Será que sou realmente um cristão?

Li recentemente um texto do filósofo Bertrand Russel onde ele apontava as razões pelas quais não se professava cristão. Toda a sua argumentação parte de perguntas filosóficas de alto gabarito teórico. No que se refere à área de Bíblia, deixa a desejar.
Entretanto, independente das críticas que eu poderia ressaltar nesse sucinto artigo, principalmente no que se refere à área de interpretação da Bíblia, foram contundentes suas perguntas e argumentações sobre o que realmente significa ser cristão.
Confesso aos leitores que fiquei estarrecido e em crise existencial. Isso aconteceu porque percebi que ele tinha razão. Eu não consigo fazer coisa alguma do que o evangelho, nas palavras de Jesus, me manda fazer.
Por exemplo, quando Jesus disse ao jovem rico: "Vai vende tudo o que tens e dá aos pobres", ele estava partilhando um princípio ético e moral que tem a ver com o senso de justiça. Eu coro de vergonha toda vez que leio este texto, pois se eu estivesse no lugar daquele jovem, acho que tomaria a mesma atitude, ou seja, cabisbaixo e entristecido, cairia fora. E aquela outra lógica que me conclama a amar os meus inimigos. Às vezes tem sido difícil amar os da minha casa, quanto mais os meus inimigos.
Então, diante dessas e de outras questões fui refletindo... refletindo e me perguntei seriamente: Serei eu realmente um cristão?
Ora, meu cristianismo é bacana: muitas conquistas de foro relacional.
Meu cristianismo pouco se dedica aos pobres.
Meu cristianismo tem carro enquanto vejo gente que não tem, sequer, acesso ao transporte público.
Meu cristianimo tem conta bancária e uns poucos trocados pra gastar com bobagens.
Meu cristianismo fica contando os dias para as férias com o intuito de viajar.
Meu cristianismo se concretiza no culto, dominicalmente.
Meu cristianismo tem muito ritual.
Meu cristianismo curte um louvor da hora.
Meu cristianismo pede muita coisa pessoal, e pouca solidariedade.
Meu cristianismo chora quando fecha os olhos.
Meu cristianismo pouco se importa com a justiça.
Meu cristianismo tem Bíblia e pouca Palavra de Deus.
Enfim, para que a lista não fique interminável, meu cristianismo tem muito blá blá blá e pouca ação.
Às vezes, me pergunto sobre por que não simplificar? Por que manter fachadas e estruturas que nada tem a ver com a contigência da vida?
Eu não tenho respostas, mas confesso desejoso de mudar toda essa história.
Quero ser mais real naquilo que chamo de cristianismo. Pelo menos, nas mínimas coisas quero ser mais parecido com Jesus.
Por enquanto, diante dessa inquitação lancinate, volta a pergunta: será que sou realmente cristão?

Comentários

Lilian disse…
Oi amigo e Pastor Moises,

Mais uma vez parabéns pelo texto simples e profundo...Ser cristão não é fácil mesmo.Mas é muito bom saber que a misercordia e graça do Nosso Deus é real e eterna.Graças a Deus pelo Espirito Santo que nos capacita e nos constrange a nos tornarmos servos e caminharmos em direção das pessoas para demonstrar o grande amor do Nosso Deus.Abraços.Deus continue te inspirando.Lilian
lisieux disse…
Caraca, pastorzão...
será que SOMOS mesmo cristãos?
Meu cristianismo está bem parecido com o seu. E com o de outros pastores/as, líderes, lustradores de banco, gente comum...
Bem que eu gostaria de um cristianismo mais profundo e mais comprometido. A fórmula é simples, mas... cadê coragem para deixar TUDO e seguir, de fato e de verdade, a Jesus?
Que ELE nos ajude, nos oriente, nos capacite...
Bjão e saudade
Acho que o nosso coração anda batendo no mesmo compasso em vários lugares e a gente não sabe... quando converso com amigos ou leio textos como esse, me vem essa teofania... Fico pensando no que Deus está pensando... talvez, se não fora sua misericórdia, nem quero saber...
walkimar disse…
é verdade, meu caro, nosso cristianismo está precisando de uma nova reforma. Sugiro a leitura do texto da revista ÉPOCA. VEJA O POVO CHAMADO METODISTA. TÁ TUDO LÁ.
ABRAÇÃO.
Cláudia disse…
Oi pastor Moisés. Saudades. Gostei muito do texto e essa é uma pergunta que me tenho feito já a algum tempo. E de forma muito mais gritante tem me atingido aqui no campo missionário. Estou em busca desta simplicidade de Jesus que é tão assustadora para nós, especialmente pra mim que nunca soube o que é de fato ter carência. Não tenho a resposta. Tenho apenas o testemunho pessoal de que sinto-me mais cristã, ou mais parecida com Jesus quando em primeiro lugar vou ate Ele. Sem rituais, sem cerimônias, com a nudez crua dos meus medos e pecados e com o coração sincero e quebrantado, busco Sua orientação, correção, conforto e paz. E em segundo lugar sinto-me mais crista quando decido sair das quatro paredes tão altas e firmes nas quais me sinto tão confortável e vou de encontro ao outro. Seja para dar, para conversar, para errar e depois pedir perdão, para exercer os dons e talentos e etc. A minha oração tem sido a de ser mais do que fazer. Que Deus nos atraia pra Si mesmo de depois nos leve ao próximo, seja ele quem for. Grande abraço, Claudia.
Moisés,
os melhores livros e textos são os que mexem com as nossas entranhas e tocam o que é precioso para nossa existência. Obrigado por compartilhar suas inquietações. Elas também são minhas.
walkimar disse…
olá meu caro. Novamente estive em sua cidade mas foi decidido em cima da hora, como de vez em sempre.
Prometo que da próxima vez, aviso com antecedência para tomarmos o chocolate quente no Independência.
Passamos em frente à Igreja que fica na Praça da EStação. Ainda não sei o nome, parece que é IM SÃO MATEUS É ISSO MESMO?
Estamos cada vez mais interessados em estudar e nos aproximar desta bela cidade.Muita gente, mas, graças a Deus, pouco barulho. Clima agradável. Minha familia gostou muito de JF.Bom feriado.
ABRAÇÃO.
WALKIMAR

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