quinta-feira, 29 de julho de 2010

Não quero mais saber de Fórmula 1

Hoje, dia 25 de julho de 2010, por ocasião de uns merecidos dias de férias, tive a oportunidade de assistir a corrida de Fórmula 1 – o grande prêmio de Hockenheim, na Alemanha. Confesso que sempre fui apaixonado pelas corridas desses automóveis fantásticos. E essa minha paixão não é de agora. Ela vem dos tempos do famoso “Coopersucar” de Emerson Fitipaldi. Depois veio a “Brabham” de Nelson Piquet e claro, as estupendas corridas daquele que se transformou em um dos maiores ícones das corridas automobilísticas, nosso saudoso Airton Senna “do Brasil”.

Mas no dia supracitado, fiquei estarrecido com a atitude da Ferrari quando, através de uma mensagem codificada na 49º. volta, forçou o Massa a dar passagem para o Alonso. A cena me deixou completamente tomado de indignação. Ora, tudo bem que visivelmente o Alonso estava mais rápido, mas ele tinha que resolver esse problema com o Massa na pista. Isso é briga pra quem entende do negócio. Mas aquilo que meus olhos viram foi de matar.

Fiquei realmente indignado, pois me confesso também um torcedor extremamente passional. Por exemplo, torci muito pela Seleção Brasileira de Voleibol, quando da conquista de seu nono título da liga mundial no mesmo dia à noite. O time comandado por Bernardinho é eneacampeão. Congratulações a essa equipe fantástica. Como se vê, sou passional e me junto a gente que nem conheço para torcer, simplesmente torcer.

Acontece que, por um motivo muito específico, nós gostamos de participar de movimentos que dão a idéia de grandiosidade. Queremos sempre fazer parte de estruturas que estão para além de nós ou que nos fazem maiores. Por isso, nos tornamos flamenguistas, corintianos, atleticanos, colorados, remenses e assim por diante.

Então, quando torcemos também pelos nossos pilotos da Fórmula 1, estamos nos ingressando em uma legião de gentes que querem se sentir vitoriosos como o nosso conterrâneo. A bem da verdade, eu queria vencer com o Massa ou pelo menos subir no pódio com ele, afinal de contas, eu sou brasileiro, com muito orgulho.

Por isso decidi: enquanto houver esse tipo de estapafúrdia, não mais assistir as corridas de Fórmula 1. Cansei de ser bibelô de entretenimento esportivo fazendo papel de palhaço. Eu, com meus mais singelos sentimentos, assisto a televisão e torço com fé de torcedor enquanto os magnatas da Fórmula 1 tomam as suas decisões em nome dos seus interesses econômicos, segundo a lógica: que se danem os torcedores!

O Massa perdeu. Perdeu a corrida e perdeu a dignidade ao afirmar que “deixou” o Alonso lhe passar. Ora, só um louco deixaria de ganhar uma corrida que estava sob controle. Eu não deixaria. Mas ele tem um contrato. E mais vale o contrato com a Ferrari à alegria de um torcedor na sua manhã dominical.

O Massa perdeu um torcedor. Sei que não vai fazer falta pra ele. O que importa pra ele são os dólares e euros, não necessariamente nessa ordem. Dirão novamente: mas ele tem um contrato! Eu replicarei: o maior contrato que qualquer pessoa pode ter se assina com os sentimentos e quando esses são quebrados, resta a possibilidade de torcer por gente que quer ser gente, ou que pelo menos respeita gente.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

ESPIRITUALIDADE NO CAMINHO

O progresso de uma civilização se mede pelo aumento da sensibilidade para com o outro”.
Teilhard de Chardin

O marco referencial que parte de uma espiritualidade inserida no caminho da vida parte da busca pela formação integral do ser humano. Sem excetuar os valores cristãos, geradores por certo de uma nova possibilidade de vida e inserção na sociedade, a forma wesleyana de conceber a espiritualidade sempre buscou os mais amplos ideais morais para a vida humana.
Não se quer ter uma visão ufanista dessa forma wesleyana, entretanto não se pode negar, ao longo dos anos, que os princípios de caracterização do novo ser, bem como a construção do caráter baseado em princípios cristãos universais ligados tangencialmente aos ideais do evangelho sempre se constituíram em força motriz nos propósitos da restauração da “imago Dei”.
Nessa mesma linha de pensamento, ou seja, na busca pelo novo ser, Hugo Assmann e Jung Mo Sung no livro co-escrito: “Competência e sensibilidade solidária” apontam para a necessidade de negar o olhar para os valores da cultura dominante e ver o que ainda não pode ser visto pela força interior do desejo. Dessa forma, criando um horizonte de esperança e utopia,

"que ainda não existe e que talvez nunca venha a existir, mas que dá um sentido às ações que nascem do nosso desejo de um mundo melhor. Este horizonte de utopia e esperança nasce juntamente com este desejo de vivenciar a sensibilidade solidária para além das relações pessoais, ou em um pequeno grupo, o desejo de que toda a sociedade, toda a realidade seja invadida e ‘grávida’ desta solidariedade mais genuína. E é este horizonte utópico que alimenta este desejo e dá sentido a esta sensibilidade solidária” [ASSMANN & SUNG, 134 E 135].

A consideração de Assmann e Sung sugere a possibilidade de sinalização de um novo tempo, um novo mundo. Logicamente, é a partir de um projeto de salvação integrada que tal tarefa chegará a vingar de forma efetiva e construtiva. As novas possibilidades históricas remetem o ser humano a uma re-situação e re-consideração da visão de mundo, de onde decorre uma inegável correlação entre ecumenismo, economia e ecologia. O prefixo destas palavras é o mesmo. Refere-se à palavra grega oikos, que se caracteriza, de forma incipiente, como casa.
Não se pode perder de vistas a idéia wesleyana de que na Igreja e por meio da ação de Deus nela, são retomadas as esperanças de renovação do agir de Deus em favor das pessoas e da vida. É nesse contexto carregado de esperanças que a salvação integral, bem como a restauração da “casa de Deus” no ser humano e no cosmos fortalecem-se. A busca por uma ética mundial, centrada na fé em Cristo e no estabelecimento de uma experiência relacional com Deus é, indubitavelmente, o aspecto a ser buscado. O Senhor nos ajude nessa tarefa.

Revista Foco da Fé

Com alegria, quero compartilhar com os amigos mais uma publicação. Agradeço aos autores e aos co-organizadores pela parceria. Valeu Mois...