Ela deu tudo e deu nada. Deu nada e deu tudo...

Jesus estava no pátio do Templo, sentado perto da caixa das ofertas, olhando com atenção as pessoas que punham dinheiro ali. Muitos ricos davam muito dinheiros. Então chegou uma viúva pobre e pôs na caixa duas moedas de pouco valor.
Aí Jesus chamou os discípulos e disse: Eu afirmo a vocês que isto é verdade: esta viúva pobre deu mais do que todos. Porque os outros deram o que estava sobrando. Ela, porém, que é tão pobre, deu tudo o que tinha para viver.
Marcos 12. 41-44.


Vivo conversando com as personagens bíblicas. Elas me ensinam muito a respeito da vida e de suas nuanças.
Num desses dias, conversei com a viúva pobre observada por Jesus, e fiz algumas perguntas: O que uma mulher sem anteparo de familiares pode esperar da vida? Qual a sua idade? Ela tinha filhos(as)? Estava enferma? Só sei que ela ousou achegar-se ao cofre do templo, e mesmo sob duras críticas apresentou-se a Deus honradamente.
Enquanto os ricos lançavam grandes quantias e até humilhavam os pobres que ali se encontravam, aquela mulher tinha seu coração firmado em Deus e no seu propósito. Enquanto aqueles só pensavam em se fazer espirituais diante de Deus e das pessoas, ela demonstrava sua espiritualidade de forma intensa e pessoal. De fato, é inútil fazer tipo de espiritual diante de Deus que vê o coração. O Senhor da vida não se impressiona com atos grandiosos, mas com atitudes nascidas no coração.
É por isso que gosto sempre de pensar na força subversiva do Reino de Deus, onde a lógica é sempre contrária à do mundo. Enquanto o mundo se apega ao grande e vultoso, Deus valoriza as pequenas coisas do cotidiano. Num mundo de competições acirradas, onde as pessoas são pelo que tem, a percepção de Jesus em relação à oferta daquela mulher provoca-me as mais distintas reflexões sobre o que realmente importa quando estamos em comunhão com Deus. Assim, distingo a sua oferta em três dimensões:
1.      Sua oferta é de amor: Uma oferta espontânea. Aquela viúva não foi forçada a dar tudo o que possuía, tampouco a passar agruras nos dias vindouros. Do seu coração, nasceu o desejo espontâneo de ofertar ao templo, para alcançar a expiação a si e a seu povo.
2.      Sua oferta é de esperança: o que a viúva espera? Tão somente o sustento e cuidado de Deus. Ao ofertar tudo o que possuía, ela desloca a sua preocupação. Se antes, sua vida estava firmada nos bens materiais, agora, ela se lança completamente aos cuidados de Deus.
3.      Sua oferta é de : Sem a repetida ansiedade pela aquisição de coisas, ela arrisca tudo para depender da graça divina. Sua fé – sua atitude – demonstra que o passado e o futuro como estágios na vida não são tão importantes. O que vale é o presente, a fé no presente e viver cada dia na certeza de que a graça de Deus lhe acompanha.

João Batista Libânio oferece-nos uma pérola valiosíssima que corrobora com nossa reflexão. Este jesuíta nos informa que nossa ação no presente é o que importa, pois ele é o passado condensado e o futuro antecipado. É o presente que vale pra nós, de fato. É no presente que podemos oferecer o tudo - o que possuímos e somos - e o nada - em termos de grandiosidade.
É o presente que vale para nós, de fato. E é no presente que nossa oferta de amor, de esperança e de fé fazem sentido em nossa jornada espiritual.
Deus com a gente...

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