tempo que lhes garante esse privilégio, ou daqueles que foram chamados pelo Senhor.  Em auxilio dos primeiros passos deste filho de sua alma pediu e continuara pedindo que outros companheiro o ajudem a faze do filho hoje nascido o porta-voz das próprias experiências e do saber de suas especialidade. E ele, “o pastorinho” recém-nado, mas ostentando já o nome adequado à sua finalidade, no desempenho silencioso de sua comissão, humilde e serviçal irá destilando nas mentes receptivas, ensinos de suma importância e os que souberem aproveitar, dentro de pouco te, insensivelmente, serão senhores de boa bagagem literária, teológica e filosófica e muitos hão de reconhecê-los como pessoas cultas. Ele nos recordará o que sonhamos ser; mostrará o que temos sido, o que somos e o que devemos ser. Nele teremos avivado o que desaprendemos e por ele muitas coisas novas havemos de aprender. Se lhe dermos alento é provável que por ele muitos alcancem a glória. Bem vindo seja, pois, o novel colega no desempenho do seu sagrado mister de falar, especialmente, a nós, que somos ministros do Senhor, pastores e curas de almas”.

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