O Significado Permanente do Metodismo - Capítulo 1 do livro de Stokes

“Não há nada que passe mais facilmente desapercebido do que aquilo que está sempre perto”. (p. 11). Com essa afirmativa, Mack Stokes em seu livro As Crenças Fundamentais dos Metodistas (São Paulo, 1992), inicia o capítulo primeiro intitulado: O Significado Permanente do Metodismo. Na linha de sua afirmação está a ideia de que não damos muito valor ao que é inerente a nós, como o ar, a liberdade e outros valores. Ocorre coisa similar com a nossa herança metodista. Nos tornamos tão próximo dela que, muitas vezes, perdemos o seu brilho. Entretanto, não podemos deixar de considerar o significado permanente do metodismo. Mesmo porque, para Stokes, o “metodismo é uma força poderosa dentro da comunidade cristã”. (p. 11). De fato, o metodismo não carrega em sua orientação doutrinária nada diferente dos outros grupos cristãos, de onde decorre a ideia de que o metodismo não tem uma doutrina. Para Stokes, a resposta é clara: “Enquanto o Metodismo repudia qualquer sectarismo estreito, traz á comunidade dos crentes as suas dádivas especiais. E quais são elas? Duas palavras-chave contam a história: vitalidade e equilíbrio. O Metodismo é o cristianismo com equilíbrio vital. E esta é a sua contribuição permanente ao mundo cristão”. (p. 12). Stokes afirma também que o metodismo veio a expressar esse equilibro vital por causa da vida e ministério de João Wesley e dos seguidores dessa linha. Isso ocorreu porque Wesley juntou o “coração abrasado com a mente consagrada”. (p. 12). Ora, desde o início Wesley estava cônscio de que o cristianismo – e sua pluralidade – é sempre passível de se tornar uma seita, por isso o Metodismo sinalizado por ele sempre se constitui como uma tentativa de se livrar desse risco. Com base nessas argumentações incipientes, Stokes subdivide seu capítulo da seguinte forma: 1. O Metodismo é um cristianismo vital: Porque nos faz voltar ao fato supremo de nossa fé, ou seja, a graça de Deus nos corações das pessoas. O Metodismo é um meio para se promover um cristianismo apostólico no mundo de hoje. Sem perder o foco na sã doutrina, o Metodismo acredita que o fundamental não é no que acreditamos, mas em quem acreditamos. Não está centrado na crença na Bíblia. Como este autor afirma: “Cremos na Bíblia e a exaltamos como o Livro dos livros, mas insistimos, ao mesmo tempo, que uma pessoa pode conhecer a Bíblia, do Gênesis ao Apocalipse, e crer em todas as suas sentenças, mas continuar bem longe do Reino. Porque não somos salvos pela Bíblia, mas pelo Salvador de quem ela fala”. (p.13). De igual modo, não está centrado nos sacramentos: Batismo e Ceia do Senhor, bem como aos sacerdotes. Nós até nos unimos a todos os cristãos na ênfase nos dois sacramentos, entretanto somos forçados a “afirmar que o cristianismo apostólico não consiste de cerimônias e manifestações exteriores”. (p. 14). Enfim, não está fincado em preceitos morais e em boas obras. Apesar de também crermos na vida moral cristã, contamos com o poder do Espírito Santo. “A bondade do ser humano assume grnade significado através do poder do Espírito Santo”. (p. 15). 2. O Metodismo é um cristianismo equilibrado: quando o assunto é a religião, as pessoas estão em perigo de perder o equilíbrio. O segredo está em pregar o Evangelho, manter a vitalidade e o seu equilíbrio. A Bíblia é o livro do equilíbrio e ela deve ser compreendida da seguinte forma: a. como livro da Igreja, com seu significado na e para a comunidade de fé; b. como livro de tradição e não como livro de versículos isolados. “Deus se revelou na experiência da natureza – aquele reino de realidade conhecido por nós através dos sentidos. Mas, de um modo singular, Deus se revelou através da Bíblia – o reino do mundo espiritual da oração do louvor e graça”. (p. 16); c. como revelação a ser respondida. A Bíblia é a Palavra viva de Deus pedindo a nossa resposta. “Assim, a Palavra se torna útil quando começamos a perguntar: ‘O que Deus está tentando me dizer por meio desta passagem?’ ou ‘O que Ele está me chamando a fazer?’”; d. como elemento de confirmação da nossa experiência cristã. “Suas promessas, suas grandes passagens, suas mensagens e seus ensinamentos práticos – tudo isso é compreendido em seu sentido mais profundo na vida dos crentes”. (p. 16). O equilíbrio do Metodismo também pode ser visto nas ênfases de conversão e educação. Na vida, essas duas coisas se misturam. Existe um processo gradual de aprendizagem do significado de ser cristão. Pode ser visto também no interesse pela salvação das pessoas. Deus bate à porta dos seres solitários. “O Metodismo se preocupa com as guerras, com os lares desfeitos, com o preconceito racial, com a corrupção política, com o crime organizado, com a poluição, com os problemas causados pela superpopulação, com o alcoolismo, as drogas e toda forma de desumanização”. (p. 18). De fato, “Aquilo que prejudica o ser humano atinge a Cristo e desperta o cristão a ação”. (p. 18). Ainda, o Metodismo é um cristianismo equilibrado porque cremos ser uma Igreja ecumênica. “Alegramo-nos com todas as forças que agem para unir os cristãos. [...]. Nas grandes afirmações estaremos unidos. Nas pequenas coisas permitiremos diferenças. Nas questões práticas cooperaremos com os outros”. (p. 18). E, finalmente, o equilíbrio se manifesta em nossa visão das grandes doutrinas cristãs. “Em nosso modo peculiar propugnamos por uma interpretação equilibrada destas grandes doutrinas cristãs”. (p. 19). Essas bases argumentativas apresentadas nos servirão para estruturarmos uma construção salutar para a nossa espiritualidade dinâmica. Esse é o caminho que percorreremos com vital equilíbrio.

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