Muitos "sems" e o Fundamental

Muito se estuda, se fala , se prega e se escreve sobre “igreja” no meio evangélico nos nossos dias. Aliás, fala-se mais sobre “igreja” do que de Jesus Cristo, de Deus e do Espírito Santo. A Trindade só ocupa lugar nas falas e nos escritos quando está a serviço da “igreja”, ou seja, o Senhor tornou-se refém daquela que deveria ser serva.
Nós, evangélicos brasileiros, somos tão católicos quanto os católicos na sua relação com a “igreja”, pois colocamo-na no centro da vida de tal sorte que para muitos “fora da igreja não há salvação”. A diferença é que os católicos creem assim mesmo, apesar da maioria não “seguir” o que a Igreja Católica orienta; e nós dizemos não crer assim, mas a maioria “segue” o que as “igrejas” ordenam. Mais que isso: muitos de nós vivemos de tal forma que, se alguém nos tirasse o que entendemos e vivemos como sendo “igreja”, perderíamos a fé.
Fico imaginando se pudéssemos passar um dia conversando com o Jesus dos evangelhos. Sinceramente acho que Ele diria: “Vocês criaram isso que chamam de ‘Igreja’! Eu vivi e proclamei o Reino de Deus, que já está entre os que me seguem, sobre os que me seguem, dentro dos que me seguem. Um Reino inabalável e sem visível aparência. Quando os que me seguem se reúnem em meu nome para adorarem ao Pai, a mim, ao Espírito, para nos ouvirem, comerem o pão e o beberem o vinho, como irmãos-seguidores meus, isso é igreja! Só isso! No mais, vivam e proclaram as boas novas que vocês encontraram em mim!”
O que muitos de nós faríamos sem templo, sem bispo, sem pastor, sem padre, sem presbítero, sem diácono, sem patrimômio, sem ministério de administração, sem tesouraria, sem ministério de louvor, sem instrumentos musicais, sem coral, sem altar, sem púlpito, sem escola dominical, sem culto de oração, sem reuniões ministeriais, sem atas, sem estatísticas, sem relatórios? Quanto de nossas orações, tempo e saúde temos empregado em tudo isso? De tudo isso, o que levaremos para eternidade?
E como seríamos se vivêssemos no Reino, sob o Reino, cheios do Reino? E nos reuníssemos para adorar e ouvir a Trindade? E vivêssemos juntos, no mundo, de tal forma que nossa vida fosse uma proclamação de que Deus está entre nós? Quanto de nossas orações, tempo e saúde temos empregado nisso? E disso, o que levaremos para eternidade?
Já paramos para pensar se existem seguidores de Jesus Cristo vivendo com todos os “sems” acima citados – ou outros mais? Se existem, onde estarão eles/as?
Para meditar: Lucas 10.38-42.

Maurício Ramaldes.
São Paulo, 5/4/2009.

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