Retiro dos Bispos ou Férias na Praia?

O Brasil tem vivido, nos últimos trinta dias, tempos únicos nos quais a população tem levantado a voz questionando os políticos e suas decisões, que supostamente representam o povo. Também tem clamado de maneira enfática por transparência e ética no trato do dinheiro público. Gastos exagerados na construção de estádios para a Copa das Confederações e Copa do Mundo são lembrados a todo instante pela população, cansada do descaso e desonestidade na gestão do dinheiro arrecadado com os impostos. Na semana em que os protestos se intensificaram e a repressão aos manifestantes se tornou especialmente violenta, sobretudo nas cidades-sede da Copa das Confederações, os bispos e bispa da Igreja Metodista se reuniram em Natal-RN para seu retiro espiritual. É de praxe que em retiros, acampamentos e quaisquer reuniões que envolvam clérigos e leigos da Igreja, que haja tempo livre para que os participantes possam gozar o lazer e restaurar suas forças para os momentos de intenso trabalho. Todavia, ainda que o retiro em si possa ser justificado, algumas perguntas ficam no ar e exigem uma resposta clara por parte da liderança da Igreja Metodista: É conveniente que, em uma época de grandes convulsões sociais e movimentação das pessoas marginalizadas em busca da cidadania que sempre lhes foi negada, os bispos e bispa ausentem-se de suas sedes onde deveriam exercer seu papel de líderes espirituais e orientar o exercício cristão da cidadania e da busca pelo Reino de Deus e sua justiça? É transparente a gestão de recursos da Igreja Metodista, recursos que em último caso é fruto dos dízimos e ofertas dos membros leigos? É transparente a transferência de recursos das instituições educacionais da Igreja Metodista, a título de royalties e aluguel, usados para pagar os custos da manutenção das sedes regionais e sede nacional? É justo que os leigos e leigas, que são as pessoas que contribuem financeiramente e também contribuem com sua ação voluntária, sejam completamente excluídos tanto da gestão da Igreja Metodista? É ético e moral que não haja nenhuma prestação de contas e nenhuma divulgação dos gastos da Igreja Metodista com seus programas e eventos? É ético e moral que, a poucos dias de termos participado de uma campanha de arrecadação de fundos para o financiamento da missão do Norte e Nordeste de nosso país, a Igreja desembolse, através de suas sedes regionais, sede nacional e instituições de ensino, uma quantia certamente nada desprezível para que os bispos e bispa possam se reunir? Qual a função do edifício da Sede Nacional, construído a pouco mais de uma década em uma região valorizada da capital de São Paulo, edifício que conta com infraestrutura completa para reuniões de trabalho, hospedagem, local de culto e de encontros, já que houve a necessidade de desembolso de uma alta quantia para acolher os bispos, bispa, seus familiares e secretários e secretárias do Colégio Episcopal? A população de nosso país deseja que seus governantes ouçam e administrem os bens e recursos públicos de maneira ética e transparente. Portanto, é de fundamental importância que os recursos para a missão da igreja também sejam administrados de maneira ética, transparente e participativa. (Em respeito à privacidade dos bispos, bispa e seus cônjuges, não iremos publicar as fotos, muito embora elas estejam divulgadas nos perfis dos bispos nas redes sociais) Postado por Fabio Martelozzo Mendes às 08:00

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