Se excluírem meus(minhas) irmãos(ãs), terão que me excluir também!


Desde que assumi o desafio de acompanhar os irmãos e irmãs de Belém do Pará tive a impressão de estar numa empreitada evangélica cuja tônica seria, tão somente, a da evidenciação dos valores que acredito e prego. Ao contrário do que muitos colegas disseram, não entrei nessa sem saber o que realmente estava acontecendo. Eu entrei, sabendo de fato, sobre cada minúcia. Um mote me perseguiu naquele momento de decisão: “tua luta é minha luta; teu problema é o meu problema; tua vitória é minha vitória; tua derrota é a minha derrota”. É claro que gostaria de ficar com as três dimensões anteriores. Entretanto, quero afirmar que a derrota ou exclusão de membros da igreja metodista de Belém se desenha estranhamente. Entretanto, expresso com veemência tácita: se excluírem meus irmãos e minhas irmãs, terão que me excluir também.
Ora, é muito fácil acusar os membros de uma igreja de rebeldes. É muito fácil provocar o abuso espiritual sobre gente que faz parte da nossa recente história metodista em terras brasileiras. Digo que isso tem um nome: covardia!
Li em blogs e ouvi muitos comentários absurdos de gente que não se conscientizou do que é e do que faz. Fiquei enojado com o grau de maniqueísmo presente em pessoas que existem tão somente para amarem a Deus e ao próximo como a si. O que li e ouvi foram distúrbios mesquinhos marcados pela lógica do exclusivismo religioso, típico de uma arena romana. Realmente, a estrutura da igreja metodista está mais próxima do papismo do que da reforma protestante.
Se por um acaso, um lampejo de sensatez chamar alguns à ordem, descobrir-se-á que toda e qualquer hierarquia foi destruída pela certeza de que Deus está em todos os lugares, pois que é vento que sopra onde quer, não só na igreja metodista ou nas chamadas evangélicas, mas onde deseja. Se Deus quer atuar aqui ou acolá, o problema é d´Ele, não nosso. E sabemos bem que Deus está agindo no mundo sem a nossa pretensa santidade.
Eu mesmo tenho visto Deus agir de formas inusitadas. E sempre foi assim. Pedro teve que comer coisas que ele não queria porque Deus purificou. Mas muitos santos atuais não querem, sequer, considerar a visão. Mesmo que Deus diga que a coisa é boa, eles a rejeitarão usando, inclusive, o nome daquele que foi acusado de maioral dos demônios.
É triste perceber pastores se manifestando de forma agressiva e boçal sem o mínimo de critério e sem conhecimento de causa. Mas eu sei que a verdade vem à tona, cedo ou tarde. Ela vem. Sim, vem. Espero que venha...
Assim, absorto em um turbilhão de comentários maliciosos, clamo aulicamente por justiça. O sofrimento pode ser até aceito e assimilado, mas o sofrimento provocado por líderes religiosos tem que ser extirpado urgentemente. Por isso, o sofrimento dos meus irmãos e das minhas irmãs de Belém do Pará, tanto para a comunidade Nova Aurora ou para os que comungam na central, provocado por pessoas que existem para abençoar, somente abençoar, não pode ser por mim aceito. Persigo aqui uma lógica existente na cultura mineira: “Se mexer com a minha família, mexe comigo”. Mexendo com eles, mexem comigo. Se eles(as) forem excluídos(as), que me excluam também. A mesma coragem que líderes possuem para decidir a vida dos leigos precisa ser demonstrada a pastores, na mesma moeda, na mesma medida.
Diriam os práticos, diante dessa minha argumentação: “se não está satisfeito, cai fora”. Com prazer o faria se não existissem tantas boas pessoas metodistas nesse Brasil de meu Deus. Não fico por causa de questão subsidiária, tampouco por segurança econômica. Por graça de Deus não sou como alguns que dependem da igreja para sobreviver. Eu sei de muitos que estão representando papéis para permanecerem em suas posições, mas o coração está muito longe daquilo que dizem ou pregam.
O que acontece com estes(as) quando colocam a cabeça no travesseiro? Duvido que haja sossego a não ser que a vida pastoral se configure no campo da indiferença.
Não quero criar contendas, mas não vou abrir mão de pensar diferente. Podem me chamar de rebelde, de feiticeiro, de aproveitador, de fazer politicagem, mas não me acusarão de duas caras. Pelo menos, falo o que penso e me exponho, doa a quem doer. Vou expor meus pontos de vistas e dou direito a todos(as) exporem os seus. Só não vitimem as pessoas em nome de uma pretensa santidade maniqueísta e exclusivista. Acho que o pastorado deve ser sempre o símbolo da unidade entre as contradições. Ter uma postura e uma convicção é fundamental para a nossa ética de convicção, mas não podemos abandonar a nossa ética de responsabilidade para com os outros.
Enfim, em todo esse processo somente me importei com algumas pessoas e aprendi a amá-las. Poderiam ser pessoas de qualquer outro lugar. Belém é uma terra esquecida pela igreja metodista. O que existe lá é muito pouco. Aliás, um diálogo amigável e respeitoso entre as partes poderia resolver o problema. Isso é muito possível desde que as pessoas não sejam obrigadas a concordar com todas as coisas, afinal de contas, a liberdade é um valor incomensurável para a vida cristã.
Que fique evidente o fato de que a mesma coragem para exclusão de membros leigos seja também praticada aos membros clérigos. Acho que isso é, no mínimo, agir com integridade.

Comentários

Lilian disse…
Querido pastor e amigo Moisés,

Quero parabenizá-lo mais uma vez por sua coragem e por manter seu posicionamento firme diante desta situação.
Sou testemunha da sua autencidade e da sua postura de viver aquilo que prega...Sei que você é movido pelo verdadeiro evangelho -o amor ao Nosso Deus e ao próximo... posso dizer isto pois tive o privilegio de ser pastoreada por você aqui em BH... e na verdade ainda me sinto pastoreada por você apesar da distancia.
Conte com minhas orações, minha admiração...Abraço, Lilian
CLEBER disse…
Pastor Moisés

Também entendo que a exclusão da IMBA do pessoal de Belém também deve me atingir, já que no mesmo ato fui ai recebido, vindo de Salvador, onde também não me enncontrava em comunhão com a IM, por ter sido dela afastado.

Cléber Paradela
Octavio Filho disse…
Caro amigo e colega...agradecemos a Deus, ao Senhor da Vida, Jesus Cristo e ao Espírito santo que sopra onde quer...por ter soprado coragem, firmeza, ousadia, misericórdia, amor, e solidariedade em seu coração. Deus manifesta a sua graça onde, muitas vezes, não queremos ver, ouvir e ler. Sua atitute é pela graça. Como diria João Wesley, preveniente, justificadora e santificadora. E o Bispo Nelson, consumatória. Tens a benção de Deus e a nossa solidariedade.
Meu abraço afetuoso, admiração e oração.
vipafer disse…
Caro irmão, colega e amigo,
precisa-se de uma igreja inclusiva e não exclusivista, que ame além do discurso, que abrece os diferentes e não só os iguais. O Espírito sopra onde quer, de fato. Tem soprado sobre a sua vida e ministério. E continuará a dar-lhe graça e poder para enfrentar os leões, na cova ou fora dela. Onde Deus quiser. Conte conosco. Deus o abençoe.
Nana Camarão disse…
Querido Pastor, amigo, filho: apenas CREIA e DURMA consciente de que vc É, entendeu? De q vc É um Pastor de ovelhas, que o Santo Espírito te envolve e que você jamais fugiu, saíu ou distorce qualquer vírgula da Palavra.
Sinto pelos que me fizeram ouvir no domingo p.p., pleno dia de Ceia,coisas tipo "que só deveriam assinar como presentes ao Concílio prá eleger a já eleita secretária e assunto de AMAS, os que, DE VERDADE FREQUENTAM A IGREJA..."entre outras lhe faltando o respeito. Como se Igreja ñ fosse eu, ñ fosse você, não fossemos NÓS TODOS.
Oro, de verdade por você. E só peço aos que ainda me gostam, que orem também. Oração extensa à sua família, FAMÍLIA.
Abraço materno, fraterno e acima de tudo carinhoso. Nana
Miriam disse…
Querido Pastor Moisés.
Eu sei o tanto que vc ama essa Igreja, e imagino como vc está, mas saiba que apoio suas ações. Fazer parte dessa Igreja tem sido muito doloroso, vê-la se tornar um balcão de interesses que pouca diferença tem da politica q nos cerca. Em 56 anos nunca passou pela minha cabeça abandonar essa Igreja amada, mas tenho pensado muito nessa opção.

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